Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
RECOMEÇO

Mais de 5 mil venezuelanos foram atendidos pelo posto de interiorização

Com cerca de 224 mil venezuelanos no Brasil, a coleta dos dados facilita a resposta local, apoia a adequação de serviços básicos como saúde, educação e abrigamento e auxilia o mapeamento de fluxos de mobilidade internamente



acnur_AE3BBA38-5757-45B2-BD8D-E4FD52A62514.JPG Foto: Alexandre Pereira/ACNUR Brasil
09/01/2020 às 07:39

De acordo com dados da Polícia Federal (PF) de até setembro do ano passado, a estimativa era que 20 mil venezuelanos, entre refugiados e migrantes, vieram para o Amazonas. Inaugurado há dois meses, o novo Posto de Interiorização e Triagem (PITRIG), em Manaus, já atendeu cerca de 5,7 mil pessoas que deixaram o país vizinho em busca de um novo lar e estabilidade financeira no Brasil.

O registro e o acesso à documentação para refugiados e migrantes que estão no País são duas atividades essenciais da resposta humanitária a esta população. Com cerca de 224 mil venezuelanos no Brasil, a coleta dos dados facilita a resposta local, apoia a adequação de serviços básicos como saúde, educação e abrigamento e auxilia o mapeamento de fluxos de mobilidade internamente.



Para facilitar esses serviços em Manaus, o PITRIG, na  Avenida Torquato Tapajós, no bairro Santos Dumont, Zona Centro-Oeste de Manaus, foi inaugurado em novembro de 2019 e tem atendido a comunidade refugiada e migrante com serviços de documentação, registro, vacinação e encaminhamento para a estratégia de interiorização.

Criado no âmbito da Operação Acolhida após sua extensão para a capital amazonense, o espaço foi aprovado pelo Comitê de Assistência Emergencial do Governo Federal e reforça a resposta emergencial para refugiados e migrantes da Venezuela implementada pelo Brasil desde março de 2018 – com apoio da comunidade internacional, Nações Unidas, sociedade civil e setor privado.

O posto funciona em parceria com autoridades estaduais e municipais, agências da ONU e organizações não-governamentais. O trabalho da ONU tem o apoio do governo do Japão por meio de uma contribuição de US$ 3,4 milhões realizada ano passado.

Com este apoio, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem realizado o registro e a documentação de pessoas refugiadas no PITRIG e priorizado quem possui necessidades mais urgentes, ajudando encaminhamentos para a rede de proteção local e também a participação na estratégia de interiorização voluntária do Governo Federal.

São os casos de famílias como a de Marier, 34, e Francisco, 32, que se deslocaram de Delta Amacuro, na Venezuela, em busca de melhores condições de vida para os filhos no Brasil. Desde que chegaram no País, em novembro de 2018, eles vêm se mantendo por meio da venda de produtos como trufas e outros serviços autônomos em Manaus. O casal decidiu ir ao PITRIG obter a renovação anual da solicitação de reconhecimento da condição de refugiado, quando foi integrado à base de dados de registro do ACNUR.

“Aqui os serviços ficaram em um lugar só, o que facilita muito para a gente que mora em uma zona longe da cidade”, explicou Marier, que é mãe de três filhos. “Tenho uma filha que precisa de atenção de saúde e não pode ficar se deslocando muito, então quando soubemos que aqui poderia fazer tudo, viemos fazer todos os procedimentos de uma vez”, ressaltou.

O registro é feito eletronicamente, por meio de uma base de dados que armazena desde documentação básica da comunidade refugiada até dados biométricos. A entrevista na coleta de dados identifica necessidades específicas e facilita encaminhamentos aos serviços especializados, bem como gerir casos desde o registro até alcançar uma solução duradoura. 

Oportunidade para Darwin, 29 e Orlen, 36, que estão em Manaus desde abril e desejam ir para o Rio Grande do Sul. Vindos de Anzoatégui, na Venezuela, eles participaram da avaliação de aptidão para a viagem, onde são conferidos detalhes como vacinas, documentos e condições no local de destino. 

“Temos conhecidos que já foram e conseguiram se estabelecer por lá, então, queremos viajar para tentar morar em outra cidade mais próxima deles”, explicou Darwin, que em Manaus trabalha com serviços de agronomia. 

Nessa etapa preparatória, um médico emite parecer sobre condições de saúde, e ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) participam do acompanhamento.

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