Sábado, 28 de Março de 2020
Manaus

Mais de 300 famílias convivem com lixo e água poluída no Igarapé do Quarenta, Zona Sul

Moradores informaram que, para conseguir uma solução, vão realizar todos os dias manifestações na avenida Silves para chamar a atenção das autoridades



1.png Moradores do Igarapé do Quarenta vivem entre lixos e água poluída por falta de pontes no bairro.
10/06/2015 às 21:08

Mais de 300 famílias vivem em péssimas condições de moradia nas margens do igarapé do Quarenta, no bairro da Raiz, Zona Sul. Com a enchente, eles, além de passar por necessidades, são obrigados a conviver diariamente em contato com a água poluída, lixo, ratos, baratas e até sanguessugas.

A água invadiu os barracos e boa parte dos becos, conhecidos como Ipiranga 1, 2, 3, 4 e 5, que não foram contemplados com a construção de pontes pela prefeitura. Para aqueles que precisam ir trabalhar, ir ao mercado ou ir para a escola, a obrigação impõe enfrentar a situação para conseguir sair da área alagada.



(Foto: Euzivaldo Queiroz)

Entre esses moradores encontra-se a dona de casa Glória Pessoa, 48. Moradora há 27 anos do beco Ipiranga 3. Ela contou que este ano a situação piorou, pois além de mais um ano ter que conviver com a área alagada, para conseguir organizar os deveres de casa é obrigada a ficar boa parte do dia com o corpo molhado da água do igarapé quando precisa transitar em sua casa e na área de serviços da comunidade para lavar roupas e louças.

“Os serviços de casa não vão esperar as águas baixarem, então o jeito é se adaptar e rezar para não adquirir uma doença, pois aqui somos esquecidos e o jeito de resolver infelizmente é se adaptar com a nossa realidade”, disse.

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

A universitária Kátia Rodrigues, 41, contou que há duas semanas uma criança de quatro anos caiu no igarapé por causa da falta da ponte e desapareceu. “Isso ninguém mostra, mas a mãe teve que ir embora, pois não aguentou o descaso que passamos. O caso ficou por isso mesmo”, contou a moradora.

Os moradores afirmam que por causa do contato diário com a água poluída muitas crianças e até famílias estão adoecendo. “Temos crianças nos barracos que possuem necessidades especiais,  com a contaminação a situação fica pior, precisamos de ajuda”, reforçou a universitária.

Conforme os moradores, boa parte dos becos estão sem a ponte, pois os próprios funcionários da Defesa Civil do Município estão vendendo as madeiras destinadas à comunidade.

“Depois que a coordenação deixa as madeiras, vem outro carro não caracterizado que recolhe boa parte e vai embora. Vimos até funcionário receber por essas madeiras, tentamos reclamar para direção da Defesa Civil, mas não somos ouvidos e quem fica prejudicado somos nós que estamos necessitados”, disse o autônomo José Almeida, 36.

Os moradores informaram que, para conseguir uma solução; vão realizar todos os dias manifestações na avenida principal para chamar a atenção das autoridades.

Plano é fazer protestos todos os dias

Na quarta-feira (10), os moradores fecharam a avenida Silves, nos dois sentidos para chamar a atenção das autoridades. O mesmo ato foi realizado na última terça-feira e no final do mês de maio.

(Foto: Evandro Seixas)

Além da situação da ponte, os moradores pedem auxílio moradia para as famílias que estão em situação mais precária e também ranchos.

De acordo com os moradores, todas as famílias estão escritas no Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), mas até o momento não foram beneficiados com as moradias.

“Todos os anos, dizem que vão nos retirar do alagado, mas não passa de mais promessas e promessas que não são cumpridas e o único jeito de sermos percebidos é quando nos manifestamos”, disse José Almeida.

Os moradores denunciaram que, na manifestação de terça-feira, foram agredidos por policiais e até crianças foram vítimas de violência.

(Foto: Evandro Seixas)

Investigação

A Defesa Civil do Município informou que uma equipe será encaminhada nesta quinta-feira (11) na comunidade para verificar a denúncia da venda da madeira destinada a construção de pontes dos becos Ipiranga 1, 2, 3, 4 e 5.


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