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Manaus
ALERTA

Manaus lidera ranking de obesidade nas capitais com 81% da população acima do peso

Pesquisa do Ministério da Saúde aponta que na capital 57,6% da população está com excesso de peso e e 23,8% é obesa. Dia Nacional de Prevenção da Obesidade é celebrado nesta quinta (11) 10/10/2018 às 21:56 - Atualizado em 14/10/2018 às 10:28
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Foto: Euzivaldo Queiroz
acritica.com Manaus (AM)

A capital amazonense chega ao Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, comemorado nesta quinta-feira (11), como a primeira no ranking com mais obesos entre as capitais brasileiras. São 81% da população de Manaus com excesso de peso ou obesa, conforme os dados da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, sendo 57,6% com excesso de peso e 23,8% já em obesidade.

O engenheiro civil Eduardo Corleone, de 35 anos, está entre esse porcentual. Ele luta há um ano e sete meses contra a obesidade. No nível 3 de obesidade, mórbido, ele pesava 195 kg. Para poder fazer a cirurgia bariátrica, no ano passado, foi necessário perder 5 kg.

Eduardo disse que sempre foi “gordinho”. “Você quando é gordo, não se vê como gordo”, explica. Por muito tempo, ele não se importou com o peso. Não possuía, até então, problemas de diabetes e pressão alta.

Ele só se alertou para a saúde quando começou a trabalhar em uma empresa de manutenção onde era necessário se movimentar mais. Foi então que ele começou a se sentir mais cansado, sentia dores nas pernas, desenvolveu sintomas de pressão alta.

Eduardo pesquisou sobre a cirurgia na Internet, relacionando os prós e contras, opiniões a favor e contra. Depois de decidir que faria a cirurgia, ele foi ao médico. De acordo com ele, o médico disse que 20% do emagrecimento era a cirurgia e 80% é o psicológico. “Eu já tive amigos que fizeram e voltaram a engordar. Eu sou bem decidido do que eu quero, por isso não engordei”, afirma.

Para ele, o primeiro mês pós-cirúrgico foi pior. Tendo que ingerir somente líquidos em quantidades pequenas nessa primeira etapa. “Você é acostumado a chegar à mesa e comer muito. E nas primeiras duas semanas é aquele copinho só com líquido”, relata.  Hoje, ele já mudou os hábitos. Pesando 120kg, não sente mais sintomas de muita fome e, durante um ano, fez exercícios físicos todos os dias.

Opinião profissional

Para a nutricionista clínica e esportiva Ammy Coelho, a vida corrida e a falta de tempo levam as pessoas a recorrerem cada vez a alimentos rápidos, normalmente, os fast foods, alimentos gordurosos e enlatados. “Uma alimentação rica em frutas, verduras e saladas frescas está se tornando algo extremamente raro”, atesta.

Quando o peso corporal está acima do recomendado, o organismo fica desequilibrado, causando doenças cardíacas, distúrbios psicológicos, diabetes, complicações respiratórias e gastrointestinais e dores nas articulações.  Ela recomenda que a pessoa que queira emagrecer não seja radical, eliminando alimentos ou reduzindo abruptamente as calorias ingeridas porque isso pode gerar maus resultados. 

“Tem que identificar a presença de quilos a mais, pensar no incômodo que isso causa, bem como nos hábitos que conduziram essa situação, ter o bom senso, traçar um plano e encontrar a motivação que falta para começar e manter o processo”, explica.

Consulta médica e acompanhamento com um nutricionista ajudam nesse processo. Exercícios físicos também auxiliam no processo porque ativam o metabolismo e favorecem a queima das calorias acumuladas em forma de gordura.

Reeducação alimentar após um susto

O analista de sistemas André Landim, 33,  decidiu mudar os hábitos alimentares e começar uma rotina de exercícios físicos após um susto. Ele nunca se preocupou com a questão de peso porque emagrecia com facilidade. Mesmo após passar dos 30 anos, continuou seguindo a rotina alimentar baseada em alimentos calóricos. “Eu tinha chegado a 90 kg e isso começou a acarretar em problemas de coluna”, contou.

André estava com pré-diabetes. “O choque foi bem grande. A minha alimentação consistia em pizza, massas, x-salada e refrigerante”, disse.

O tratamento envolveu medicamentos e reeducação alimentar. “Cortei açúcar e carboidrato. Passado o susto, eu permaneci com o hábito”, disse.  Mesmo saindo do quadro de pré-diabetes, ele continua a se exercitar e ter alimentação regrada. A mudança trouxe qualidade de vida para ele.

21 de outubro

Neste dia, às 9h, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) promove a 1ª Caminhada Nacional de Combate à Obesidade, na Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus.

Jornalista que passou por cirurgia bariátrica compartilha experiência

O jornalista Leandro Tapajós, 34, passou por uma bem sucedida cirurgia bariátrica e hoje  compartilha a experiência dele com a adaptação da redução de estômago em um canal que possui no YouTube, chamado “50 Kg Depois”.

Leandro foi uma criança obesa. “Eu passei por tudo aquilo que o obeso passa na infância e na adolescência. Sofri bullying na escola”, conta. Por dois anos, ele manteve-se magro por causa do esporte. Quando ele começou a trabalhar, chegou a engordar o dobro. 

A busca por uma vida saudável sempre esteve presente, mas nunca voltou a emagrecer. Aos 20 anos, ele descobriu a cirurgia de redução do estômago e buscou ajuda médica necessária.
 
O que o levou a aceitar fazer a cirurgia foi um questionamento: qual é a pessoa com mais de 80 anos e obesa mórbida que você conhece? “É muito raro e é muito difícil achar alguém assim. A obesidade mórbida te leva à morte”, diz. 

Na época da cirurgia, ele pesava 135 kg. Dez anos depois, ele descobriu algumas coisas e seu objetivo é compartilhar. Uma delas é o peso desnecessário ao fator corpo. “Antes, no começo, eu queria ficar magro e virar ‘capa de revista’, com corpo editado no Photoshop. Com um tempo desencanei. Minha meta é ter saúde”, explica. 

Ele também passou uma reabilitação alimentar. Quando era obeso, comia em grandes quantidades alimentos pouco ricos em nutrientes, as populares “besteiras”. “Hoje, eu como normalmente. Só vou passar mal se realmente eu exagerar muito”, conta. 

O jornalista disse que o canal no YouTube começou de forma bem tímida, mas é alimentado regularmente. Ele também tem um livro, que fez depois de cinco anos operado. Intitulado “50 Kilos Depois”, a publicação tem o mesmo objetivo do canal: compartilhar a experiência do jornalista. “Eu estou compartilhando a experiência desses quase onze anos fora da obesidade mórbida”, diz.  O livro pode ser adquirido com o próprio Leandro através das redes sociais: @leandro_tapajos no Instagram e na página do Facebook  “50 kilos a menos”.

OPINIÃO

Grasiely Almeida - Nutricionista

Para emagrecer, as pessoas têm pressa e tendem a se automedicar e acham que o que funciona para o vizinho funciona para ela. Elas começam a fazer dietas mirabolantes e isso se torna prejudicial. Hoje há uma facilidade enorme na compra de medicamentos para emagrecimento, o problema será o efeito colateral que ocasionará. O medicamento pode gerar um efeito grave na pressão arterial, desenvolvendo até uma hipertensão ou gerando uma parada cardíaca, então é necessário o acompanhamento de um profissional para indicar. Já tive milhares de casos de pacientes que antes de consultar um profissional tomaram remédios e depois de algum tempo engordaram o dobro.

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