Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
Críticas ao governo

Manifestantes do Grito dos Excluídos e Excluídas questionam atitudes de Bolsonaro

Segundo representantes católicos, a atual gestão do governo 'não representa o evangelho de Jesus Cristo" e não traz benefícios para as pessoas que mais precisam



grito_dos_excluidos_924F5530-7750-41FE-B720-A6FBC53F46A9.jfif Foto: Maria Luiza Dacio
07/09/2021 às 16:33

Centenas de pessoas começam a reunir-se no Largo Mestre Chico, zona Centro-Sul de Manaus, neste terca-feira (7), Dia da Independência. Com bandeiras de movimentos sociais, religiosos e brasileiras o Grito dos Excluídos e Excluídas começa a ganhar forma convocando o povo 'Pela Vida em Primeiro Lugar'.

Com o cancelamento da bicicleata planejada para sair da Constantino Nery, por divergências dos organizadores sobre o percurso que passaria nas proximidades do ato dos movimentos de direita. O evento católico está concentrado no Largo Mestre Chico onde seguirá até às 18h.



Foto: Maria Luiza Dacio

União popular

O arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Snaider, ressaltou a união de forças entre diversas frente populares e  partidos que ao longo do tempo havia se distanciando da Igreja Católica, mas que, de acordo com ele, perceberam a necessidade de construção de um elo em defesa dos direitos sociais ante ao desmonte organizado pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido). 

"No passado o Grito dos Excluídos sempre foi muito aberto a essas manifestações, em diversos movimentos, depois eles se distanciaram um pouco, e atualmente nós percebemos o desejo de novo de participarem, provavelmente, devido às questões que se tornam mais difíceis hoje como a questão de democracia, a questão da política, a questão também econômica que muito difícil hoje com a manifestação. E também essa agressividade que existe dentro da sociedade com a tensão que existe hoje nos poderes da República", declarou o líder religioso.

Foto: Maria Luiza Dacio

Críticas ao governo

Já o agente de pastoral da Paróquia São Pedro Apóstolo, Marcos Brito ressaltou que o tema do ato, sempre convocou os católicos a questionar a conjuntura política independente dos governos que ocuparam as cadeiras do Planalto. 

"Nós estamos aqui porque acreditamos que através da organização da sociedade que nós podemos trazer através de políticas públicas benéficios como o preço do arroz mais em conta, um feijão mais em.conta, uma gasolina mais em conta porque isso tudo atinge diretamente aqueles que Jesus sempre defendeu: os pobres, os miseráveis, aqueles que estavam à margem da sociedade", disse Marcos.

Foto: Maria Luiza Dacio

Ele obseva que o presidente da República não tem feito falas para buscar uma união entre os três poderes e questiona as decisões tomadas pelo mandatário e da população cristã.

"Esse sistema que aí está representa o evangelho de Jesus Cristo? Esse sistema trás benefícios para as pessoas que mais precisam? Nessa realidade que nós estamos vivendo o pobre está tendo oportunidade de viver com o mínimo de dignidade?", ressalta o agente de pastoral. 

Luta por melhorias

Presente no movimento concentrado no Largo Mestre Chico, Zona Centro Sul, neste Dia da Independência, o professor e advogado, Juvenal Federino, lembra que o evento é uma tradição em todo o Brasil e sempre foi um posicionamento contrário à política de governo que retira dos mais pobres para favorecer os mais ricos.

Foto: Maria Luiza Dacio

"É uma oportunidade da gente lutar pelo emprego, pelas melhores condições de vida, pelas minorias, pelos negros e índios. Eu como professor entendo que é importante a participação neste momento. É a oportunidade dos excluidos darem o seu grito de revolta lutando pelo empregos, por melhores salários, contra a violência e melhor educação deste país", declarou. 

Cuidado com aglomerações

Mesmo com uma quantidade significativa de participantes, o arcebispo Dom Leonardo ressaltou que a recomendação é para que não haja aglomerações e que todos os manifestantes realizem o uso de máscaras, em atenção às medidas sanitarias contra a Covid-19. Durante o ato os manifestantes se reuniram sem a distância mínima de um metro e meio, mas realizavam o uso de máscaras de proteção. 

Defesa da democracia

Dom Leonardo também considerou um questão democrática as manifestações organizadas em outros pontos da cidade de Manaus, inclusive uma delas convocada por cristãos protestantes, na Bola da Suframa, no Distrito e outras duas sob demanda dos movimentos de direta na Praça do Congresso, bairro Centro, e na orla da Ponta Negra, zona Oeste. 

"As pessoas têm toda a liberdade de se manifestar contra ou a favor. Nós aqui estamos no Grito dos Excluídos e Excluídas e certamente também teremos outras manifestações. Que haja isso é importante para que a sociedade brasileira perceba que nem todo mundo concorda é que está propondo um novo modo de política", justificou o religioso.

Sobre o ato

O Grito dos Excluídos e Excluídas é um evento organizado há 27 anos pela Arquidiocese Metropolitana de Manaus e que neste ano convoca um chamado pelos direitos sociais como moradia, comida e saúde com o tema 'Pela Vida em Primeiro Lugar'. Neste ano, o ato contará com apoio de diversos movimentos sociais contrários à política do presidente da Republica.

News giovanna 9abef9e4 902c 428b a7c8 c97314664fb7
Repórter
Repórter de A CRÍTICA. Sempre em busca de novos aprendizados que somente uma boa história pode trazer.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.