Sábado, 19 de Setembro de 2020
LEI APROVADA

Projeto de Lei quer instituir o mês 'Março Branco' para luta contra as 'fake news'

Projeto de autoria do vereador Raulzinho (PSDB) foi discutido durante a sessão de hoje e recebeu duras críticas de Chico Preto (DC), que disse que não vai deixar de dar sua opinião por ‘modinha’



share_big_49204729678_d1de9e4136_k_8203BD1A-6D2B-4114-BF7B-864994D9D19A.jpg Foto: Arquivo
12/08/2020 às 17:09

A Câmara Municipal de Manaus iniciou a tramitação do projeto de lei que institui no Calendário Oficial de Manaus o ‘Março Branco’, com o objetivo de gerar no mês a Conscientização e Combate às Fake News. O projeto de autoria do vereador Raulzinho (PSDB) foi amplamente discutido durante a sessão plenária da CMM realizada, hoje (12) e enviado à 3ª Comissão de Finanças, Economia e Orçamento.

De acordo com Raulzinho (PSDB), a motivação da formulação do projeto aconteceu porque o próprio foi vítima de fake news. “Quando falamos da importância desse projeto, falamos do combate à quem usa esse meio de comunicação com maldade para denegrir a imagem de outro ser humano. Eu mesmo fui vítima”, declarou.



O vereador defendeu que as notícias falsas podem ser destrutivas e até mesmo levar as vítimas à morte. “Nós podemos dar dados concretos de que pessoas já morreram porque foram vítimas de fake news. Apedrejados e espancados em praça pública em virtude de uma notícia”, salientou.

“Pessoas estão depressivas, doentes nas suas casas vítimas de fake news. Pessoas aderiram ansiedade vítimas de fake news. Pessoas usam de divergências pessoais como motivação. Graças a Deus eu estou vivo hoje para fazer essa lei, porque eu poderia estar morto”, disse.

De acordo com o tucano a criação da lei não veio para proibir ou inibir ninguém, mas sim, com o objetivo de conscientizar a sociedade.

Chico Preto (DC) fez duras críticas a lei e disse que não vai deixar de dar sua opinião por modinha. “Opiniões pessoais e visões de mundo não podem ser consideradas fake news. Tem que deixar claro que opinião pessoal é opinião pessoal. Se ela for além dos limites previstos na liberdade de expressão, nós temos remédios jurídicos para essa situação. Isso virou meio que modinha, esse negócio de fake news. Mas opinião pessoal é opinião”, disse.

O vereador aproveitou o momento para criticar o STF. “O Brasil neste momento está envolto numa polêmica onde ministros do Supremo Tribunal Federal não toleram opiniões que lhes são desfavoráveis e querem classificar isso como Fake News”, criticou.

Entretanto, Mirtes Salles (REP) lembrou que Fake News e expressão de opinião são definições completamente diferentes. Mirtes, que também é jornalista afirmou que é necessária responsabilidade ao comunicar.

“Eu não vejo as fakes news como uma forma de comunicação. Antigamente para se divulgar uma notícia, nós dependemos apenas dos jornais impressos e telejornais e hoje temos muitos blogs e pior, falsos blogs criados apenas para divulgar notícias falsas e o ódio. Sites esses criados principalmente em período de pré campanha”, salientou.

“Você criar uma notícia não verdadeira e disseminar ela é fake news. Opinião não é fake news, vereador Chico Preto”, disse a vereadora ao colega.

A vereadora disse que também foi vítima do crime e celebrou a atividade da delegacia interativa especializada em crimes cibernéticos. “Hoje já existem delegacias especializadas para o tema justamente por conta do crescente números de crimes cometidos através das redes sociais”, disse.

Segundo o artigo primeiro do projeto, a origem se deu visando tomar medidas que inibam a produção, propagação e reprodução de fake news no município.

Maria Luiza Dacio
Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.