Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
PRECÁRIO

Manaus registra queda de 44% nos serviços de saúde da Prefeitura

Levantamento divulgado pela plataforma e-Gestor do Ministério da Saúde mostra que a cobertura dos serviços em Unidades Básicas de Saúde (UBS) na capital vem caindo nos últimos seis anos



ubs_342A5DD6-788B-4554-8E66-5B319A9FC7A7.JPG Foto: Winnetou Almeida
09/12/2019 às 07:40

Levantamento divulgado pela plataforma e-Gestor do Ministério da Saúde mostra que, até setembro deste ano, a cobertura dos serviços de Atenção Básica em Saúde atendia apenas 44,3% da população de Manaus. É um índice menor do que o registrado no início da atual gestão da Prefeitura de Manaus, em janeiro de 2013, quando 51,61% da população recebia este tipo de atendimento.

Na época, a capital contava com 1,861 milhão de habitantes. Atualmente, o número chega a 2,145 milhões, indicando que o alcance dos serviços não acompanhou o crescimento da população. A falta de cobertura interfere no funcionamento da atenção especializada, causando lotação nos hospitais. 



“A maior demanda nos principais prontos-socorros da capital ao longo da semana está relacionada à rede básica de saúde”, disse Rodrigo Tobias, titular da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

O problema afeta o processo de habilitação de novas unidades de atenção especializada, coordenadas pelo Governo do Estado. Para que isso ocorra, se exige que 50% da população seja coberta pelos serviços da rede básica, em que a finalidade é organizar o fluxo nas redes de saúde de acordo com a complexidade dos casos. 

Os principais procedimentos da Atenção Básica em Saúde são consultas médicas, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames laboratoriais, tratamento odontológico, encaminhamentos para especialidades e fornecimento de medicação básica. A atenção primária é constituída pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e equipes de Atenção Básica.

O secretário da Susam também acrescentou que esse entrave existe também nas demais capitais brasileiras e se estende à busca por medicamentos. “Mantenho contato com o secretário municipal de saúde (Marcelo Magaldi Alves, titular da Semsa) e estamos acertando o repasse de unidades do Estado para ampliar a rede básica”, anunciou Rodrigo Tobias. 

Justificativas

“É fila o dia inteiro”, disse um funcionário, que preferiu não se identificar, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Balbina Mestrinho, localizada no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. “Falta tratamento preventivo”, completou. 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) atribuiu a variação nos últimos seis anos “à dificuldade de fixação de médicos na atenção básica, às mudanças no Programa Mais Médicos pelo Brasil - iniciadas com a saída gradativa desses profissionais sem a devida reposição - e, posteriormente, o fim do referido programa, anunciado pelo governo de Cuba, em 14 de novembro de 2018, com o retorno dos profissionais para o país de origem”. Inicialmente, 100 profissionais estavam cadastrados no programa. 

O órgão avaliou que os critérios da nova versão do Mais Médicos não serão capazes de atender as necessidades das capitais do País. Com o objetivo de aumentar o alcance dos serviços, a Prefeitura de Manaus prevê a realização de concurso público para o primeiro semestre de 2020, a criação da Escola de Saúde Pública (Esap), que atuará no âmbito da especialização em Saúde Pública, e a implantação do Programa de Residência Médica de Família e Comunidade. A meta é elevar o alcance da cobertura em 55% já neste mês.

“Deve-se considerar, ainda, que a administração do município prevê para 2020 a inauguração de cinco novas unidades de saúde (já em construção), o que poderá elevar ainda mais esse patamar”, diz trecho final da nota da Semsa. 
 

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