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Manaus tem hoje a tarifa de ônibus mais cara do Brasil

Em um ano, fazendo uso de duas passagens durante cinco dias por semana, o manauara gasta R$ 1.392 com transporte 20/06/2013 às 07:52
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Apesar do alto custo da tarifa, passageiros reclamam muito do serviço: é pouca a quantidade de ônibus, os veículos estão velhos e frequentemente dão pane
FLORÊNCIO MESQUITA ---

Manaus é a capital com a tarifa do transporte coletivo mais cara da País. O manauara precisa trabalhar 16,7 minutos por dia para pagar o atual valor de R$ 2,90, enquanto no Distrito Federal, em Brasília, que tem a menor tarifa do País - de R$ 1,50 -, o cidadão consegue custear o valor com 4,9 minutos de trabalho. O trabalhador de Manaus usa, em média, duas passagens para ir e voltar do trabalho, o que totaliza R$ 5,80 por dia. Em cinco dias úteis de trabalho, o usuário paga R$ 29 pelo transporte e R$ 116 em um mês. No acumulado de um ano, o manauara tem uma despesa de R$ 1.392 com transporte, utilizando duas passagens durante cinco dias por semana. 

O detalhe é que a população continua pagando também R$ 0,05 a mais na tarifa. O valor deveria ser aplicado na melhoria do sistema atual e na implantação do Sistema Inteligente de Gestão Integrada do Transporte (Sigit), o que não foi feito. A tarifa passou de R$ 3 para R$ 2,90, há duas semanas, sendo que em dezembro a última gestão da prefeitura apresentou cálculos apontando a tarifa justa para o transporte no valor de R$ 2,91. A atual gestão elevou a passagem de R$ 2,75 para R$ 3, alegando que o valor estava defasado, e tornou a reajustar desta vez para R$ 2,90, apenas um centavo abaixo do valor apresentado há seis meses. Na ocasião, a justificativa para elevar a tarifa de R$ 2,75 para R$ 2,91 foi que não havia aumento há um ano e sete meses.

O cálculo sobre a tarifa foi realizado pelo jornalista e comentarista econômico Carlos Alberto Sardenberg e levou em consideração o salário médio de cada Estado ajustado pela inflação. Ele não apresentou os dados que serviram de base para o cálculo. Porém, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quarta-feira (19), A CRÍTICA, que o salário médio do trabalhador com carteira assinada do Amazonas é de R$ 1.057,56 e em Manaus de 1.419,44, conforme o Censo de 2010. Quanto à população que possui rendimento médio mensal com 10 anos ou mais anos de idade, o valor foi R$ 647,69, no Amazonas, e R$ 900,47, em Manaus.

A correção da inflação seguindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 6,5% em 2011, além de 5,84% em 2012 e 2,88% até maio desde ano.

Manaus está à frente de todas as outras capitais, apesar de a tarifa de São Paulo ser R$ 3,90 e do Rio de Janeiro R$ 2,95, porque a população, com base no salário que recebe, precisa trabalhar mais que as outras regiões para custar o valor. A passagem de ônibus em Manaus ainda pode ser menor porque existem 20% de impostos sobre os veículos, além de gastos com combustíveis, reparos que poderiam ser menores casos o poder público decida intervir.

Capitais reduzem valor cobrado

Quatro capitais reduziram o valor da tarifa de transporte coletivo nas últimas duas semanas. Algumas atendem a pressão feita pela manifestação nacional, que pede o valor mais baixo da passagem, entre outras reivindicações. Outras capitais se basearam na medida provisória do Governo Federal, que zerou os impostos do PIS e Cofins, no começo do mês, pagos pelos empresários do transporte coletivo.

Manaus se juntou ao grupo com uma redução de R$ 0,10, justamente pela redução dos impostos. Em Cuiabá, a tarifa de R$ 2,95 passou a ser R$ 2,85 na segunda-feira. No Recife, houve redução de R$ 0,10, o que fez com a passagem ficasse em R$ 2,15. Em João Pessoa, a tarifa de R$ 2,30 passou para R$ 2,20, mas só entra vigor em julho. Também houve redução em Natal e em Vitória. A última a aderir à redução foi a capital gaúcha Porto Alegre, anteontem, depois de um protesto tumultuado. A passagem foi de R$ 3,05 para R$ 2,80,  porém o valor está sendo discutido na Justiça. A prefeitura terá que subsidiar R$ 15 milhões por ano para manter a nova passagem.

Comissão do MPE apura situação

O Ministério Público do Estado (MPE) instaurou uma comissão para apurar a fundo a situação do transporte coletivo na cidade. A comissão foi instalada há menos de um mês e está fazendo um levantamento histórico de todas as ações que foram realizadas ao longo de 15 anos sobre o transporte. O resgate leva em conta desde as ações ajuizadas até as que não tiveram continuidade. A intenção é saber o desfecho de cada uma. Foi estabelecido o prazo de dez dias para que os promotores que já cuidaram do tema informem para a comissão o balanço das ações.

Segundo a promotora de Justiça e presidente da comissão, Jussara Pordeus, a iniciativa também servirá para que não sejam registradas ações repetitivas. Ela explicou que a ação será fundamental para todos os envolvidos, principalmente para a Prefeitura de Manaus. “Acaba que as administrações que assume o executivo municipal não tomam conhecimento da ações que foram feitas nas gestões anteriores. Existem vários Termos de Ajustamentos de Conduta (TACs) assinados, mas será que as atuais administradores estão cientes deles?”

A Prefeitura de Manaus pode ser chamada, mas só depois de fazer todo o levantamento. “Ainda não temos como falar sobre resultado porque ainda está muito prematuro adiantar alguma coisa. O MPE tem trabalhado há 15 anos o tema transporte coletivo. Precisamos saber o que foi efeito, quais as ações que andaram, por que outras não tiveram andamento do poder judiciário. Também se os TACs foram cumpridos. Tudo isso está sendo resgatado. São muitas promotorias que atuaram no transporte coletivo desde a do consumidor, urbanismo, patrimônio, fazenda e outra”, disse.

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