Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
VALIDADE VENCIDA

Manaus tem 320 ônibus do transporte público com mais de 10 anos de uso

Quantidade corresponde a 20,5% do total de coletivos. 96,1% tem mais de seis anos em funcionamento



show_1_4D027036-1AB4-4F42-B2D6-1CB4E34A766E.jpg Foto: Arquivo/ A Crítica
01/09/2019 às 18:37

Hoje circulam pelas ruas de Manaus 320 ônibus do transporte convencional com validade vencida por terem mais de 10 anos de vida útil. A realidade enfrentada por 550 mil pessoas que utilizam diariamente o transporte coletivo é de uma frota sucateada e até irregular.

A reportagem de A CRÍTICA teve acesso a um levantamento com dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), antigo SMTU, que ao avaliar a idade dos veículos aponta que 96,1% do total da frota de Manaus têm mais de seis anos, o equivalente a 1.498 ônibus. Desse total, 320 são coletivos com mais de 10 anos de uso, corresponde a 20,5% do total da frota.

Em quase nove anos, a frota total aumentou em nove ônibus, conforme dados do IMMU. Em dezembro de 2010, ainda na gestão Amazonino Mendes, o total de veículos era 1.550 e em agosto deste ano soma 1.559, um crescimento em termos relativos de 0,6%. Todavia, houve oscilações na quantidade de ônibus sendo dezembro de 2015 o maior registro (1.610) e dezembro de 2017 o menor (1.488). Em dezembro de 2018, 1.571 carros operavam no sistema de transporte coletivo.

Flexibilização

A Lei Orgânica do Município (Lomam) determina às empresas a renovação de 25% da frota por ano, limitando o tempo de vida útil em seis anos. No entanto, no primeiro ano de mandato o prefeito Artur Neto (PSDB) aumentou a vida útil dos coletivos para dez anos por meio da Lei nº 1.779 de 17 de outubro de 2013, sem alterar a Lomam.

De acordo com planilha do IMMU, das dez empresas que operam hoje em Manaus apenas duas não possuem veículos com idade média acima de 10 anos. São elas: Global e  Vega. O documento também revela que os ônibus mais novos estão na Via Verde (30) e na Expresso Coroado (10), adquiridos em 2017.

O último registro de inserção de veículos foi em 2017 quando 40 ônibus foram inscritos no sistema. Nesse mesmo ano, houve o reajuste da tarifa de R$ 3,30 para R$ 3,80 com promessas por parte do gestor municipal em adquirir 200 ônibus com ar-condicionado.

Enquanto a prefeitura não cobra dos empresários a renovação da frota, usuários sofrem nas paradas e dentro dos ônibus. “Pra chegar no Centro as vezes pego três ônibus. Vai quebrando e vai pegando outro até chegar ao destino. Quando chove, molha tudo. É uma zoada horrível do motor e dos os vidros soltos, sem falar das paradas que são precárias”, declarou a moradora da Zona Leste de Manaus, Eunice Rodrigues, de 53 anos.

Denúncia ao MPE

Em 2017, o deputado José Ricardo (PT) denunciou ao Ministério Público do Amazonas  o descumprimento da legislação que exige a renovação da frota. “O Ministério Público não levou adiante. Agora solicitei informações da própria prefeitura e do IMMU. Os dados comprovam que a frota envelheceu mais ainda e em quase 10 anos reduziu ao invés de aumentar, embora a população cresça todos os anos. A população paga por uma tarifa para andar com ônibus novo e a prefeitura não está tomando providências”, declarou o parlamentar adiantando que irá ingressar neste mês com uma nova representação no órgão de controle.

Renovação exige recursos

O assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), Fernando Borges, atribuiu a falta de investimento na frota à  queda do número de passageiros na ordem de 30%, nos últimos três anos, e a permanência dos custos fixos do sistema.  “O sistema entrou em um déficit muito alto. Hoje, temos aproximadamente R$ 400 milhões de prejuízo acumulado decorrente da conjuntura negativa com a queda de passageiros, dificuldade de mobilidade urbana e investimentos governamentais em outros setores”, disse.

Borges afirmou que a renovação da frota exige a captação de recursos externos ou subsídio. Um ônibus convencional custa R$ 350 mil e um veículo articulado, o ônibus expresso, é no valor de R$ 1,2 milhão. “Estamos buscando uma saída. A renovação requer crédito e investimentos. O maior interessado são as empresas porque a frota antiga é cara de se manter. Quanto mais nova, melhor”, declarou.

Dez empresas operam no consórcio de transporte coletivo: Rondônia, Açaí, São Pedro, Integração, Via Verde, Expresso Coroado, Global, Transtol, Líder e Vega.  Desde o final de julho elas estão sob intervenção financeira da Prefeitura de Manaus, medida que deve durar 90 dias. O interventor Francisco Bezerra informou que o processo está em andamento na fase de coleta e análise de dados. “Tudo vai ser compilado no relatório final que será entregue ao prefeito”, disse.

Em agosto, representantes do transporte alternativo reivindicaram a quantia de R$ 2,5 milhões em pagamentos atrasados e bloqueados após a assinatura da intervenção.

 

News larissa 123 1d992ea1 3253 4ef8 b843 c32f62573432
Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.