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Manaus
SAÚDE FEDERAL

No AM, 94 vagas do Mais Médicos não foram preenchidas e só 22 foram trabalhar

Os números mostram o déficit na adesão de médicos nas áreas mais distantes. A diferença é visível principalmente para ocupação nos distritos indígenas 07/12/2018 às 12:03
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Ao todo, 322 vagas do Mais Médicos são para o Amazonas e, até ontem, apenas 228 vagas foram preenchidas (Foto: Raphael Alves/ACrítica)
Karol Rocha Manaus (AM)

Termina hoje o prazo para médicos brasileiros se inscreverem no programa Mais Médicos, do Governo Federal. Até o fim da tarde ontem, 115 vagas ainda estavam abertas em todo o Brasil, dessas 94 são para o Amazonas, ou 82% do total. E entre os 228 que se inscreveram para atuar no Estado, só 22 tinham se apresentado para iniciar o trabalho.

Os números divulgados pelo Ministério da Saúde na véspera do término de inscrições mostram o déficit na adesão de médicos nas áreas mais distantes. A diferença é visível principalmente para a ocupação nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Estado, onde seis dos sete possuem um déficit de quase 70% dos profissionais.  

 Os DSEIs estão localizados no Alto Rio Negro, Alto e Médio Rio Solimões, Médio Rio Purus, Parintins e Vale do Javali. Apenas o DSEI localizado em Manaus está com as vagas completas. 

“Na primeira semana nós tínhamos 30% de adesão. Nós íamos na contramão do movimento nacional que, em uma semana, 85% das vagas já tinham sido preenchidas, ou seja, cadastrados no sistema. Nessa última semana, estamos com apenas 70% , ou seja, ainda estamos com 60 vagas em aberto para as DSEIs”, explicou o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (COSEMS-AM), Januário Carneiro, de Manaquiri.

Ao todo, 322 vagas do Mais Médicos são para o Amazonas e, até ontem, apenas 228 vagas foram preenchidas, restando ainda 94 vagas. Nos Distritos Indígenas, de 92 vagas abertas 32 tiveram adesão de médicos. O número corresponde a apenas 30,5% das vagas, enquanto o restante segue sem grande procura de profissionais.

Baixa adesão

No DSEI do Médio Rio Purus, por exemplo, não houve adesão de nenhum médico. A baixa adesão se repete também no DSEI do Alto Rio Negro, onde foram ofertadas 18 vagas e apenas cinco se inscreveram. Já no Alto Rio Solimões foram 27 vagas e só cinco adesões.

“Quando o secretário de saúde vê que o município foi contemplado com um determinado número de inscrições, ele aguarda a apresentação desses profissionais para colocá-los em exercício de forma imediata. Até o momento, 22 profissionais se apresentaram, ou seja, nós temos menos de 10% das vagas lançadas realmente preenchidas”, explicou Januário Carneiro.

Hoje é último dia para inscrição de médicos brasileiros que deverão preencher a lacuna deixada pelos cubanos, que voltaram ao seu país. “As entidades médicas precisam estimular os médicos a assumirem essas vagas. Existem contrapontos que a gente compreende, mas a população não pode esperar a boa vontade médica e nem dos profissionais médicos”, disse o presidente do COSEMS-AM.

Saúde indígena em risco

A baixa adesão de novos médicos para atender os  Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Amazonas preocupam representantes de instituições indígenas, uma delas é Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

“Analisamos esse déficit como um grande retrocesso na saúde básica para os povos indígenas no Amazonas e nos estados que abrangem a Amazônia. Vários médicos saíram, deixaram suas vagas e a saúde indígena ficou abandonada. É muito preocupante e o que pedimos é que o Estado verifique isso. Precisamos do preenchimento o mais rápido possível dessas vagas em aberto porque a saúde é um direito universal”, ressalta o vice-coordenador da Coiab e membro do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Mário Nicácio. 

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