Sábado, 14 de Dezembro de 2019
SAÚDE

Manaus aparece em 7º lugar no ranking nacional da obesidade

Pesquisa Vigitel aponta ainda que metade da população dos municípios está acima do peso



OBESIDADE0333.jpg Boa notícia: cresce consumo de hortaliças e busca por orgânicos. Foto: Arquivo/ AC
20/04/2017 às 05:00

O manauense está cada vez mais obeso, com 20,3% da população da capital amazonense estando nessa situação. O patamar é maior que a média nacional que, em 10 anos, passou de 11,8% em 2006,  para 18,9% em 2016, atingindo quase um em cada cinco brasileiros. Manaus aparece em 7º no ranking nacional da obesidade, que é liderada por Rio Branco com 23,8%, seguida de Cuiabá com 21,9% e João Pessoa com 21,7%. E nas cidades do Amazonas, mais da metade da população (56,3%), está com excesso de peso.

Essa prevalência da obesidade consta em dados divulgados na Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada pelo Ministério da Saúde (MS) em todas as capitais do País.



O resultado reflete respostas de entrevistas realizadas de fevereiro a dezembro do ano passado com um universo de 53.210 pessoas maiores de 18 anos das capitais brasileiras, com os resultados tendo sido apresentados pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Em Manaus, 19,2% disseram ter diagnóstico médico de hipertensão, e 5,6%, de diabetes. De acordo com a pesquisa, o crescimento da obesidade é um dos fatores que pode ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que pioram a condição de vida do brasileiro e podem até matar.

O Vigitel, realizado pelo Ministério da Saúde desde a temporada de 2006, auxilia para conhecer a situação de saúde da população e é utilizado como base para planejar ações e programas que reduzam a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis, melhorando a saúde do brasileiro.

O diagnóstico médico de diabetes, informa o Ministério da Saúde por meio da Vigitel, passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e o de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais prevalente em mulheres.

“O Ministério da Saúde tem priorizado o combate à obesidade com uma série de políticas públicas, como Guia Alimentar para População Brasileira. A alimentação saudável aliada a prática de atividade física nos ajudará a reduzir a incidência de doenças como diabetes e hipertensão na população”, declarou o ministro Ricardo Barros.

A obesidade aumenta com o avanço da idade. Mas mesmo entre os mais jovens, de 25 a 44 anos, atinge indicador alto: 17%. O excesso de peso também cresceu: o percentual de quem possui Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 kg/m² e 30 kg/m², passou de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. Já é presente em mais da metade dos adultos que residem em capitais do País, informa o MS.

Cai consumo de refrigerante e sobe exercícios físicos
A Pesquisa  Vigitel realizada pelo Ministério da Saúde (MS) em todas as capitais também mostrou um dado  alentador: que entre as mudanças positivas nos hábitos identificados  está a redução do consumo regular de refrigerante ou suco artificial. Em 2007, o indicador era de 30,9% e, em 2016 foi 16,5%.

A população com mais de 18 anos está praticando mais atividade física no tempo livre, mostram os indicadores. Em 2009, 30,3% da população fazia exercícios por pelo menos 150 minutos por semana, já em 2016 a prevalência foi de 37,6%. Nas faixas etárias pesquisadas, os jovens de 18 a 24 anos são os que mais praticam atividades físicas no tempo livre.

A pesquisa também mostra a mudança no hábito alimentar da população. Os dados apontam uma diminuição da ingestão de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro. O consumo regular de feijão diminuiu 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. E apenas 1 entre 3 adultos consomem frutas e hortaliças em cinco dias da semana. Esse quadro mostra a transição alimentar no Brasil, que antes era a desnutrição e agora está entre os países que apresentam altas prevalências de obesidade.

Mudanças de comportamento vai orientar a indústria
A nutricionista e proprietária da Recomendo Assessoria em Nutrição, Marcia Daskal, avalia que existe uma preocupação cada vez maior da população quanto à alimentação, o que é evidenciado, por exemplo, na redução do consumo de refeigerantes e o aumento no de frutas e hortaliças.

“A pesquisa Vigitel é um indicadora de tendências e percebemos que existe essa preocupação com a qualidade dos alimentos. Nos últimos anos a alimentação piorou bastante mas, por outro lado, há uma retomada de interesse das pessoas em alimentos mais naturais e orgânicos. E a indústria de alimentos está se preocupando em fabricar comidas com menos sódio”, destaca Daskal.

O cardiologista e nutrólogo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Daniel Magnoni, comentou que a obesidade é um problema mundial em face do sedentarismo e por  se gastar cada vez menos calorias nas atividades do dia a dia. “A obesidade é fator inicial de muitas doenças, como as cardiovasculares, e isso é preocupante, mas já deveria ter sido visto há muitos anos. O que primeiro se deveria ser feito são ações como uma educação nutricional. Com isso, em 20 anos teríamos revertido esse problema”, disse o especialista.


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