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Manaus
Encontro

4ª SAB Norte: Manaus é a ‘Capital da Arqueologia’ até o próximo sábado (8)

Cidade sedia o 4º encontro regional da Sociedade Brasileira (SAB), com vasta programação aberta ao público, no Palacete Provincial 04/12/2018 às 02:32
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Há várias peças e trabalhos expostos aos acadêmicos e ao público geral. Fotos: Euzivaldo Queiroz Arqueóloga Marjorie Lima
Cecília Siqueira Manaus (AM)

A importância de conhecer o passado para entender o presente é algo que precisa ser atiçado por meio da curiosidade, despertada por meio de histórias e achados que mexem com o imaginário popular.  É com esse objetivo que Manaus está sediando a 4ª edição da reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira Regional Norte (SAB Norte), que acontece até sábado, com o tema “Apropriações do passado: o futuro do passado na região Norte do Brasil”.

Não restringir o conhecimento apenas ao mundo dos estudiosos da área é o que defende a pesquisadora associada do Instituto Mamirauá Marjorie Lima, uma das organizadoras do evento. Ela enfatiza que a participação da sociedade em geral é de extrema relevância para a difusão do conhecimento arqueológico.

“A comunidade manauara está se atraindo pelo assunto. A proposta é um tema que tenta integrar pesquisadores, alunos e a comunidade não científica, para tentar trazê-los a esse universo que a gente produz sobre arqueologia. Teremos a presença de representantes das comunidades tradicionais de diversas regiões do Norte do País, como quilombolas e ribeirinhos”, destaca a pesquisadora.

Arqueóloga Marjorie LimaDe acordo com ela, após o episódio do incêndio do Museu Nacional, que ocorreu em 2 de setembro deste ano, uma das temáticas que devem ser abordadas durante os simpósios do SAB Norte é a situação atual dos acervos mantidos na região Norte. A preservação de achados históricos, além dos debates nas áreas de botânica, zoologia e até mesmo a gastronomia serão apresentados ao público.

“Seria muito legal ver a comunidade não científica fazer parte dessa discussão que tem proveito para todos nós, principalmente depois do que aconteceu no Museu Nacional. É um interesse que começa com uma curiosidade. Todo mundo tem no imaginário o que é um arqueólogo, aquela ideia, até romântica de uma série de filmes, e as pessoas chegam atraídas. Conforme elas estão inseridas na discussão, as perspectivas vão mudando. Essa é a importância de integrar e é a proposta do evento, de levar o conhecimento para fora dos muros da academia. Não é só olhar para os cacos ou pedras antigas, é falar com as pessoas e dizer a importância de conservar isso. O patrimônio é da população”, conclui Marjorie.

Detentor de um potencial arqueológico imensurável, é a primeira vez que o Estado do  Amazonas recebe o SAB Norte, que acontece no Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, Centro da capital. Conforme Marjorie Lima, a semente do evento já havia sido plantada em 2010, quando a capital acolheu o 2º Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica.

“Temos a proposta de andar na tentativa de integrar os estados da região Norte com os estudos e pesquisas que estão acontecendo neles relacionado à arqueologia.  Nós, da comissão, escolhemos que Manaus seria um lugar portentoso (muito bom) para sediar o encontro esse ano exatamente pelos diversos trabalhos que vêm sendo feitos no Amazonas”, diz a pesquisadora.

Trabalhos expostos

Trabalhos arqueologia desenvolvida em diferentes partes da região amazônica estão sendo expostos. Um exemplo é a pesquisa apresentada pelo acadêmico do curso de arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará  (Ufopa) Maurício Rabelo Criado, no qual ele faz comparações entre as cerâmicas Konduri e Santarém, ambas encontradas em áreas vizinhas do baixo Amazonas.

“Abordo, especialmente, as redes de troca. Esse material que analiso, o advogado Ubirajara Mendes vendeu ao Banco da Amazônia nos anos 90, e por não ter um local apropriado para guardar essa coleção, foi doado ao Centro Cultural João Fona, que fica no município de Santarém”, explica.

O universitário conta que foram encontrados indícios arqueológicos da cerâmica Konduri na região do rio Trombetas e rio Nhamudá, e a cerâmica Santarém, concentrada principalmente na região homônima, baixo Tapajós. “Apesar da proximidade das regiões, existem semelhanças, mas também muitas diferenças entre os atributos estilísticos entre as cerâmicas, que são contemporâneas e datadas do ano 1000”, relata Maurício.

Tanto Konduri quanto Santarém não eram povos isolados e, através dos estudos dessas cerâmicas, foi constatada a comunicação entre as comunidades.

“É a primeira vez que estou em Manaus, é interessante porque vai agregar também ao meu conhecimento essa troca de informações. Conhecendo antropólogos e arqueólogos de outras regiões e trazendo esse estudo”, diz o estudante.

'Sabores arqueológicos'

Um dos simpósios mais aguardados é o “Encontro entre saberes e sabores: diálogos entre Arqueologia, Culinária e Gastronomia”. Programado para acontecer amanhã no Museu da Amazônia (Musa), o encontro terá a presença dos arqueólogos Eduardo Neves e Leonardo Viana; Donza Brazi Baré, indígena e autora do livro "Culinária Tradicional Amazônica"; Roberto Smeraldi, vice-presidente do Instituto ATÁ; e os chefs de cozinha Débora Shornik, do restaurante Caxiri, e Hiroya Takano, do Shin Suzuran.

Como participar

Para integrar estudantes, pesquisadores e interessados na área, a SAB Norte reúne mais de 200 inscritos, com apresentação de trabalhos de alunos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Acre (UFAC).  Serão 130 trabalhos defendidos nas categorias audiovisual, oral e de grupos temáticos.

Para participar como ouvinte, as inscrições podem ser feitas no salão de entrada do Palacete Provincial. Estudantes de ensino médio e membros de comunidades tradicionais têm entrada gratuita, já os demais interessados, pesquisadores e estudantes da área, devem acessar o endereço eletrônico https://sabnortemanaus.wixsite.com/sabnortemanaus/inscricao, e efetuar inscrição que varia de R$ 30 a R$ 100, com direito a certificado e horas complementares. 

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