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‘Malucos por motos’: Pioneiro em Manaus, motoclube Almas Livres completa 30 anos de atividades

Antes visto com olhar de desconfiança, grupo quebrou a barreira do preconceito e conquista espaço na sociedade amazonense 06/12/2014 às 14:14
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Grupo de motoqueiros que, há 30 anos, resolveu se organizar e criar o Almas Livres, primeiro motoclube do Amazonas
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Há 30 anos, um grupo de jovens motoqueiros resolveu contrariar a opinião de uma sociedade ainda conservadora e criou o primeiro motoclube de Manaus. Nascia então o Almas Livres, sob o olhar desconfiado de muitos, visto que a imagem visual e até conceitual, que chegava (pela televisão) dos grandes centros, não parecia das melhores.

Sem precisar mudar de estilo, o grupo pioneiro provou que os “malucos por motos” seguiam um conceito pacífico e ordeiro, e só gostavam mesmo de aventura e muito rock. Tanto que, três décadas depois, 25 clubes exibem suas marcas nas tradicionais jaquetas de couro, 24 na capital amazonense e um em Itacoatiara (Anjos Urbanos).

E, para quem ainda pensa que eles são meio “desligados” quanto a organização, hoje tem festa de aniversário, com direito a duas bandas de rock (Berserkers Viking Riders e Hawake) e muitos quitutes.

Um dos fundadores do Almas Livres, o técnico em Segurança do Trabalho, Alcides Marcos, 59, aproveita o aniversário de sete anos do seu atual grupo, o Legion Phoenix, para homenagear a todos que fazem parte da história do motoclube no Amazonas.

O encontro está marcado para as 21 horas de hoje, na Rua Juruá, 660, no conjunto Vieiralves, zona Centro Sul. O convite é aberto a todos os motoclubes e adeptos ao movimento.


Representantes de seus motoclubes do Amazonas, antes de uma viagem histórica a Boa Vista, numa demonstração de que, embora não sejam associados, mantém boas relações entre eles

“É com grande satisfação que acompanho, atualmente, o crescimento do movimento em Manaus, e fico feliz por saber que ajudei essa semente a se desenvolver, e principalmente por ver vários companheiros que no passado relutaram ao movimento e hoje estão ostentando, orgulhosamente, seus coletes e brasões”, relata Alcides, num dos trechos da mensagem que consta no CD “Tributo aos Motoclubes do Amazonas”, produzido esta semana pela turma do Legion Phoenix. O álbum traz uma coleção de relíquias musicais do estilo bike.

Alcides destaca que “o motociclismo é para muitos, mas o motoclubismo é só para aqueles que, com persistência e disciplina, conseguem viver a ideologia e a cultura motociclística”.

Não basta apenas ser motoqueiro

Para entrar num motoclube não basta gostar de rock, ter uma jaqueta preta e uma moto exótica. Os requisitos vão muito além da composição física entre o homem e a máquina. 

Primeiro, o candidato precisa ser apresentado por um membro antigo do grupo, que atua como “padrinho”. Em seguida, o pretendente passa por um estágio no qual ele cumpre algumas tarefas nada sacrificantes, como  comandar uma churrasqueira. Tudo para testar o nível de sua aceitação à cultura do movimento. E conforme o merecimento, o membro vai recebendo os brasões que vão ser estampados em sua jaqueta. Todos obedecem a regras universais que não são e nem precisam ser escritas, todas baseadas no respeito ao trânsito e às pessoas.

Para se ter uma ideia, os motoclubes não pertencem a associações ou federações que os representem, apenas cumprem normas das matrizes das marcas adotadas.

Segundo o motoqueiro Alcides Marcos, o início do movimento em Manaus foi muito difícil. “Nosso problema era a falta de informações, pois não havia internet e dependíamos de conversas com motoqueiros que passavam por Manaus”, relembra.

Famosos e exóticos

Entre os motoclubes mais tradicionais do Amazonas se destacam o pioneiro Almas Livres, o internacional Hells Angels e os Abutres, por ser representante da marca com maior número de clubes no Brasil. Outros se destacam pelo nome e representação: Leão da tribo de Judá e Águias do Apocalípse (evangélicos) e Bodes do Asfalto (da Maçonaria).


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