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Manaus prepara protestos de insatifação com o governo da presidente Dilma Rousseff

Segundo pesquisa Data Folha, a avaliação negativa de Dilma Rousseff supera a do ex-presidente Collor às vésperas do impeachment dele em 1992 15/08/2015 às 15:01
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Em março desse ano, 22 mil manifestantes de várias idades, caminharam do Centro até o cruzamento da avenida Djalma Batista com a rua Pará.
Aristide Furtado Manaus

Catapultados pelo elevado índice de reprovação  do governo Dilma, pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e pela crise política que ameaça deslanchar um processo de impeachment, movimentos populares organizados por meio das redes sociais esperam levar, hoje,  50 mil pessoas às ruas de Manaus para pedir o afastamento da presidente da República. Mobilizações com o mesmo objetivo foram convocadas em todo o País.

O protesto está marcado para as 14h, na praça do Congresso, na avenida Eduardo Ribeiro, Centro. De acordo com a coordenação do evento, articulado por 15 movimentos, às 15h iniciará a marcha rumo  à avenida Djalma Bastista até o cruzamento com a rua Pará, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, onde ocorrerá um ato público.

“A gente está fora do circuito ideológico. Achamos que pode ser de esquerda e ser honesto e ser de direita sem ser intolerante.  O que a gente quer é contribuir  para que o País entre nos trilhos, com liberdade econômica, ajudando quem precisa e garantindo um futuro melhor para as novas gerações”, disse o empresário Kleber Romão, um dos organizadores do evento.

Para o sociólogo Marcelo Seráfico, os movimentos de rua  programados para hoje  podem ser interpretados como outro momento das jornadas de junho de 2013, quando multidões invadiram às ruas de várias cidades brasileiras.

“Aquele foi um momento em que as forças vivas da sociedade civil se viram tangidas às ruas para manifestar insatisfações de várias anos que vem se acumulando e que se tornam emblemáticas por conta desses processos que andam no âmbito da Justiça Federal relativos à corrupção que  têm revelado uma espécie de conluio entre setores do Estado e setores empresariais, que não é novo no Brasil”, disse o pesquisador.

Professor do departamento de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico afirma que essas manifestações de rua são importantes no regime democrático e expressam uma tentativa de organização e ação da sociedade civil.

“Democracia não é regime de paz de cemitério. O fundamento é o conflito. A democracia existe como mecanismo de regulação do conflito. Temos que saber quais são os fundamentos desse conflito e permitir que a maioria num debate plural decida os rumos a tomar. Nós vivemos uma ditadura do capital financeiro e isso não é discutido. A dívida  pública não é discutida. Se se deve pagar essa dívida, que corrói quase metade do orçamento brasileiro. Há um conluio de agentes financeiros com o Estado há muito tempo”, disse Seráfico.

  Na avaliação do cientista social, o Partido dos Trabalhadores, para viabilizar sua agenda de políticas sociais compensatórias, aliou-se a setores econômicos e políticos que antes combatia, tudo para garantir a governabilidade. Esse arranjo, segundo ele, sempre produziu elevados lucros a bancos e ao agronegócio, tanto no governo Lula (PSDB) como no de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).  Com os desdobramentos da crise econômica mundial, no Brasil, as condições que sustentavam politicamente a gestão Dilma começaram a erudir, tendo como um dos pontos emblemáticos a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara.  Esse quadro institucional é agravado pelo escândalo de desvio de verbas da Petrobras.

“Há uma tentativa sistemática de associar a corrupção exclusivamente ao PT. Isso me parece um equívoco. Esse sistema de corrupção existe antes da chegada do PT ao governo. Não inventaram. Ocorre que setores que circularam na linha de frente do combate à corrupção aderiram ao sistema.

Quando o PT chegou ao Planalto Central as concessões foram tamanhas que ele se enredou no que criticava. O  partido e as forças que o apoiaram se tornaram parte do que queriam negar. Aí há grande frustração de vários setores da sociedade. Aqueles que tinham simpatia, se tornam desencantados ou tentam criar um outro caminho. Isso também cria ambiente para que a direita, que era tímida, se torne exuberante, barulhenta”, disse.

Em números

O índice de reprovação do governo Dilma é 71%, segundo pesquisa Data Folha divulgada no dia 6 deste mês. Supera a avaliação negativa do ex-presidente Collor às vésperas do impeachment dele em 1992.

O combustível da insatisfação 

Para lideranças de protestos de hoje, contra a presidente Dilma Rousseff, o povo nas ruas faz o que a oposição no Congresso não faz.

Sequência e equilíbrio

O Cientista social Marcelo Seráfico ver os atos de hoje como continuação dos de 2013, mas lembra que é preciso um debate equilibrado.

Pior que o Collor

Segundo pesquisa Data Folha, a avaliação negativa de Dilma Rousseff supera a do ex-presidente Collor às vésperas do impeachment dele em 1992.

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