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Manaus
Avaliação ruim

Manaus está entre as cinco capitais com pior índice de bem-estar urbano, diz pesquisa

Estudou apontou que as cinco capitais com pior índice são da região Norte: Macapá, Porto Velho, Belém, Manaus e Rio Branco 27/09/2016 às 12:07 - Atualizado em 27/09/2016 às 19:36
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Manaus é quarta capital com pior índice de bem-estar urbano. Foto: Bruno Kelly / Arquivo AC
Rafael Seixas Manaus (AM)

Um levantamento inédito feito pelo Observatório das Metrópoles, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que entre as 27 capitais do Brasil, Manaus ocupa a 24ª posição no ranking que mede o Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu).

De acordo com o estudo, as cinco capitais com pior índice são da região Norte: Macapá (27ª), Porto Velho (26ª), Belém (25ª), Manaus (24ª) e Rio Branco (23ª). Palmas e Boa Vista ficaram com melhores resultados ocupando, respectivamente, a 11ª e a 19ª colocação. As capitais com melhor avaliação foram Vitória (1ª), Goiânia (2ª), Curitiba (3ª), Belo Horizonte (4ª) e Porto Alegre (5ª).

A pesquisa mediu o bem-estar em 5.565 municípios do país, tendo como avaliação cinco medidores de qualidade: mobilidade urbana, como o tempo de deslocamento de casa para o trabalho; condições ambientais (arborização, esgoto a céu aberto, lixo acumulado); condições habitacionais (número de pessoas por domicílio e de dormitórios); serviços coletivos urbanos (atendimento adequado de água, esgoto, energia e coleta de lixo); e infraestrutura.

 A dimensão que apresenta a pior situação de bem-estar, nacionalmente, é a infraestrutura das cidades: 91,5% dos municípios estão em níveis ruins e muito ruins. Para avaliar a infraestrutura, o Observatório das Metrópoles considerou sete indicadores: iluminação pública, pavimentação, calçada, meio-fio/guia, bueiro ou boca de lobo, rampa para cadeirantes e logradouros. Somente um município apresenta condição muito boa de infraestrutura: Balneário Camboriú (SC).

Em entrevista ao portal UOL, o professor da UFRJ e pesquisador do Observatório, Marcelo Ribeiro, revelou que existe uma desigualdade regional. “Os municípios que apresentaram as melhores condições estão nas regiões Sudeste e Sul, um pouco no Centro-Oeste. Os piores índices, em geral, estão no Norte e Nordeste, e também no Centro-Oeste, uma zona de transição”, disse.

Arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Lúcio Gomes Machado destaca que Palmas e Brasília, com melhores Índices do que São Paulo, são cidades planejadas. “Uma cidade razoavelmente planejada, ainda que seja mal gerida, carrega durante bom tempo esse planejamento como trunfo positivo”.

Ainda segundo Machado, a falta de integração com os municípios da região metropolitana e o crescimento desordenado de São Paulo ajudam a explicar a 12ª posição entre as capitais.

Em nota, a Prefeitura de Manaus afirmou que considerou o resultado injusto. "O resultado é injusto para Manaus, já que existem outros rankings que tratam da medição do índice de qualidade de vida nas cidades. A cidade tem recebido investimento muito grande, talvez os maiores dos últimos anos, em requalificação e infraestrutura dos espaços urbanos em geral, que visam sempre à melhoria na qualidade de vida na cidade, como a revitalização do Centro da capital, a recuperação de várias praças, ruas, a desocupação das calçadas pelos ambulantes, a promoção e requalificação de espaços públicos como o Passeio do Mindu e diversas áreas espalhadas pelo Município, como os Parques da Juventude do Campo Dourado e as construções do Parque do São José. Tudo tentando melhorar o equilíbrio da oferta de lazer público, que é nitidamente uma deficiência histórica de Manaus", diz o arquiteto Roberto Moita, diretor presidente do Implurb.

Na nota, a Prefeitura de Manaus elenca outros levantamentos realizados anteriormente que colocam Manaus em posição de destaque. Confira abaixo a íntegra da nota:

A Prefeitura de Manaus informa que em relação aos dados observados para a construção do resultado, muito se avançou em Manaus nos últimos anos. Inclusive, nos últimos anos, com o grande volume de investimentos em obras e ações de revitalização de espaços públicos urbanos, Manaus tem recebido destaque em pesquisas e listas sobre as melhores cidades do Brasil e do mundo para se viver, de diversos institutos e consultorias especializadas.

Em 2015, em pesquisa divulgada pela revista “Exame” e realizada pela Delta Economics & Finance, com a lista das 100 Melhores Cidades do Brasil para se Viver – sendo que o Brasil tem 5.565 municípios, Manaus ocupava a 81ª posição, com dados computados de 2014. A consultoria analisou 77 características de cada uma das mais de 5,5 mil cidades brasileiras, levando em conta variáveis relacionadas à qualidade de vida, saúde, educação, segurança pública, saneamento básico, economia, governança, entre outros.

Ainda em 2015, Manaus recebeu dois prêmios de “Cidade com Melhor Qualidade de Vida”, títulos concedidos no ranking “As Melhores Cidades do País”, criado pela revista “Isto É”. O levantamento foi feito pela consultoria Austin Ratings, com base em cerca de 500 itens e elaborado após análise de todas as cidades do país. A pesquisa cruzou informações dos municípios e foram escolhidos quatro pilares no bom desempenho: políticas públicas, indicadores sociais, fiscais, econômicos e digitais. O reconhecimento foi duplo: maior qualidade de vida entre as cidades de grande porte e melhor nacionalmente. Na época, foram analisados 2 anos e 8 meses da gestão atual.

E mais recente, em fevereiro deste ano, a consultoria britânica de recursos humanos Mercer divulgou o ranking “Índice de Qualidade de Vida”, onde apenas quatro capitais brasileiras figuravam entre as Melhores Cidades do Mundo em Qualidade de Vida, sendo Manaus uma delas, na 125ª posição mundial, tendo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo à frente. A pesquisa da Mercer avaliou mais de 450 cidade do planeta em 10 critérios: ambiente social e político; cenário econômico, ambiente sociocultural; condições médicas e de saúde; escolas e educação; serviços públicos e transporte; recreação; bens de consumo; moradia e aluguel; e condições naturais. A Mercer é uma das maiores consultorias de RH do mundo.

"O resultado é injusto para Manaus, já que existem outros rankings que tratam da medição do índice de qualidade de vida nas cidades. A cidade tem recebido investimento muito grande, talvez os maiores dos últimos anos, em requalificação e infraestrutura dos espaços urbanos em geral, que visam sempre à melhoria na qualidade de vida na cidade, como a revitalização do Centro da capital, a recuperação de várias praças, ruas, a desocupação das calçadas pelos ambulantes, a promoção e requalificação de espaços públicos como o Passeio do Mindu e diversas áreas espalhadas pelo Município, como os Parques da Juventude do Campo Dourado e as construções do Parque do São José. Tudo tentando melhorar o equilíbrio da oferta de lazer público, que é nitidamente uma deficiência histórica de Manaus", diz o arquiteto Roberto Moita, diretor presidente do Implurb.

Em relação a itens como arborização, também citado na pesquisa, Manaus desenvolve nesta gestão amplo programa de plantio de mudas e cuidados com as árvores já existentes. Dentro deste, foi lançado em março último o Arboriza Manaus, cuja meta era plantar até dezembro, dez mil mudas, número alcançado já agora em setembro.  

 

Ranking das 27 capitais brasileiras

  1. Vitória (ES) - 0,9000
  2. Goiânia (GO) - 0,8742
  3. Curitiba (PR) - 0,8740
  4. Belo Horizonte (MG) - 0,8619
  5. Porto Alegre (RS) - 0,8499
  6. Campo Grande (MS) - 0,8275
  7. Aracaju (SE) - 0,8214
  8. Rio de Janeiro (RJ) - 0,8194
  9. Florianópolis (SC) - 0,8161
  10. Brasília (DF) - 0,8131
  11. Palmas (TO) - 0,8129
  12. São Paulo (SP) - 0,8119
  13. João Pessoa (PB) - 0,7992
  14. Fortaleza (CE) - 0,7819
  15. Recife (PE) - 0,7758
  16. Salvador (BA) - 0,7719
  17. Cuiabá (MT) - 0,7704
  18. Natal (RN) - 0,7383
  19. Boa Vista (RR) - 0,7249
  20. Teresina (PI) - 0,7218
  21. Maceió (AL) - 0,7036
  22. São Luís (MA) - 0,7003
  23. Rio Branco (AC) - 0,6972
  24. Manaus (AM) - 0,6903
  25. Belém (PA) - 0,6593
  26. Porto Velho (RO) - 0,6542
  27. Macapá (AP) - 0,6413
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