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Manaus
Envelhecer com investimentos

Manaus está despreparada para envelhecer

A tendência é comprovada pelo Censo do IBGE no Brasil e também em Manaus. O envelhecimento da população exige investimentos 15/06/2013 às 16:27
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José Gonçalves Junior chegou aos 100 anos com uma excelente memória. Para ele, isso deve-se à alimentação correta e à ausência de fumo e bebida
Ana Célia Ossame Manaus

Se fossem colocar as velas marcando os 100 anos de vida de José Gonçalves Júnior, faltaria espaço no bolo, mas não vitalidade e lucidez  ao aposentado que comemorou a idade neste sábado(15) com a família e amigos, na Igreja Batista do Campos Elíseos, Zona Centro-Oeste. O privilégio de completar dez décadas de vida, com uma memória capaz de relatar detalhes de fatos como a Revolução de 1930, ele atribui ao fato de nunca ingerir bebida alcoólica, não fumar e manter uma dieta rica em verduras e frutas.

Casos como o dele estão se tornando comuns no Amazonas e no País. De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 o Amazonas tinha 415 pessoas com a idade de 100 anos ou mais, informou o diretor de divulgação do escritório do órgão em Manaus, Adjalma Jaques.

Gonçalves, como é mais conhecido, é paulista, mas está radicado no Amazonas desde 2001, dois anos após se casar com a amazonense Naíde Gonçalves, 67, também viúva, mãe de quatro filhos, avó de nove e bisavó de três. Eles se conheceram em São Paulo, quando ele foi submetido à cirurgia para colocar marca-passo e quatro pontes de safena no coração, em outubro de 1997. “Casei-me com ela em 19 de fevereiro de 1998”, disse ele, recém viúvo de um casamento de 38 anos. Formado em Contabilidade, Perícia Comercial, ele fala quatro línguas e trabalhou numa empresa petrolífera por 30 anos, quando se aposentou. É pai de um único filho, hoje com 75 anos, também aposentado.

Memória

Amante de leitura e de jornais televisivos, Gonçalves lembra fatos marcantes da vida brasileira, como as revoluções de 1922, 1930 e  o Golpe Militar de 1964, das quais conta alguns detalhes. Admira a inteligência da presidente Dilma Rousseff  por ter, como assegura, se libertado de Luiz Inácio Lula da Silva, criando uma administração independente do ex-presidente.

Eleitor até os 99 anos, Gonçalves fez questão de exercer seu direito para poder criticar e cobrar. Vai ao médico semestralmente verificar as condições do marca-passo, o aparelho que regula os batimentos cardíacos. “Faço tudo no SUS”, explicou Gonçalves, que do alto de seus 100 anos sabe que além da vida equilibrada, um fato cooperou para a vida longa. “Ao me casar com a Naíde encontrei não só uma mulher, mas uma família inteira”, finalizou.

Municípios com mais idosos

Manaus é o município do Amazonas com maior número de pessoas com  100 anos de idade ou mais, tendo 172 no total, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

Em seguida, vem o município de Parintins, com 25 idosos com dez décadas de vida.  Manacapuru é o terceiro, com 23; Itacoatiara é o quarto, com 20; e Tefé, o quinto, com 11.

Outros municípios com pessoas com idade de 100 anos em 2010 eram Tefé, com 11; Barreirinha, Iranduba, Maués e Nova Olinda do Norte, com oito; Autazes, Codajás e Fonte Boa, todos com sete.

É preciso ampliar serviços aos idosos


Serviços adequados para idosos com mais de 80 anos em igrejas, bancos ou outros espaços públicos é uma necessidade em Manaus, afirma o cardiologista Aristóteles Alencar, que durante vários anos trabalhou na Fundação Dr. Thomas. Segundo ele, na área médica o Sistema Único de Saúde (SUS) garante atendimento adequado aos idosos, assim como os Centros de Atenção á Melhor Idade (Caimis). Mas há carência de profissionais especializados em geriatria e também dessa formação no currículo básico dos cursos de Medicina, já que agora uma necessidade diante do aumento dessa população. Ela existe, mas como pós-graduação. 

Ao citar que tem pacientes com 102 anos, Aristóteles aponta a necessidade da reformulação de estudos sobre uso de algumas drogas e técnicas cirúrgicas como a aplicação de stent, uma prótese no coração. Esse tipo de procedimento hoje que exclui pessoas com mais de 75 anos, porque raramente as pessoas chegavam a essa idade. “A realidade é outra, temos mais pessoas idosas”, lembra Aristóteles, citando como importante a prevenção a quedas, infecções respiratórias e diarréias, causas importantes de mortes e invalidez. “O que mais machuca o idoso é ter a cabeça boa e não poder se alimentar ou fazer sua higiene”, diz o médico, que se diverte no consultório quando a prioridade dada aos idosos em lei é disputada e motivo de discussão entre eles. “Eu peço para eles decidirem quem vai entrar primeiro, não me meto”, brinca.

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