Sábado, 14 de Dezembro de 2019
RETRATO SOCIAL

Mais de mil pessoas sem casa vivem nas ruas do Centro de Manaus

Levantamento realizado pela Pastoral do Povo de Rua, da Igreja Católica, aponta que parte desta população já teve casa, emprego e fala mais de um idioma



rua_moradores_A981536D-E2E2-4195-A5A1-0AE4AB498C45.JPG Foto: Clóvis Miranda
18/11/2019 às 07:49

A maior parte da população moradora de rua vive hoje no centro da cidade. A situação, segundo as entidades não governamentais, é crítica e não recebe a estrutura que deveria por parte do poder público. Só em Manaus, segundo a coordenadora da Pastoral do Povo de Rua, Natércia Navegante, entidade ligada à Igreja Católica, são mais de mil pessoas vivendo no tipo de vulnerabilidade, especialmente usuários de drogas que foram abandonados pela família. O número difere da realidade apresentada pelos órgãos federais. 

“Eu estou há 15 anos nessa luta e eu vi o diferencial de uns anos pra cá, principalmente  depois que começou a questão da migração. Então tem aumentado muito. Oficialmente o Ministério do Desenvolvimento Social tem um relatório fechado, falando que temos 400 pessoas em situação de rua em Manaus, mas isso não é verdade, tem muito mais. Então a contagem esta errada. O Amazonas em si é um o local que perpassa muitas pessoas. A migração tem contribuído muito para isso, então o número de pessoas em situação de rua aumentou muito, são mais de mil pessoas”, afirmou ela. 

De acordo com ela, a maior parte dessas pessoas está no Centro da cidade, incluindo crianças, idosos e famílias inteiras. “Muita gente fala que só quem mora na rua é o drogado, o viciado, mas não é. Você encontra famílias, profissionais, pessoas que perderam o emprego, não têm como pagar o aluguel, e veio morar embaixo da ponte. É uma realidade que tem crescido muito”, pontuou. 

Para ela, a ajuda atual do poder público ainda é muito pouca e não atende as demandas dessa população, assim como as frentes que atuam nesse sentido. “Junto ao poder público, o que nós temos de ajuda é o mínimo. O Estado tem muitas secretarias assistenciais, mas o que tem é mínimo ainda. Para a quantidade de pessoas que temos. Ano passado as igrejas e as comunidade de aliança do trabalho da pastoral deram entrada junto ao ministério público e vários órgão com uma carta falando de todas as necessidades. Essa carta teve uma devolutiva do Estado e do município, assim como  do distrito  federal. Muito triste! Porque todas as respostas que voltaram para a gente falando que  tudo que tínhamos era suficiente, mas não é. A gente precisa melhorar, essas vias de atendimento”, explica. 

Assim como ela, o representante da Comunidade Nova Eterna Aliança, Atevaldo Menezes, afirma que o fluxo de pessoas em situação de rua tem aumentado e por isso requer um olhar diferenciado por parte de todas as organizações sociais. 

“A situação hoje em Manaus é uma crescente. Só na instituição temos cadastrados mais de 500 pessoas em situação de rua, e atendemos uma media de 120 a 130 pessoas, dando refeição, por dia. A gente percebe uma crescente visível nas ruas. Sendo que o número maior ainda são as pessoas do nosso País mesmo. A maioria delas são pessoas que durante o transcorrer da sua vida passaram por alguma situação e não conseguiram lidar com ela e começaram a usar a droga como refúgio. Aí elas acabaram entrando em uma situação que a família não quer mais. Esta é uma realidade”, disse.

Ação de cidadania e fraternidade

Com o intuito de dar um atendimento e chamar a atenção da sociedade sobre as necessidades dessas pessoas a Cáritas Arquidiocesana realizou na manhã de domingo uma ação, em alusão ao dia do pobre.  Ação proporcionou serviços de corte de cabelo, ações de leitura e reflexão sobre as ações sociais em torno da população em situação de rua. O evento aconteceu no  entorno da  Catedral Metropolitana de Manaus (Igreja Matriz), Centro da cidade. 

“Hoje estamos aqui nesse evento diferenciado, mas a gente faz um trabalho diário há mais de 20 anos, onde  atendemos uma média de 130 pessoas fornecendo alimentação, ajudando com banho, atendimento e serviço como emissão de documentos e assistencialismo  médico”. 

A programação terminou com uma celebração da Vida, na Catedral Metropolitana e a Distribuição de almoço para os presentes. "O número de pessoas em situação de rua aumentou muito, são mais de mil pessoas”, afirma Natércia Navegante. Coordenadora da Pastoral do Povo de Rua.



 

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