Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020
DOCUMENTO

Manifesto de bispos pede afastamento de cúpula da Segurança no AM

Operação na região do Rio Abacaxis gerou protestos por parte dos líderes religiosos; SSP disse que mortes estão sendo investigadas e que operação combateu traficantes



DIVULGA__O_SSP-AM__5__7B6D4C50-FBC6-4F45-8661-F3D94016E170.jpg (Fotos: Divulgação)
24/08/2020 às 17:43

Um manifesto assinado por 12 bispos e arcebispos integrantes da Conferência Nacional dos Bispos  do Brasil (CNBB) da Região Norte divulgado hoje pela manhã pede que sejam afastados das suas funções o secretário de segurança pública coronel Louismar Bonates, o comandante da Polícia Militar  coronel Aylton  e o corregedor geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP) delegado George Gomes.

De acordo com o documento  a manifestação dos religiosos da Igreja Católica é contra a violência da Polícia Militar no Rio Abacaxis e na Terra Indígena Coata-Larajal, nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba. O manifesto foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Polícia Federal. 



A SSP informou que a operação encerrou no dia 14 de agosto para “restabelecer a ordem e livrar essas comunidades da opressão perpetrada por traficantes e lideranças locais, que agiam em uma parceria criminosa”. Ainda segundo a SSP, todas as atividades foram acompanhadas pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança, que  instaurou procedimentos criminais e administrativos para apurar denúncias. 

De acordo com a manifestação dos bispos e arcebispos, as populações locais denunciaram que durante a ação policial, iniciadas no dia 4 de agosto  foram usadas práticas de tortura, cerceamentos de liberdades individual e coletiva, e execuções por arma de fogo de moradores locais.

Até o momento foram confirmadas as mortes de um indígena mundurucus identificado como Josimar da Silva, três ribeirinhos, sem identificação, três adolescentes desaparecidos, entre eles um indígena mundurucus, além da mortes dos dois policiais da Companhia de Operações Especiais (COE).

Além do afastamento das autoridades de segurança pública do estado, os religiosos pedem a permanência da Força Nacional no local e que os crimes praticados sejam apurados.

A SSP-AM, por sua vez, afirmou que a operação visava desarticular uma organização criminosa que atua na região com a prática de tráfico de drogas, ameaças, homicídios e crimes ambientais. 15 pessoas foram presas, sendo 11 em flagrante, 13 armas de fogo apreendidas e quatro plantações de maconha localizadas.

Os trabalhos ostensivos da Polícia Militar na região foram concluídos no dia 14 de agosto. Ainda há mandados judiciais de prisão em aberto para serem cumpridos pela Polícia Civil, relacionados aos suspeitos de homicídios dos policiais militares.

Na segunda-feira (17/08), quatro pessoas foram presas em cumprimento a mandado judicial por participação no duplo homicídio dos policiais militares da Companhia de Operações Especiais (COE). Entre os presos está o presidente da Associação Nova Esperança do Rio Abacaxis (Anera), que repassou informações sobre os policiais aos traficantes locais.

Mortes investigadas

Sobre as mortes na região, a SSP informa que em todos os casos foram abertos inquéritos policiais e que nenhuma hipótese é descartada, mas há suspeitas de que os crimes sejam praticados pelo bando criminoso local, liderado pelo cidadão identificado como Valdelice Dias da Silva, vulgo “Bacurau”, que é um foragido da justiça e vivia em conflito com povos indigenas por ter invadido terrenos. Há cerca de dois meses, essa quadrilha executou o filho de um cacique Maraguá com 16 facadas.

Em nota, a SSP salienta que “cabe ao Estado o poder de polícia de realizar abordagens, não podendo qualquer cidadão exercer tais atividades, sob a pena de usurpação de função do poder público estatal. No caso da referida Associação, a própria Advocacia-Geral da União (AGU), em pedido de reconsideração à Justiça de decisão baseada em solicitação do Ministério Público Federal (MPF-AM), classifica a abordagem armada existente no local uma atividade irregular, esclarecendo ainda que cabe à polícia judiciária do Amazonas a função de investigar os crimes ocorridos naquela região”.

O órgão afirmou ainda que, “ao contrário do que vem se tentando disseminar, a atuação das forças de segurança em Nova Olinda do Norte pretende restabelecer a ordem e livrar essas comunidades da opressão perpetrada por traficantes e lideranças locais, que agiam em uma parceria criminosa que vinha sendo ocultada dos orgãos federais, mas era amplamente conhecida pela população local”.

A SSP ressalta que os graves crimes registrados na região, em um curto espaço de tempo, exigiram atuação célere das forças de segurança para a proteção de toda a sociedade do município, de cidadãos que usam o rio Abacaxis para se locomover e da atividade turística existente na área, e que já era ameaçada pela atuação dessa organização criminosa.

“Toda e qualquer denúncia será rigorosamente apurada, conforme manda a lei, dentro de devido processo legal, ouvindo as acusações, apreciando provas e dando aos acusados o direito à ampla defesa previstos na Constituição Federal”, diz a nota da SSP. 


 

Repórter de A Crítica

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