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‘Manaus tem caminhos, não está mais perdida’, diz prefeito Artur

Às vésperas do Natal, prefeito Artur Neto anuncia pacote de obras para próximo ano e destaca o enfrentamento ao problema da mobilidade em Manaus. Ele falou em entrevista ao A CRÍTICA sobre os focos da segunda metade da sua gestão 21/12/2014 às 11:48
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Prefeito anuncia pacote de obras para 2015 e destaca o enfrentamento dos problemas de Manaus
LUCIANO FALBO Manaus (AM)

Prestes a encerrar a primeira metade do seu mandato, o prefeito Artur Neto (PSDB) faz um breve balanço da sua gestão e fala das expectativas para o ano que vem. Entre memórias de sua primeira passagem pela prefeitura, o tucano anuncia alguns projetos que considera ser verdadeiros presentes para os manauaras, como o projeto de revitalização da orla da Manaus Moderna. A seguir, confira trechos da entrevista.

Recentemente, Manaus foi incluída na lista dos 10 roteiros mundiais a ser visitado em 2015 por uma agência reconhecida. Isso em meio ao pessimismo em relação à economia brasileira no ano que vem...

A nossa cidade desperta a curiosidade e mexe até com o lado místico das pessoas. Na Copa, me lembrei que a minha professora de geografia econômica Berta Becker dizia que três cidades brasileiras têm vocação para ser capitais mundiais e pensei: puxa, é verdade. Tem resultado da Copa do Mundo, do trabalho de propaganda que se fez, é resultado do que se plantou como o voo da TAP que o Omar e eu conseguimos. Porém, mais que tudo, é resultado do que a gente é. É inesquecível. Quem olha fica impressionado com a cidade, seu Centro Histórico, com a cultura do povo.

A Copa, então, cumpriu o papel esperado em relação ao turismo?

Cumpriu. Teve uma pitada do nosso trabalho com o governo, da parceria. Mexemos na cidade. Ela está melhor, mais bonita e está crescendo. Creio que esse conjunto: a beleza natural da cidade e do seu povo, nosso esforço conjunto, a nossa cultura contribuiu. Somos uma civilização de 345 anos, não é brincadeira não, não e pouca coisa. Essa civilização é um chamariz para os turistas. Tudo isso me faz acreditar que esse destino de ser vocação para o turismo vai ser inteiramente cumprido.

O senhor está encerrando a primeira metade do seu mandato. Qual a marca que acredita ter deixado nesses dois anos?

Têm algumas marcas como a regulamentação dos mototaxistas, que está na fase final. Eu poderia falar da única administração que fez uma obra do porte de um viaduto, o Complexo 28 de Março, com recursos próprios. Do asfalto de qualidade. Mas tem uma coisa que me marca muito: nós termos em sete meses restaurado o Mercado Municipal Adolpho Lisboa. Outra coisa emblemática foi a história com os camelôs. Todo mundo sabe os problemas que enfrentei no passado. Tive que retirá-los das ruas por absoluta necessidade da economia. Administrar é muitas vezes ter que escolher entre o desastroso e o desagradável.

Qual é a diferença?

O desastroso é aquele que empurra com a barriga, que vê o problema e depois o desastre se abate sobre ele. O desagradável é o administrador que, quando vê a crise, a enfrenta, se tem que cortar, corta, se tem que fazer, faz. E enfrenta as críticas que nascem daí.

O senhor teve que ser desagradável?

Naquela altura, eu fui apoiado. O Ibope, quando era bom, me deu 84% de aprovação à retirada. Houve uma demonização política do episódio. Exageraram. Eu não comandava a cavalaria. Eu pedi ao governador Vilvaldo Frota para retirar os camelôs.

Não daquela forma...?

Nem disse como. Só pedi para ele retirar. Ele também achava que era necessário. Depois, houve choque. Mas nada grave. Exploram aquilo, passa o tempo e eu me elejo o senador com a maior votação dada até então, mas ainda com aquela mancha. E de repente surge a possibilidade de fazermos a retirada agora de maneira pacífica, dando condições de vida, com todo um planejamento, com os camelódromos provisórios, com a Galeria Espírito Santo, com o complexo do T4 que estamos fazendo.

Vai ser como um shopping?

Sim. Vai ter supermercado. Se for possível, agência bancária. Vai ter uma boa praça de alimentação, um cinema de filmes amazonenses e uma sala de teatro. E pista de caminhada e corrida, e três quadras poliesportivas. Hoje em dia, falar mal de mim na frente deles é o mesmo que estar xingando. Essas para mim são as marcas. Estamos tentando dar vida à cidade. Hoje, Manaus tem caminhos, não está mais perdida. Os indicadores já melhoraram. Falta resolver a questão da mobilidade. Mas as pessoas sabem que estamos tentando resolver. Manaus está de bem consigo.

Quais os presentes de Natal, que serão iniciados ano que vem pela prefeitura, que o senhor pode nos anunciar?

Vamos ter duas UBS’s ribeirinhas, que são grandes balsas, para dar uma assistência decente. Temos um projeto de fiação subterrânea para a avenida Eduardo Ribeiro. Temos um projeto de revitalização da orla da Manaus Moderna. Vamos continuar investindo na infraestrutura dos bairros. Vamos construir mais creches. Eu espero atingir o meu objetivo de 110 creches em quatro anos. Já fizemos 16, temos 10 em construção e 40 na fase de licitação.

O custo de manutenção das creches é a maior pedra no sapato?

Exatamente. O custeio é brutal. É o valor de uma creche. É o mesmo que construir uma creche por mês, assim como as UBS’s.

Nas últimas semanas, o senhor tem sido enfático quando diz que é preciso dar um jeito na crise de mobilidade...

Não podemos é deixar como está. O fundamental é que a presidente da República não se omita mais e encare a realidade. Ela é a principal responsável pela questão da segurança e da mobilidade urbana. Jogar para o governador, para o prefeito não é honesto. Acabou a campanha. Por que ela não desonera a cadeia produtiva dos ônibus para ajudar a diminuir o preço das tarifas? Nós, da frente de prefeitos, reivindicamos a desoneração da cadeia para baratear o custo dos ônibus e consequentemente do sistema. Por que ela não repassa a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico para as prefeituras? Para investirmos na mobilidade. A presidente precisa financiar um sistema de alta tecnologia para nós.

O senhor tem algum encontro marcado com ela para tratar do assunto?

Tendo tudo definido vamos conversar sim e dizer: presidente, a senhora quer participar? Se não, não temos como fazer. A prefeitura e o governo não têm esse dinheiro para o novo modal a ser implantado.

Ano que vem, a parceria com o governador José Melo continua?

Continua. Ele tem sido fraterno e correto nas afirmações de lealdade, companheirismo. Esse é o grande ganho da política, da eleição. A parceria mostra que em vez de estarmos puxando um para um lado e o outro para o outro estamos puxando para a mesma direção. Nossa gestão é bem avaliada e a dele também por conta dessa parceria. E isso vem desde o Omar. O governador José Melo é uma pessoa que transmite humildade. Ele contrariou as pesquisas e chegou de cabeça erguida, reafirmando que ia dar continuidade a um governo, um estilo que deu certo, de parceria. Ele e eu acreditávamos nessa vitória.

Qual a avaliação que o senhor faz da sua relação com a bancada de situação na Câmara Municipal nesses dois anos?

Muito boa. Aprovamos tudo o que foi preciso para Manaus. Ressalto sempre o papel e o valor da Câmara. Aprovamos lá projetos importantes como o Plano Diretor, pedidos de empréstimos. Faltam só os empréstimos saírem. A Câmara nunca me negou nada, sempre me tratou de forma altaneira e é claro que eu sou grato por isso.

Qual o peso do diálogo na sua gestão?

Esses dias, passei horas reunido com o sindicato dos rodoviários e depois eu reuni com os empresários. Gosto de conversar. Não faço a política com o fígado. Tem gente que é especializada em pegar aliados e transformar em adversários. Eu me especializei em pegar adversários e transformá-los em aliados. Posso dizer, em tom de brincadeira, que há 36 anos faço a mesma praça. Não mudei de lugar. Ando de cabeça em pé nas ruas. Sou cheio de amigos e de pessoas que creem no meu trabalho. Tem gente que cisca para fora. Eu cisco para dentro.

E o ‘fardão’ de prefeito, como surgiu?

Ele tem um simbolismo. É igual o do pessoal da Seminf. Essa farda me iguala a eles. Eles sabem que eu sou um companheiro de trabalho, que trabalha como eles com ou sem chuva, de dia e noite. A farda não suja. Se alguém quiser falar comigo na rua, consegue me identificar, está escrito: prefeito. O prefeito é acessível. É uma marca. É tipo assim: quando eu estiver com ela, estou em serviço.

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