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Mais de 300 famílias convivem com lixo e água poluída no Igarapé do Quarenta, Zona Sul

Moradores informaram que, para conseguir uma solução, vão realizar todos os dias manifestações na avenida Silves para chamar a atenção das autoridades 10/06/2015 às 21:08
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Moradores do Igarapé do Quarenta vivem entre lixos e água poluída por falta de pontes no bairro.
Isabelle Valois Manaus (AM)

Mais de 300 famílias vivem em péssimas condições de moradia nas margens do igarapé do Quarenta, no bairro da Raiz, Zona Sul. Com a enchente, eles, além de passar por necessidades, são obrigados a conviver diariamente em contato com a água poluída, lixo, ratos, baratas e até sanguessugas.

A água invadiu os barracos e boa parte dos becos, conhecidos como Ipiranga 1, 2, 3, 4 e 5, que não foram contemplados com a construção de pontes pela prefeitura. Para aqueles que precisam ir trabalhar, ir ao mercado ou ir para a escola, a obrigação impõe enfrentar a situação para conseguir sair da área alagada.

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

Entre esses moradores encontra-se a dona de casa Glória Pessoa, 48. Moradora há 27 anos do beco Ipiranga 3. Ela contou que este ano a situação piorou, pois além de mais um ano ter que conviver com a área alagada, para conseguir organizar os deveres de casa é obrigada a ficar boa parte do dia com o corpo molhado da água do igarapé quando precisa transitar em sua casa e na área de serviços da comunidade para lavar roupas e louças.

“Os serviços de casa não vão esperar as águas baixarem, então o jeito é se adaptar e rezar para não adquirir uma doença, pois aqui somos esquecidos e o jeito de resolver infelizmente é se adaptar com a nossa realidade”, disse.

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

A universitária Kátia Rodrigues, 41, contou que há duas semanas uma criança de quatro anos caiu no igarapé por causa da falta da ponte e desapareceu. “Isso ninguém mostra, mas a mãe teve que ir embora, pois não aguentou o descaso que passamos. O caso ficou por isso mesmo”, contou a moradora.

Os moradores afirmam que por causa do contato diário com a água poluída muitas crianças e até famílias estão adoecendo. “Temos crianças nos barracos que possuem necessidades especiais,  com a contaminação a situação fica pior, precisamos de ajuda”, reforçou a universitária.

Conforme os moradores, boa parte dos becos estão sem a ponte, pois os próprios funcionários da Defesa Civil do Município estão vendendo as madeiras destinadas à comunidade.

“Depois que a coordenação deixa as madeiras, vem outro carro não caracterizado que recolhe boa parte e vai embora. Vimos até funcionário receber por essas madeiras, tentamos reclamar para direção da Defesa Civil, mas não somos ouvidos e quem fica prejudicado somos nós que estamos necessitados”, disse o autônomo José Almeida, 36.

Os moradores informaram que, para conseguir uma solução; vão realizar todos os dias manifestações na avenida principal para chamar a atenção das autoridades.

Plano é fazer protestos todos os dias

Na quarta-feira (10), os moradores fecharam a avenida Silves, nos dois sentidos para chamar a atenção das autoridades. O mesmo ato foi realizado na última terça-feira e no final do mês de maio.

(Foto: Evandro Seixas)

Além da situação da ponte, os moradores pedem auxílio moradia para as famílias que estão em situação mais precária e também ranchos.

De acordo com os moradores, todas as famílias estão escritas no Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), mas até o momento não foram beneficiados com as moradias.

“Todos os anos, dizem que vão nos retirar do alagado, mas não passa de mais promessas e promessas que não são cumpridas e o único jeito de sermos percebidos é quando nos manifestamos”, disse José Almeida.

Os moradores denunciaram que, na manifestação de terça-feira, foram agredidos por policiais e até crianças foram vítimas de violência.

(Foto: Evandro Seixas)

Investigação

A Defesa Civil do Município informou que uma equipe será encaminhada nesta quinta-feira (11) na comunidade para verificar a denúncia da venda da madeira destinada a construção de pontes dos becos Ipiranga 1, 2, 3, 4 e 5.

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