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Manaus atende apenas 3,1% do total de crianças com creches

Prefeitura oferece 3 mil vagas em 12 creches para crianças de zero a três anos mas tem que chegar a 59.033 até 2024, o que corresponderá apenas 50% das vagas até lá 18/03/2015 às 20:45
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Atualmente, apenas 12 cheches municipais estão em funcionamento em Manaus, o equivalente a 5,8 mil vagas. Apesar de 31 novas cheches estarem em fase de obras, ainda está abaixo do ideal
Cinthia Guimarães ---

Com aproximadamente 3 mil vagas distribuídas em 12 creches municipais, a Prefeitura de Manaus atende atualmente apenas 3,12% do universo de 96 mil de crianças de zero  a três anos aptas a frequentarem o espaço de educação infantil em Manaus, segundo o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.

A meta proposta pelo Plano Nacional de Educação é que Manaus atenda até 2024 50% da população de crianças nesta faixa etária, o que significa 59.033 vagas em creches. Para cumprir a meta, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) precisa abrir mais 56.000 mil vagas nos próximos dez anos, o que significaria 5.600 vagas abertas a cada ano.

Das 12 creches em atividade, há oito de estrutura própria e quatro conveniadas. Dessas, duas estão na Compensa, duas na Cidade Nova, uma no Gilberto Mestrinho, uma no Jorge Teixeira, uma no Santa Luzia, uma no Jardim Mauá. Já as conveniadas estão localizadas em Petrópolis, Campos Elíseos, Centro e Redenção.

Levando em conta essa estatística os bairros que mais necessitam de creches são Cidade Nova, Novo Aleixo, Cidade de Deus, Compensa, Gilberto Mestrinho, Nova Cidade, Alvorada, Coroado, Monte das Oliveiras, Japiim, Flores, Tarumã, Petrópolis, Redenção, Santa Etelvina, Armando, Mendes, Parque Dez e Mauazinho (ver tabela).

Mais creches

A gestão do prefeito Artur Neto prometeu a construção de 50 creches até 2016. Até o momento, quatro estão em fase final de obras, 27 estão em fase inicial, com previsão para serem entregues até o final de 2016 e as outras 15 estão em fase de licitação e/ou desapropriação de terreno.

Serão construídas creches no Nova Cidade (quatro creches), Cidade Nova (quatro), Tarumã (três), Santa Etelvina (três), Planalto (três), Cidade de Deus (duas), São José Operário (duas), Novo Aleixo (duas), Distrito Industrial (duas), Colônia Antonio Aleixo (duas), Colônia Santo Antonio (duas), Zumbi (duas), São Francisco (uma), Jorge Teixeira (uma), Dom Pedro (uma), Crespo (uma), Japiim (uma), Puraquequara (uma), Castanheiras (uma), Nossa Senhora de Fátima (uma), Coroado (uma), São Raimundo (uma), Petrópolis (uma), Flores (uma), São Jorge (uma), Parque Dez (uma), Compensa (uma), Monte das Oliveiras (uma), Lago Azul (uma), Vila Buriti (uma) e Colônia Terra Nova (uma).


A Secretaria Municipal de Educação (Semed) explicou que 27 creches serão construídas por meio do convênio com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com custo total de aproximadamente R$ 48 milhões. As outras 15, que estão em fase de licitação, serão construídas pela metodologia convencional, com valor previsto de aproximadamente R$ 2.755.034,054 por creche, fruto de recursos do FNDE e do município.

Personagem: Mariah Souza, dona de casa

Mãe de Silas Júnior, de 11 meses, Mariah, 23 anos, teve que trancar a faculdade de Administração e deixar o trabalho após engravidar. Ela optou por cuidar do filho enquanto encontra uma solução para retomar a carreira. “Voltar para faculdade e para o trabalho não está dando porque não tem com quem deixá-lo, não tenho parentes aqui”. Mariah disse que a mensalidade em uma creche próximo da sua casa custa a partir R$ 600, o que é inviável para o atual orçamento familiar, uma vez que só o marido trabalha. “O ideal é se tivesse vaga em creche pública”, disse.

Políticas públicas para mulheres

A baixa oferta de vagas em creches públicas significa ausência de políticas públicas para as mulheres, que representam atualmente 52% da população brasileira, observou a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Isis Tavares.

“Precisamos de políticas de saúde, de emprego e renda, formação, de combate e enfrentamento à violência. São fundamentais. A creche vem nesse bojo. É um direito da criança, dos profissionais qualificados e valorizados para cuidar das crianças e um direito das mulheres”.

Isis lembrou que investir em políticas públicas para mães é uma forma de fomentar o desenvolvimento do País,  já que as mulheres chefiam 38,7% dos lares brasileiros, mas ainda ganham 30% a menos que os homens, em média. “Quanto mais mulheres estão trabalhando, mais elas movimentam a economia das suas cidades e geram mais impostos para o estado”.

Além de deixarem de trabalhar por falta de vagas em creches, as mães enfrentam dramas maiores como ter que deixar crianças pequenas sozinhas em casa, vulneráveis a perigos como acidentes domésticos e violência sexual e até tráfico. “Há muitos casos de mães que deixam os filhos trancados ou à mercê dos vizinhos, porque não tem como deixar de trabalhar para sustentar a casa. A maioria desses lares é sustentada só pelas mulheres”, ressaltou a vice-presidente da União Brasileira de Mulheres, Vanja Andrea.

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