Domingo, 25 de Outubro de 2020
SEM ESCOLHA

Manauaras denunciam aglomerações diárias em ônibus lotados da capital

Problema antigo do sistema de transporte coletivo de Manaus se soma a mais uma complicação: o risco de contaminação pela Covid-19 faz com que cada viagem seja feita com medo por usuários que não possuem alternativa de transporte



1789397_72F4D82E-1949-4E8A-B07A-B8B09E18F43F.jpg Foto: Euzivaldo Queiroz
29/09/2020 às 10:05

A retomada gradual das atividades econômicas em Manaus trouxe de volta para a realidade dos manauaras velhos problemas que agora se somam aos riscos trazidos pela pandemia de Covid-19. Usuários do transporte coletivo urbano da capital denunciam diariamente nas redes sociais diversas aglomerações ocorridas dentro dos ônibus, que chegam a ficar lotados nos horários de pico. Em seus relatos, cada viagem é feita com o temor de contaminado pelo novo coronavírus.

O técnico em enfermagem, Pedro Dias, que mora no bairro Coroado, conta que todos os dias precisa pegar dois ônibus para chegar no posto onde trabalha na Compensa. E que, durante seu trajeto, os ônibus estão sempre lotados.



"Eu acordo todos os dias 5h da manhã para pegar o primeiro ônibus para o meu estágio. E assim que entro o ônibus já está aglomerado. Não tem como respeitar o isolamento social com o número de passageiros no ônibus", comentou Pedro.

O estudante relata ainda que se preocupa bastante em evitar contato para não ser contaminado com Covid-19, porém observa que muitas pessoas dentro do ônibus não fazem o mesmo.

"Já peguei vários ônibus com pessoas que não estão utilizando máscaras de forma adequada, ou às vezes colocam a máscara apenas para entrar no ônibus. Assim que passam pelo cobrador e sentam no banco, retiram a máscara. Não há nenhum tipo de fiscalização dentro dos ônibus. E isso é meio revoltante porque a gente respeita todas as exigências sanitárias, enquanto uma pessoa do seu lado não está tomando o mínimo cuidado que é usar uma máscara", detalhou Pedro.


Realidade das aglomerações nos ônibus de Manaus faz parte do dia a dia da população. Foto: Maria Luiza Dacio

A estudante de odontologia, Heloísa Leal, conta que já presenciou pessoas sendo expulsas dos ônibus por não estarem utilizando máscaras, mas que isso ainda assim é algo raro.

"Uma vez quando estava indo para faculdade, um senhor de idade entrou no ônibus pela parte de trás e estava sem máscara. O motorista ao ver isso pediu para que ele colocasse a máscara. Porém, o senhor não tinha e começou a xingar o motorista. Por conta disso o motorista pediu para que ele descesse e ainda falou que só iria continuar a viagem se ele saísse do ônibus. Mas isso ainda é raro. Diversas vezes já vi pessoas entrarem utilizando máscara de forma errada, como no queixo, ou ainda deixando o nariz do lado de fora da máscara. O motorista e os cobradores deixam essas pessoas passarem sem qualquer impedimento", destacou Heloísa.

A auxiliar administrativa, Rosana Pontes, que já testou positivo, não tem dúvidas que pode ter sido contaminada pelo coronavírus em uma das viagens que fez para o trabalho.

"Como eu não tenho carro e não possuo condições financeiras para ir de transporte por aplicativo todos os dias para o trabalho. Preciso me arriscar e ir de ônibus. Eu moro com meu marido e minha filha e graças a Deus nenhum de nós ficou doente a nível de precisar ir para o hospital. Porém, realizei um teste rápido de Covid-19 que a empresa onde trabalho forneceu aos colaboradores e acabou testando positivo. Eu e minha família respeitamos muito o isolamento social e as medidas necessárias. Então para mim, a única forma que eu possa ter sido contaminada foi dentro do ônibus", contou Rosana.

Fiscalização

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que as empresas estão adequando a frota conforme a demanda. Segundo eles, atualmente, a frota conta com 959 veículos e a demanda de passageiros é de 420 mil passageiros por dia. O Sinetram informou ainda que antes da pandemia, o número de passageiros era de 600 mil e 1100 veículos na frota.

"Além disso, está em vigor um decreto do governo que altera o horário de funcionamento do comércio visando reduzir o número de pessoas em horário de pico no transporte coletivo. Lembramos que os motoristas e cobradores orientam sobre o uso da máscara, mas não possuem poder de polícia para fiscalizar e/ou multar", ressaltou em nota.

Já o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que a fiscalização de transporte do órgão acompanha a operação do transporte público e a frota de ônibus é reforçada em horários de pico e quando é verificada a necessidade.

"As empresas dos coletivos fixaram cartazes fora e dentro dos ônibus informando a exigência da máscara e caso o passageiro retire a máscaras durante o trajeto os profissionais devem pedir para que eles coloquem novamente o item de segurança"

Questionado pela reportagem de A CRÍTICA, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) respondeu que expediu recomendação desde março prescrevendo série de medidas sanitárias de prevenção à Covid-19 nos coletivos e terminais de integração e demais veículos de transporte de passageiros.

“As medidas de prevenção à Covid-19 estão sendo acompanhadas pela  81ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor, por meio do Procedimento Administrativo 015 2020 00042. Cobrado pelo MPAM, na segunda quinzena de setembro de 2020,  Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas informou que todos as medidas recomendadas estão sendo cumpridas”, disse o órgão ministerial por meio de nota.

Ainda conforme o MP, quaisquer denúncias de descumprimento de medidas de prevenção ao novo coronavírus podem ser encaminhadas ao órgão por seus canais de denúncia, dentre eles o Disque Denúncia (0800 092 0500) e o WhatsApp da Ouvidoria do MPAM (3655-0745).


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