Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
ENERGIA DO SOL

Manaus é a 3ª melhor capital em retorno de investimento em energia solar

Levantamento mostra que a capital do Amazonas é a terceira no ranking de retorno de gastos em energia solar fotovoltaica.



show_PAINEIS_E47D6B0C-028B-42E5-A2B9-E7D53E33E521.JPG Foto: Divulgação
29/11/2019 às 21:02

Manaus é a 3ª capital brasileira com o melhor retorno do investimento em energia solar fotovoltaica - o Payback - para comércios e pequenas indústrias e está na 4ª colocação no ranking de aproveitamento em residências. Nesse quesito, a capital do Amazonas só fica atrás de Teresina, Belém e da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Estes dados são do ‘Índice Comerc Solar’ que foram apresentados esta semana pela Comerc Energia durante um workshop para a imprensa em São Paulo. Para a análise, foi estabelecida uma variável que avalia fatores como a insolação da região, taxa sobre a tarifa de energia e custo dos equipamentos.



O diretor de eficiência energética e solar da Comerc, Marcelo Haratz, explicou que em Manaus uma casa que possui de dois a três quartos poderá fazer um investimento inicial com cerca de R$ 15 mil e obterá esse valor novamente em aproximadamente três anos. O executivo ressalta que o valor compensa, pois os painéis têm durabilidade de 20 a 25 anos.

“Se você tem uma casa que consome 250 quilowatt/hora estaria pagando R$ 235 (por mês), isso vai ser mais ou menos R$ 20 mil que irá custar para fazer a sua instalação para gerar 657 quilowatts hora por mês, mas você precisaria somente de metade disso que seria mais ou menos 15 mil”, explicou.

No evento, a empresa que oferece soluções de administração do consumo de energia para 1,4 mil clientes em todo país apontou que fará um aporte de R$ 100 milhões em investimento em energia no país com foco em energia solar fotovoltaica e eficiência energética para o próximo ano, 54% a mais que em 2019. Desse total, Manaus foi a quarta capital do Brasil a receber maior porcentagem de investimento 3,3% do orçamento.

Legislação instável

Uma das vantagens do uso de energia solar por pessoa jurídica é a resolução normativa nº 482, de 17 de abril de 2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que estabelece normas para a produção independente. A legislação define que as empresas que optam pelo mercado livre de energético possam obter crédito de produção e negociem junto às companhias elétricas.

Por outro lado, Haratz indica que a Aneel precisa redefinir e esclarecer a legislação sobre a produção de energia solar em residências que atualmente vive um embate. Este quadro de incerteza iniciou em outubro deste ano quando o órgão deu entrada em uma consulta pública que sugere a cobrança de impostos sobre a geração de energia solar fotovoltaica.

A cobrança de alíquotas sobre as produções de baixa tensão em um quadro mais pessimista aumentaria em 100% o tempo para retorno do investimento, segundo a Comerc. Essa instabilidade na legislação afeta principalmente a confiança de quem pretende migrar para a energia solar.

“Com esse payback você diminui o crescimento dos projetos solares sem dúvida alguma. Agora, a gente pode afirmar que um projeto em Manaus com seis anos de payback é ruim? Se você tem um projeto que dura de 20 a 25 anos isso significa que você tem de 14 a 19 anos de energia gratuita em tese”, afirmou.

Atualmente, o Brasil conta com 2,4 GW de energia sendo produzida por painéis solares, uma realidade bem distante de países como a China que além de obter o recorde de investimentos em 2018, gerando 45,0 GW, também é a líder em potência acumulada com 176,1 GW. A proposta da Aneel está aberta para votação e segue até o mês de dezembro deste ano, além disso, ela também está em discussão na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos deputados em Brasília.

Eficiência energética

A eficiência energética é um dos maiores déficits da cadeia produtiva de energia no país. Outra informação divulgada no levantamento da Comerc é que  um terço da energia elétrica produzida na usina de Itaipu no ano passado foi desperdiçada.

Dentre os fatores que ocasionam a baixa no aproveitamento dos recursos elétricos está a má utilização deles pelo consumidor final. “Não adianta gerar energia renovável se a nós consumimos de forma desordenada. A gente tem primeiro que consumir de forma eficiente para também gerá-la de forma sustentável", afirmou o diretor de eficiência energética e energia solar da Comerc, Marcel Haratz.

Segundo o relatório do Conselho Americano para uma Economia Eficiente em Energia (CEEE) de 2016, a Alemanha investe US$ 318 destinados a melhoria da eficiência energética por habitante enquanto no Brasil são alocados somente US$ 3.

A estimativa para os próximos quatro anos é a de que mesmo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seja equiparado a 2,5 pontos a energia produzida no país seja suficiente para suportar a demanda da população.

Produção de gás natural

Nas propostas de transição da utilização de combustíveis fósseis, que são altamente prejudiciais ao meio ambiente, e aguardando a substituição total deles por formas de energia mais limpas e sustentáveis  como a fotovoltaica, eólica e a biomassa o gás natural vem recebendo investimentos, mas ainda precisa avançar na regulamentação.

“A região norte assim como no setor elétrico  ficou isolada durante muito tempo o sistema de gás. Você tem um sistema isolado com o gás de Urucu que chega até Manaus por via gasoduto e agora mais recentemente temos o Azulão que vai fornecer gás para a térmica em Roraima um leilão recente que irá substituir térmicas a disel por gás natural e ele vai de carreta, liquefeito até Roraima”, ressaltou  o diretor Comerc Gás, Pedro Franklin.

O executivo enfatizou ainda  que a ausência de uma legislação  efetiva sobre o gás natural cria monopólios de exploração e inviabiliza o livre mercado em todo o Brasil e que embora o Amazonas seja recordista nacional na produção de gás natural em terra firme a competitividade ainda é baixa devido as distâncias das linhas que deviam  interligá-lo ao restante do país e acarretam  dificuldades logísticas para escoamento da produção.

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