Domingo, 18 de Agosto de 2019
ACOLHIMENTO

Mais de 200 indígenas venezuelanos são abrigados em quatro bairros da cidade

Famílias de refugiados foram acolhidas na Redenção, Educandos, Cidade Nova e Cidade Nova II



35792409851_8ef6d7261b_z.jpg Com a regularização, famílias poderão ter acesso ao Registro de Nascimento e outras documentações básicas, bem como aos programas socioassistenciais, emprego e renda (Foto: Divulgação / Semmasdh)
14/07/2017 às 17:53

Como parte do conjunto de ações integradas para o acolhimento dos indígenas da etnia Warao, vindos refugiados da Venezuela, foi realizada hoje a transferência de mais 200 índios que ocupavam as ruas Doutor Almínio e Quintino Bocaiúva, no centro da cidade.

Eles foram abrigados em quatro bairros da capital: Educandos, Redenção, Cidade Nova (Vale do Sinai) e Cidade Nova II. Na última segunda-feira, um grupo de 13 famílias já havia se mudado para a Rua Tarumã, também no Centro.

“Nós tínhamos uma grande preocupação com os indígenas que moravam nesta área central por conta da prostituição e do tráfico de drogas. Agora eles vão para áreas que estão situadas nas proximidades de escolas, UBSs, Cras e Creas”, destacou o secretário municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Elias Emanuel, que está à frente das ações.

Ainda segundo o secretário, desde que a situação de emergência social em Manaus foi decretada, iniciou-se um protocolo de permanência para cuidar da regularização das famílias Warao instaladas no Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Famílias, localizado no bairro do Coroado.

Com a regularização, essas famílias poderão ter acesso ao Registro de Nascimento e outras documentações básicas, bem como aos programas socioassistenciais, emprego e renda, entre as demais políticas públicas de cidadania.

“Além dessas ações, os indígenas estão tendo um suporte de alimentação com peixe, frango e outros alimentos pelo período de seis meses. Estamos nos organizando, juntamente com a sociedade civil e os organismos públicos, para que eles (os Warao) adquiram autonomia financeira e tenham sustentabilidade”, explicou Elias Emanuel.

“A produção do artesanato é uma linha que está sendo discutida com as lideranças indígenas”, completou o padre Orlando Gonçalves, vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana.

Recurso Federal

A Prefeitura de Manaus ainda aguarda o repasse no valor de R$ 720 mil do Governo Federal que será empregado para o atendimento aos indígenas Warao pelo período de seis meses. Esse valor será empregado no aluguel dos imóveis, alimentação, produtos de higiene, limpeza e pagamento de pessoal. O montante será repassado do poder público para a Cáritas, que será a responsável pelo acompanhamento dos indígenas.

Números

De acordo com dados da Semmasdh, atualmente estão residindo em Manaus, 497 indígenas Warao. São 267 abrigados no Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Famílias no bairro Coroado, e 230 que residiam no Centro e agora estão em locais definidos pela prefeitura. Entre os dias 24 de junho e 12 de julho foi registrado o retorno de 128 indígenas para a Venezuela e a chegada de outras 61 pessoas na capital.

Os primeiros indígenas começaram a chegar a Manaus no dia 5 de dezembro do ano passado. Em fevereiro de 2017, iniciaram-se as tratativas para que os órgãos pudessem atender aos imigrantes. No dia 4 de maio foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) o decreto nº 3.689, declarando situação de emergência social em Manaus, por 90 dias, prorrogáveis por mais 30, devido o intenso processo de imigração. 

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