Segunda-feira, 19 de Abril de 2021
POUCA REPRESENTATIVIDADE

Manaus tem o menor número de vereadoras na CMM em mais de 50 anos

Atualmente a Câmara Municipal de Manaus conta com apenas quatro vereadoras. É o menor número desde 1964, quando a CMM teve uma representante mulher pela primeira vez



show_CAMARA-MUNICIPAL-DE-MANAUS_5BF07F60-D1EF-4589-B2B3-984A83FE74C4.jpg Foto: Divulgação
08/03/2021 às 13:56

Na história da Câmara Municipal de Manaus (CMM), apenas 25 mulheres ocuparam as cadeiras do legislativo da cidade. Atualmente, com 41 vagas, a 18° legislatura que tomou posse em janeiro, tem 4 vereadoras, o menor número desde 1964, com a eleição da primeira vereadora, pela 5° legislatura.

Nesta legislatura, as vereadoras ocupam menos de 10% das vagas da Casa. Na legislatura anterior, o número de vereadoras era de cinco. 



No dia Internacional da Mulher, celebrado nesta terça-feira (8), as vereadoras da Câmara Municipal discursaram sobre o desafio de ser mulher no parlamento ainda predominantemente masculino.

A vereadora Glória Carratte (PL), parlamentar com seis mandatos, afirmou que apesar de ser mulher, o seu principal eleitorado tem sido os homens. Na avaliação dela, as mulheres ainda têm um certo estigma e não voltam em candidatas mulheres.

"Ainda existe o preconceito da mulher. Que mulher não vota em mulher. A mulher não gosta de ir na médica mulher, porque ela acha que a mulher não é capaz tanto quanto o homem. É triste isso, mas não perco a esperança", disse.

A vereadora de primeiro mandato, Yomara Lins (PRTB), declarou que as parlamentares devem se posicionar como "mulheres" e "guerreiras" na execução da atividade parlamentar. Yomara lembrou da rotina dupla das mulheres que ainda se dividem entre trabalhos domésticos e carreira profissional. 

“Cada mulher tem o seu valor, que o nosso dia não seja comemorado, somente hoje, mas que sejam todos os dias. Seguimos aqui defendendo os direitos das mulheres que estão hoje sendo agredidas, sendo violentadas de qualquer forma, precisando de uma voz. Estamos aqui para ser a sua voz”, afirmou. 

A também vereadora de primeiro mandato, Thaisa Lippy (Progressistas), registrou que apesar da participação feminina ser ainda pequena, avanços neste sentido foram iniciados. Entretanto, Lippy lembra que uma “longa jornada” ainda está pela frente. 

A parlamentar anunciou que protocolou um projeto de lei que trata sobre adoção de uma cota de 5% para contratação de mulheres vítimas de violência doméstica por empresas que têm contratos com a Prefeitura de Manaus. 

“Esse emprego pode ser a esperança que muitas mulheres precisam para mudar uma história de violência e sofrimento”, concluiu.

Professora Jacqueline (Podemos) destacou a luta feminina pelo voto lembrando que para votar no Brasil as mulheres precisaram, no passado, serem casadas e ter permissão formal do cônjuge para isso.

"Não podemos fazer um discurso de vitimização. Não, nós somos corajosas, verdadeiramente guerreiras, se não fossemos assim que estaríamos falando hoje, valeria a pena. Foi através da insubordinação, por meio da insatisfação que a gente ocupou os espaços”. 

Queda de representação

Desde a 5° legislatura (1964-1969), a presença feminina na Câmara de Manaus se manteve entre quatro e cinco parlamentares por legislatura. A partir da 14° legislatura (2005-2008), o número de mulheres parlamentares aumentou para oito. Na legislatura seguinte, o número caiu para sete.

No entanto, a contar da 17° legislatura (2017-2020), voltou ao patamar tradicional de cinco vereadores, até a atual legislatura, que registra o menor número desde a primeira eleição feminina em 1964. 

O levantamento foi feito com base nas informações do site da Câmara Municipal de Manaus.


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