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Manaus
MAIS UM MÊS DE SUFOCO

Nível das águas deve continuar alto por mais 25 dias e população deve seguir em alerta

A quatro centímetros de atingir a cota de emergência, de 29 metros, a cheia do rio Negro começa a dar sinais de que se aproxima do fim 31/05/2017 às 22:31
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População da orla precisa adaptar a rotina durante a cheia dos rios (Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Ainda que a cheia no rio Negro, em Manaus, se estabilize nos próximos dias, a previsão é que o nível das águas continue alto por até 25 dias. E a população que está com suas casas alagadas deve permanecer em alerta. O aviso foi dado ontem pelo superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil, Marco Antônio de Oliveira, durante a divulgação do 3º Alerta de Cheia.

O órgão prevê que a magnitude da cheia deste ano na cidade atinja uma cota variável entre 28,96 e 29,46 metros, devendo ficar com média de 29,31 metros. O volume é 2,02 metros acima do mesmo nível registrado em igual período do ano passado. Ontem, a cota do rio Negro estava em 28,96 metros, faltando apenas quatro centímetros para atingir a cota de emergência de 29 metros.

Marco Antônio ressaltou que é difícil precisar quando o rio vai parar de subir, mas isso deve acontecer nos próximos dias. Mas, por enquanto, o processo de cheia continua evoluindo. “O rio Negro encontra-se represado pelo rio Solimões, mas a enchente na cidade dependerá muito das águas que vão descer pelo rio Negro. Se chover dentro da média também será uma cheia que evoluirá de forma mais lenta”, explicou.

Conforme o superintendente regional do CPRM em Manaus, o processo de cheia deste ano é um dos mais longos. “Se acompanhar o que aconteceu no rio Solimões no Peru, o rio Amazonas ficou com cotas acima da situação de emergência por mais de dois meses, isso deve se refletir na região do médio Solimões e em Manaus, onde o rio, embora estável, deve continuar com águas altas por mais de 20 dias”, salientou.

O secretário da Defesa Civil de Manaus, Cláudio Belém, disse que o órgão tinha previsão de decretar situação de emergência entre os últimos dias 25 e 30, o que não aconteceu porque a cota do rio Negro não atingiu os 29 metros. “Nós continuaremos atendendo as famílias atingidas pela cheia e se o rio Negro ultrapassar os 29 metros vamos decretar situação de emergência imediatamente”, afirmou.

Ele destacou que as equipes da Defesa Civil do município construíram mais de 2,6 mil metros de pontes provisórias nos bairros de Manaus afetados pelo fenômeno. Se a cota de emergência for ultrapassada pelo menos mais 2,5 mil metros de pontes provisórias devem ser construídas. Belém enfatizou ainda que o órgão vem fazendo o monitorando das possíveis áreas afetadas pela cheia desde o mês de janeiro.

“Além dos técnicos da Defesa Civil, técnicos da Semmasdh (Secretaria municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos) e da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde) também participaram do levantamento das famílias que moram em áreas de risco levando orientações, principalmente sobre prevenção de doenças”, afirmou.

Maiores cheias em Manaus

A maior marca de cheia no rio Negro, em Manaus, foi registrada em maio de 2012, quando a cota atingiu 29,97 metros. A segunda foi em junho de 2009, quando foram registrados 29,77 metros; e a terceira, em junho de 1953, atingou 29,69 metros.

AM tem 32 cidades afetadas

Com os municípios de Manaquiri (calha do Solimões) e Parintins (calha do Baixo Amazonas), que decretaram situação de emergência por conta da enchente no último dia 29, subiu para 32 as cidades que estão em anormalidade devido à subida dos rios no Amazonas. Mais de 57,8 mil famílias foram afetadas, de acordo com dados da Defesa Civil do Estado. 

A previsão é que esse número aumente, conforme o secretário executivo do órgão, Fernando Pires Júnior. “Esperamos mais cidades decretando situação de emergência porque estamos na última fase da cheia no Amazonas, quando nossos olhares se voltam para as calhas do Negro, colocando em ênfase a cidade de Manaus, e do Amazonas, com os municípios abaixo da capital, como Itacoatiara, Parintins, entre outros”. 

O secretário destacou a ajuda humanitária enviada com o apoio da Defesa Civil federal aos municípios em situação de emergência. Conforme ele, a primeira fase atendeu cinco cidades com 500 toneladas de ajuda  e, a segunda, com 900 toneladas, socorreu outras cinco. Oito municípios estão com a assistência em andamento e outros 15 em planejamento.

Entre os produtos encaminhados as famílias estão: cestas básicas, kit’s dormitórios, kit’s higiene, kit’s limpeza, kit’s medicamentos, colchões, água e hipoclorito de sódio.

Blog: Ricardo Dallarosa, chefe da divisão de meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam)

"A expectativa agora não é de chuvas com volumes muito elevados porque estamos começando a estação seca e nesse período normalmente chove menos. Claro que nesse início ainda tem eventos como o de ontem (anteontem) que choveu na cidade em torno de 50 milímetros num tempo relativamente curto. É um comportamento típico de esse período ter alguns dias de sol forte e tempestade intercalando. Então a previsão é de chuva em redução em relação às últimas semanas anteriores. Mas o que vai influenciar a subida das águas são as chuvas que ocorreram no mês de maio. A contribuição maior é o rio Negro porque a sua bacia e a do rio Branco estão sob condição da estação chuvosa. Nas bacias da margem direita está chovendo abaixo da média porque elas entraram na estação seca, a exceção é a bacia do Madeira, onde as áreas que contribuem para elevação do nível do rio têm apresentado chuvas acima do esperado. Neste caso, o aporte para o Madeira ainda vai ser bastante significativo, o que chama atenção, pois as águas vão vir para o rio Negro afetando as comunidades mais abaixo de Manaus, como Parintins que acabou de decretar situação de emergência".

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