Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
FÔLEGO E PACIÊNCIA

Conheça as modalidades em que os manauaras são 'craques'

O Manaus Hoje entrou no clima olímpico e prova que o amazonense já encara esse desafio o ano todo. Tem 'corrida' atrás de ônibus, 'acendimento de vela' nos dias de apagão e atá 'carregamento de balde' nos dias de falta d'água



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08/08/2016 às 19:21

Na sexta-feira (5), o Brasil viveu um momento histórico ao se tornar o primeiro país sul americano a receber os Jogos Olímpicos. A festa de abertura teve participação de grandes nomes da cultura brasileira, passando por Gilberto Gil, Marcelo D2, Anita e Ludmila. Na dança uma participação especial: de 73 dançarinos de Parintins, que viajaram da ilha diretamente para o Rio de Janeiro, só para mostrar ao mundo um pouco da nossa cultura. Mas quem disse que em Manaus também não tem desafio olímpico? O MANAUS HOJE mostra agora que o amazonense já está bem acostumado com algumas “modalidades”, que o MH apresenta para você.

CORRIDA DE RUA – Com uma população acima dos dois milhões de habitantes, só correndo muito para pegar um dos 1.378 ônibus coletivos que existem na cidade de Manaus. E se o “caboco” quiser chegar ao trabalho, escola, médico ou simplesmente passear, tem que, além de ter muita paciência, disputar fervorosamente uma vaga dentro do busão.

Depois de chegar lá, o atleta ainda precisa rezar muito e se pegar com todos os “Deuses do Olimpo” para não ser assaltado antes de chegar ao destino. Se segundo o Sinetran, em média, são registrados sete assaltos a ônibus por dia na cidade.

ESPORTES AQUÁTICOS – Não é novidade que quando chove Manaus fica praticamente em baixo d´água. Bastam algumas horas de chuva para que o desespero tome conta da população, principalmente dos que moram em áreas consideradas mais perigosas nessas ocasiões. De acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), na cidade são mais de 740 áreas de risco espalhadas por todas as zonas de Manaus.

Em abril, mês que é considerado um dos mais chuvosos da região, somente em um dia de chuva foram registrados desabamentos e alagamentos por toda cidade. Nos bairros que existem casas à margem de igarapés, as mesmas são inundadas e ficam ilhadas facilmente. Para se salvar, os moradores têm que sair do local nadando, ou com a ajuda de botes salva vidas. Ai haja braçadas e remadas!

TIRO – Somente em julho o Amazonas registrou 109 mortes violentas e destas a maioria foi por arma de fogo. Todos os dias bandidos usam armas para amedrontar pessoas de bem, que acabam sendo os “alvos” dessa modalidade. O resultado? Pessoas roubadas, ameaçadas, estupradas e até mesmo mortas por conta da falta de segurança na cidade e da facilidade em se comprar, ou alugar um revólver ou até mesmo uma pistola ponto 40, que é de uso “exclusivo” da polícia.

No mesmo mês tivemos dois casos que chamaram a atenção. Primeiro um policial foi acusado pela população de ter matado com a arma da corporação um ex presidiário com um tiro na barriga, pois estava devendo drogas para ele. Detalhe: o policial estava fora de serviço. No segundo caso, a assistente social Thammyrys Alexandre, de 26 anos, foi vítima de uma “bala perdida” durante um tiroteio entre polícia e bandido, na Compensa. Até hoje conhecemos o alvo, já o atirador...

VELA – Com a chegada do verão automaticamente o consumo de energia aumenta, seguido do aumento das faltas de energia em bairros distintos da cidade. Foi assim na última semana: velas espalhadas nas casas dos moradores das zonas Norte e Leste. Durante toda semana o MANAUS HOJE recebeu inúmeras denúncias de falta de energia.

No Coroado os moradores sofrerem no escuro durante 10 horas, tempo suficiente para os alimentos da geladeira da casa da jornalista Glaucilene Matos descongelarem todos. “O dia já tinha sido muito quente e quando foi por volta das 22h a luz foi embora. O resultado foi uma noite acordada por conta do calor e tudo que tinha na geladeira descongelado no outro dia”, disse a jornalista, ressaltando que somente às 8h30 de segunda-feira (1º) a energia foi restabelecida. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de janeiro a maio deste ano, o manauara teve que tolerar 331 horas sem energia.

CARREGAMENTO DE BALDE – E se carregamento de balde dessa medalha, a população de Manaus com certeza seria medalhista nessa modalidade. No Rio Piorini, por exemplo, denúncias dão conta que a comunidade ficou sem água durante 15 dias diretos. No Jorge Teixeira, Nova Cidade e Armando Mendes a situação não é tão diferente. O povo de tanto carregar baldes e garrafas pets nas ruas já pode ser considerado um campeão.

No loteamento Campo Dourado, bairro Cidade Nova 1, a situação é recorrente. Segundo a leitora Dora Costa, a comunidade sofre com falta de água há pelo menos dois meses e nas últimas 24 horas nem uma gota d´água cai das torneiras. “Há mais de dois meses o sistema não funciona devidamente correto e hoje (ontem) ligamos para a Manaus Ambiental e a atendente sequer sabia explicar o que estava acontecendo. É um total descaso com o consumidor”, denunciou a leitora, por meio de rede social.

SALTO SEM VARA – E mesmo com alguns jogos sendo realizados aqui e com a passagem da tocha olímpica pelas ruas de Manaus, as vias da cidade parecem mais esburacadas do que um queijo suíço. É assim lá na alameda A, no bairro Santa Etelvina.

A artesã Rosangela Freitas, de 47 anos, reclama que desde 2015 os buracos só aumentaram. “Já fizemos várias denúncias e a única coisa que acontece é o pessoal da prefeitura vir aqui, olhar e ir embora. É difícil até pra entrar ambulância e viaturas”, revelou a moradora. Já na rua D, do bairro Santa Inês, o problema é um buraco, mas que vale por muitos. “Essa é a principal via do bairro e por conta dos buracos os carros acabam tendo que ficar quase parados na rua. Por causa disso os assaltos são constantes na área, ainda mais que no mesmo local não há luz no poste durante a noite”, ressaltou o agente de portaria Valdemar Alves.

MARATONA – Com tantas coisas erradas, como falta de segurança, infraestrutura, saúde e educação de qualidade, o amazonense ainda tem que driblar as altas dos preços dos produtos, principalmente da cesta básica, que em julho sofreu aumento de 5,27%, chegando a custar R$ 404,22. O grande vilão é o feijão, que este ano já aumentou 96,6%. E quem precisa abastecer a caranga também anda sofrendo.

A gasolina aumentou R$0,50 o litro em todos os postos da cidade. Diante de tantos sobes e poucos desde, sobreviver com o salário mínimo de R$ 880 é uma verdadeira olimpíada, pois o povo precisa disputar várias modalidades para conseguir não deixar faltar na mesa, e principalmente, chegar em casa são e salvo.

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