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Mais de 200 famílias ocupam Área de Preservação Ambiental no Santa Etelvina

Lotes em Área de Preservação Ambiental são vendidos a R$ 7 mil e tem até um pastor negociando a venda de terras 20/05/2015 às 09:43
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Pastor de uma igreja evangélica está vendendo dois lotes na invasão. Moradores afirmam que muitos ocupantes comprar terrenos para servir de comércio
Adália Marques ---

Uma invasão localizada em  área de Preservação Ambiental (APA) no bairro Santa Etelvina , Zona Norte, está quase que 50% ocupada por moradores. Mais de 200 famílias construíram casas próximo ao igarapé que liga à antiga Ponte da Bolívia, próximo à barreira. Os invasores estão no lugar há mais de um ano, e alguns estão “ganhando a vida” vendendo lotes da terra, de acordo com informações de moradores do local.

As famílias afirmam que ocuparam a terra porque não tinham onde morar,  são autônomos e muitos estão desempregados, porém um senhor que não quis ser identificado,  informou que uma boa parte dos invasores  tem casas próprias em outros bairros e estão “pegando” lotes para fazer de ponto comercial.

Além disso, muitos possuem carros, deixando claro que alguns têm poder aquisitivo suficiente para construir um imóvel de alvenaria em três meses na invasão. Até quem diz estar sem emprego, construíram casas de  tijolos na invasão.   

Um dos maiores problemas da ocupação irregular no Santa Etelvina é que os invasores estão derrubando  a área verde, que é cheia de palmeiras e outras árvores nativas. Ao entrar no local é possível encontrar várias árvores cortadas. Além da derrubada, há queimadas utilizando tanto os materiais  orgânicos quando pneus velhos.

Igreja

Um pastor chamado “ Iraldo” está construindo uma igreja denominada Ministério Adoradores de Deus no local, e  também anunciando a venda de dois  quadrantes que, segundo ele afirma, foi  comprado, no entanto, não cedeu o nome do vendedor nem apresentou nenhuma documentação, apenas afirmou que comprou a terra de uma outra pessoa na qual não quis revelar o nome.

Uma senhora que preferiu não revelar o nome com medo de represália disse que entrou em contato com o pastor para saber o valor de um dos terrenos e constatou que o lote é vendido a R$ 7 mil pelo pastor Iraldo.

Morando há uma semana no local, o autônomo Marcos Araújo, 30, afirma que as pessoas que chegaram primeiro estão vendendo casas de alvenarias prontas no local. Ele frisou que comprou uma e está morando nela.  Sem documentação que comprove a legalização da moradia, ele tem receio de ser despejado a qualquer momento.

Sem registro

O Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam) informou, por meio da gerência de fiscalização, que não há registros ou denúncia sobre a invasão, mas com base na informação,  o órgão enviará uma equipe ao local para averiguar o caso. Ainda, conforme p Ipaam, os danos ambientais, assim como a adoção dos procedimentos de fiscalização, serão avaliados.

Outra invasão

No bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, uma Área de Preservação Permanente (APP), localizada na rua 11 de Maio, foi tomado por mais de 80 famílias. No local, funcionava a serraria “Pereira”, fechada desde 2009, justamente por ser uma área ambiental. 

Procurado, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que até o momento não há nenhum registro sobre o caso citado na Colônia Antônio Aleixo. "Porém, por meio das informações repassadas no e-mail (pela reportagem de A Crítica), a denúncia será formalizada na gerência de fiscalização e uma equipe irá ao local verificar a situação", completou a nota.

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