Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
SAÚDE

Manaus sediará 1º Simpósio Municipal de Plantas Medicinais e Fitoterápicos

Evento, organizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), acontecerá entre os dias 9 e 11 deste mês



PLANTAS_MEDICINAIS0222.jpg A ciência ainda discute a eficacia das plantas medicinais, mas para Ivoneide Paes elas são uma realidade concreta. Foto: Márcio Silva
07/07/2017 às 22:15

No próximo mês, Manaus vai sediar o 1º Simpósio Municipal de Plantas Medicinais e Fitoterápicos: da tradição à ciência. O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), acontecerá entre os dias 9 e 11 e busca compartilhar conhecimentos e saberes sobre as plantas medicinais e fitoterápicos de forma gratuita com acadêmicos, profissionais de saúde, professores, pesquisadores e usuários em geral.

O objetivo do simpósio é proporcionar a atualização de conhecimentos, com compartilhamento de saberes e valorização dos aspectos culturais locais, de forma a sensibilizar e mobilizar a sociedade para a implementação e manutenção, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), de ações que visem a promoção do uso de plantas medicinais e fitoterápicos, em consonância com as diretrizes nacionais.



O professor  da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Amazonas (FCF/Ufam) Emerson Lima destacou que a instituição  tem várias pesquisas na área de plantas medicinais e fitoterápicos adiantadas no ponto de vista da aplicação, mas falta investimento para a produção dos medicamentos. “Nós desenvolvemos a pesquisa, quem coloca o produto no mercado são as empresas e ai falta indústria inovadora”, explicou.

Lima citou como exemplo a pesquisa sobre a substância Amirona, encontrada na resina do breu-branco (planta encontrada em toda parte da Amazônia), que pode se transformar em um medicamento com potencial na redução da obesidade e de outras síndromes metabólicas. Ela foi testada em camundongos e mostrou-se eficiente não só na perda de gordura corporal, mas também na redução da glicemia e do triglicerídeo.

“No momento estamos confirmando os dados em animais para que possamos fazer a toxicidade da substância no organismo dos camundongos e poder avançar na parte clínica. Tenho entrado em contato com empresas privadas a fim de conseguir investimentos para o avanço do projeto. Nessa fase da pesquisa, o investimento é maior e normalmente contamos com a iniciativa privada”, ressaltou o professor.

Outra pesquisa que merece destaque, na opinião de Emerson Lima, é a que envolve o jucá (uma árvore amazônica de pequeno porte), cuja casca e vagem possuem princípios antioxidantes com potencial clareador e antienvelhecimento e que também poderiam apresentar efeitos no tratamento de problemas do fígado. “Este projeto também depende de empresas interessadas para que possa avançar”, observou.

Fitoterápicos no SUS
O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) está em vias de assinar um acordo com a RedesFitos: Inovação em Medicamento da Biodiversidade, ligada a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para fomentar a produção de fitoterápicos e a sua aplicação junto aos usuários do SUS. Mais detalhes serão dados em breve pela instituição.

A aprovação popular é certa
A comercialização de plantas e produtos naturais, que auxiliam em tratamento e até mesmo na cura de várias doenças, é algo antigo e que não enfrenta crises, que o diga os permissionários do Mercado Adolpho Lisboa, os quais trabalham com a venda de ervas medicinais e fitoterápicos. “Não falta público”, garantiu a empreendedora Nora Garcia.

A artesã Marcela Cardoso, 39, é uma dessas fieis clientes. Ela conheceu o “poder” das ervas que ajudam a emagrecer por meio de uma amiga e desde então se tornou uma adepta dos chás que prometem esse efeito, como a “cavalinha” e “detox alcalina”. De acordo com ela, emagreceu dez quilos em três meses.

A aposentada Ivoneide Paes, 58, também não abre mão dos chás de ervas medicinais, mas no seu caso, prefere os de unha-de-gato, sara tudo, boldo, crajiru, entre outros. Eles servem para combater diversos tipos de doenças. “Gosto mais dos produtos naturais do que os que encontramos nas farmácias porque com eles a gente melhora logo”, disse.

Amazônia fora da lista
O professor Emerson Lima disse que os desafios para o desenvolvimento de pesquisas em áreas de plantas medicinais e fitoterápicos são muitos, especialmente levando-se em conta que a lista do SUS de plantas com registros simplificados, ou seja, que tem processo de registro comercial do produto facilitado, tem apenas 70 nomes. E não são plantas originárias da Amazônia. “Isso é um entrave, mas não uma razão para não haver pesquisa”, declarou.


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