Publicidade
Manaus
Manaus

Manifestação em Manaus é marcada por cidadania e vandalismo isolado

Um grupo de manifestantes  atirou garrafas de vidro em cima dos policiais do Choque que se situavam na área externa da prefeitura e chegaram a tentar arrombar o portão principal do órgão; na Arena da Amazônia milhares de pessoas cantaram o hino nacional e conduziram o protesto de forma pacífica 21/06/2013 às 09:39
Show 1
Um grupo de manifestantes atirou objetos e garrafas sobre os policiais do Choque
Bruno Strahm e Laynna Feitoza Manaus, AM

A capital amazonense foi dividida em atos de cidadania plena e vandalismo isolado em diferentes regiões da cidade na mobilização desta quinta-feira (20). A manifestação em Manaus tomou duas frentes: uma parcela - composta por mais de 80 mil pessoas, segundo a PM - seguiu até a Arena da Amazônia enquanto a outra - formada por aproximadamente 3 mil pessoas, conforme a Semcom - desviou o percurso até a Prefeitura de Manaus. Na frente da PMM, um grupo de manifestantes se exaltou e apedrejou o órgão, um ônibus foi incendiado e um policial foi ferido. Ninguém foi detido.

No primeiro trajeto, que partiu do Centro de Manaus até a Arena da Amazônia, os manifestantes legítimos protagonizaram momentos de cidadania e tranquilidade, carregando cartazes e faixas com reflexões e reivindicações, e entoando músicas.

Durante a passeata, policiais e demais públicos interagiram respeitosamente. No percurso, a Banda da Polícia Militar esteve à frente da caminhada. Um dos pontos altos do ato foi marcado pelos presentes na Arena ao cantarem o Hino Nacional de costas para o estádio, em um protesto pacífico do início ao fim.


Já no segundo trajeto, finalizado na prefeitura de Manaus, parte dos manifestantes integrou atos de vandalismo - contrários à premissa do manifesto - e tentaram arrombar o portão principal do órgão ao chegarem na frente do local, por volta das 18h30. De acordo com testemunhas, enquanto um grupo forçava o portão e atirava objetos explosivos, outros manifestantes pacíficos gritavam os dizeres “Sem violência”. 

Ainda segundo as testemunhas, o grupo também atirou garrafas de vidro em cima dos policiais do Batalhão de Choque que se situavam na área externa da prefeitura. O prédio não chegou a ser invadido.

O universitário Messias de Souza afirmou que ainda no Centro um grupo que pertenceria supostamente à União da Juventude Socialista (UJS), do PCdoB, teria ‘atiçado’ os manifestantes a desviarem do trajeto oficial e irem para o órgão. “Estou me sentindo usado, porque achei que iríamos ter um protesto pacífico aqui na prefeitura”, lamentou.

Alguns presentes alegaram que o grupo de manifestantes que atacava a prefeitura atirava pedras e rojões na guarita do órgão, que teve as janelas destruídas. Houve também um princípio de fogo feito pelo grupo entre a calçada e a grade, no intuito de assustar a população presente. Eles tentaram ainda cercar a prefeitura pelas laterais da sede da administração municipal.

"Esses atos de vandalismo gratuito não podem representar o que foi a maior parte da manifestação, que estava calma e organizada. É lamentável que excessos tenham sido cometidos por grupos isolados", disse Ítalo Calvino, manifestante.

Ao verem que o grupo não iria cessar os ataques ao órgão, policiais do Batalhão de Choque e da Força Tática lançaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, no intuito de dispersar a parcela de pessoas exaltadas na frente da prefeitura.

O comandante do Comando de Policiamento Especial (CPE), Aroldo Ribeiro, disse que a medida foi necessária porque o patrimônio público estava sendo apedrejado. Ele informou ainda que um policial militar foi ferido por uma pedrada.

Segundo as testemunhas, alguns moradores dos arredores da prefeitura juntamente com o grupo de manifestantes tentaram empurrar um ônibus da linha 001 em um córrego, e em seguida, atearam fogo no coletivo. O Corpo de Bombeiros controlou as chamas.


Em seguida, o mesmo grupo apanhou entulho e colocou no meio da Avenida Brasil, e logo após atearam fogo no material.  Ao serem dispersados, já a 300 metros da prefeitura, alguns moradores da região, exaltados, atearam fogo nos pontos de ônibus e nos matos em torno de um igarapé. De acordo com testemunhas, eles estavam armados com pedras e alegaram que cometeram tais atos por estarem se ‘defendendo da violência policial’.  

Entenda a passeata

Algumas das principais vias do Centro da cidade de Manaus foram conduzidas pelo manifesto na tarde desta quinta (20). O trecho entre o porto da cidade e o fim da Avenida Eduardo Ribeiro, 7 de Setembro, Epaminondas e Getúlio Vargas foi tomado por manifestantes no perímetro de mais de três quilômetros durante a concentração.

Após saírem do Centro, a massa de pessoas se dividiu em dois grupos diferentes. Um deles, menor, seguiu para a Avenida Brasil, bairro da Compensa, em direção à Prefeitura de Manaus, e o outro desceu a Avenida Djalma Batista, em direção à Arena da Amazônia.

Os participantes que rumaram ao estádio cantaram canções de artistas que defenderam seus ideais na história - como Legião Urbana - e fizeram uma variedade de reivindicações. Entre elas, melhorias na saúde, redução de preços de produtos como a farinha e tomate, falta de água, melhorias para os problemas da área da saúde e educação.

O governo de Dilma Rousseff e questões ligadas à homofobia foram bastante criticadas pelos manifestantes, que promoviam paz a quem acompanhava o trajeto. Nos cartazes e faixas, dizeres como 'Queremos escolas e hospitais padrão FIFA' e 'Da Copa eu abro mão, prefiro educação' deram voz às principais solicitações do ato.


O Coronel Almir David, comandante da Polícia Militar do Amazonas, confirmou que o número de participantes da manifestação já atingia cerca de 70 mil no início da noite.

Segundo Samuel Ambrósio, um dos que participaram do ato, o clima entre os manifestantes foi marcado por ordem e não houve indícios de violência entre eles no trajeto que seguiu para a Arena. A polícia militar se espalhou em locais estratégicos e apenas observou a movimentação de pessoas. O clima ficou tenso quando um grupo desmembrado do manifesto oficial chegou à prefeitura e protagonizou atos de vandalismo.


Pedras em coletivos

Alguns coletivos tiveram os vidros quebrados por pedras no começo da manifestação, que ocorreu pacífica na área central.

Detidos

O Coronel Peterson, da Polícia Militar, confirmou a detenção de quatro pessoas que estavam armando confusão nas imediações do Centro de Manaus. Elas estavam portando armas brancas e foram encaminhadas ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Em um ponto de triagem criado pela polícia militar entre as ruas Monsenhor Coutinho e Ferreira Pena, duas pessoas foram detidas com uma garrafa de gasolina e material para pichação.

* Leia mais na edição impressa do Jornal A Crítica desta sexta-feira (21)

Publicidade
Publicidade