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Manaus tem 15 mil poços artesianos: situação preocupa estudiosos

Estudo do CPRM analisa a capacidade do aquífero de Manaus, usado de forma desenfreada por indústrias e residências 04/04/2013 às 07:38
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A prática de perfurar poços é comum a moradores de diversos bairros de Manaus, especialmente nas Zonas Leste, Norte e Oeste
Andre Alves ---

A construção desenfreada de poços artesianos em Manaus levou o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) a iniciar um diagnóstico que pretende avaliar a qualidade e a quantidade da água subterrânea disponível na cidade. Atualmente, pelo menos 15 mil poços, com profundidade de 30 a 150 metros, estão em funcionamento na capital - grande parte usada sem qualquer regramento. A maioria foi construída sem autorização de órgãos técnicos e sem acompanhamento profissional. A situação preocupa estudiosos da área.

Intitulado Carta Hidrogeológica da Região Metropolitana de Manaus, o estudo, cujo levantamento se estenderá para municípios como Presidente Figueiredo, Tefé e Carauari, procura mensurar o quanto de água subterrânea há disponível nas áreas pesquisadas, a qualidade do recurso hídrico e como a perfuração desenfreada de reservatórios, especialmente na capital, influencia nas propriedades e no estoque da água.

Para fazer o acompanhamento, o CPRM construiu em Manaus sete poços artesianos, com profundidade de até 80 metros, onde serão instalados sensores que vão monitorar a variação (subida e descida) e a qualidade da água subterrânea. “Esse ano vamos priorizar a análise da qualidade da água, fazendo coleta nos poços profundos para produzir um diagnóstico. Nos anos seguintes, vamos tentar quantificar essa água”, diz o superintendente do CPRM, Marco Antônio Oliveira.

A análise faz parte de uma parceria entre o CPRM e a Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos. Marco Antônio Oliveira diz que a conclusão do estudo será repassada ao Estado para que o governo tome providências a respeito das políticas públicas que deverá adotar com base no levantamento.

Ele sustenta que a falta de regulamentação na construção de poços artesianos em Manaus leva a um descontrole no uso do recurso. “Um poço pode secar em um determinado local, por exemplo, simplesmente porque outro reservatório foi construído em área vizinha, sem acompanhamento técnico. Seria bom se houvesse um controle. Hoje não tem regra nenhuma. Cada um tira a quantidade de água que quiser”, afirma Oliveira.

Segundo o CPRM, o recurso hídrico subterrâneo na capital é usado de forma cada vez mais crescente, especialmente nas Zonas Norte e Leste, onde o abastecimento do serviço público de água continua precário, o que estimula a população a buscar na construção de reservatórios profundos a solução para o problema. As fábricas do Distrito Industrial usam do mesmo recurso e a expansão imobiliária de Manaus também se refugia na construção de poços artesianos para atender a demanda.

“A Lei de Recursos Hídricos foi aprovada, mas falta ser normatizada. Como não foi, o Ipaam não tem como fazer a cobrança pelo uso da água subterrânea. Então, os poços são perfurados sem controle. O Ipaam dá uma licença provisória. Mas quando a lei for normatizada, isso vai acabar”, comentou hidrogeólogo do CPRM, Carlos Aguiar. 

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