Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
Manaus

Manaus, a capital dos contrastes

Às vésperas do mês em que a capital amazonense se torna uma "senhora" de 344 anos, série de A CRÍTICA desvenda nossos números



1.jpg Congestionamentos urbanos, como esses das avenidas Constantino Nery e Mario Ypiranga Monteiro, ainda são barreiras a serem vencidas pela população local
29/09/2013 às 10:44

Manaus é uma cidade de contrastes. A frase comumente dita pela população e por visitantes que chegam à capital amazonense pode ser comprovada sob óticas diversas. A 36 dias de completar 344 anos, a “cidade sorriso”  continua como berço de mistura rica entre povos e culturas. A cada ano a realidade do município muda a contar pela população. Apenas em três anos, o número de habitantes de Manaus passou de 1.802.014 para 1.982.179, um salto populacional de 180.014, ou seja, uma diferença de 9,9% entre 2010 e 2013, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, Manaus tinha 1.405.835 habitantes.

O contraste está no povo composto por quem nasceu e quem adotou Manaus. A população de Manaus é quase 2 milhões de habitantes, mas parte deles é migrante. Para se ter idea, existem 199 mil paraenses no Amazonas, a maioria esmagadora em Manaus, o que representa 5,4% do total da população do Estado. Segundo o IBGE, a colônia paraense é a maior entre os migrantes no Estado, seguida dos acreanos com 1,8%, o que corresponde a 67 mil pessoas e maranhenses com 1,3% da população.



O crescimento populacional se reflete em pujança para alguns e necessidade para outros. Enquanto bairros considerados nobres para moradia e comércio se fortalecem, a periferia  continua à espera de serviços básicos e se expandem com o surgimento de invasões na área urbana.

A última está crescendo sem maior intervenção do poder público, no bairro Zumbi, na Zona Leste. Parte do terreno é particular e a outra área que abrigaria uma Unidade Básica de Saúde (UBS), cuja construção está paralisada, foi desocupada pela Prefeitura de Manaus. No entanto, os invasores apenas mudaram alguns metros do terreno da prefeitura para o que pertence a uma empresária.

Dados do último senso do IBGE, em 2010, mostram que naquele ano, 3.690 moradores de Manaus não tinham sequer banheiro ou sanitário. Realidade que continua nos dias atuais, como nesta invasão. Até comunidades em bairros consolidados pela lei de divisão dos bairros 1.401 de janeiro de 2010, sofrem com a falta de serviços básicos, entre eles, pavimentação.

Em pouco tempo a realidade de Manaus é transformada, porém o que fica mais evidente são as mudança negativas que acontecem em maior velocidade que as melhorias.

A Câmara Municipal  está analisando a proposta de um novo Plano Diretor de Manaus. Contudo, enquanto as diretrizes que vão nortear a atuação do poder público no crescimento da capital e oferta de serviços públicos essenciais a melhoria da população não ficam prontos, a população cria suas próprias alternativas de sobrevivência é moradia, em determinados caso, ferindo normas que deveriam ser aplicadas e fiscalizadas.

Veículos

Se cresce a população, cresce também a frota de veículos na cidade. No Amazonas, este número é quase 800 mil  segundo o Detran-AM.  Dados de Denatran mostram que até julho deste ano, só a capital tinha 562.332 veículos do total do Estado. Destes 302.624 são carros, 115.238 são motocicletas, além de 16.281 caminhões, 2.466 tratores, entre outros 125.723 veículos de outros tipos.

O adensamento da frota  resulta em dificuldade no tráfego em uma cidade que não foi pensada para suportar tantos veículos. De um lado, quem reúne recursos para migrar para o transporte individual quer conforto e independência na mobilidade urbana. Do outro, usuários do transporte público  fazem reiteradas críticas ao sistema.

Ambos, contudo, esbarram nos congestionamentos que se tornaram comuns por conta da entrada diária de novos veículos na cidade, fenômeno que  apenas agrava e afunila o trânsito.

O professor da Universidade Federal do Amazonas Geraldo Alves, doutor em Engenharia de Transportes, é claro destacar o caminho errado que a cidade está tomando na opção pelo transporte individual e alerta que a população não vai abrir mão dos carros enquanto não houver um melhor transporte coletivo de massas em Manaus.

O próprio diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, afirmou que o caos existe porque nunca houve planejamento para o trânsito da cidade.  Até os viadutos e passagens de níveis que foram feitos com meio bilhão de reais nos últimos anos foram feito de forma errada e precisarão ser refeitos.

Vida e morte

Somente em 2011 nasceram 42.523 pessoas em Manaus. No ano passado, morreram 3.759 nos hospitais da capital. Destes 2.131 eram homens e 1.628 mulheres. Em 2011, foram 9.440 mortes, sendo 8.931 de causas naturais, 505 violentas e 4 de razões ignoradas, segundo o IBGE. Em 2013 Manaus completará 344 anos com quase 2 milhões de habitantes.

Professores

Manaus tem 11.755 professores no Ensino Fundamental, sendo 2.527 em escola particular, 5.148 em escola pública municipal, 4.034 em escola pública estadual e 46 em escola em pública federal. No Ensino Médio são 3.335 professores. Destes, 699 estão na rede privada, 2.604 na escola pública estadual e 232 em escolas públicas federais.

Migração

A colônia paraense no Amazonas ainda é maior. Em 2012 eles alcançaram a marca de 199 mil pessoas, o que representou 5,4% do total da população do estado. O segundo maior grupo de migrante no Amazonas passou a ser de Acreanos com 1,8% (67 mil pessoas). E o terceiro era formado pelos maranhenses (1,3%).

Crescimento superlativo

As maiorias dos telefones presentes nas casas, ou seja 75%, são celulares. Os domicílios que possuem celular e telefone fixo convencional são 20%. O uso de telefone fixo vem caindo de ano para ano.

Se a telefonia fixa reduziu, a cada ano o número de computadores nas casas dos amazonenses aumenta. Em 2004 somente 8% tinham o equipamento. Em 2012 o porcentual passou para 35%, um salto de 49 mil para 324 mil domicílios com microcomputador. O acesso a internet atingiu em 2012, 27% das casas (252 mil domicílios).


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