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Manaus
CALÇADAS

Matagal ‘empurra’ pedestre para pista na estrada do Cetur, no Tarumã

Sem calçadas e sem opções, moradores de áreas como o Tarumã dividem espaço com os carros. Caminhar pela rua é um perigo haja vista o intenso movimento de veículos 03/03/2017 às 09:16
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(Foto: Gilson Mello)
Silane Souza Manaus (AM)

Andar a pé por algumas ruas de Manaus não é fácil e nem seguro devido à má conservação e a invasão de camelôs, mas, em muitos casos, o problema maior é a inexistência delas, que obriga o pedestre a se locomover no meio da pista em meio aos carros. Quem mora nessas regiões e precisa enfrentar essa situação não sabe a quem recorrer, visto que a prefeitura não se responsabiliza pela construção desses espaços.

Na estrada do Cetur, bairro Tarumã, Zona Oeste, praticamente toda a via encontra-se sem calçadas em ambos os lados. Caminhar pela rua é um perigo haja vista o intenso movimento de veículos. “Podemos ser atropelados a qualquer momento. Precisamos prestar atenção para nos desviar dos carros. Não há nenhuma segurança. É muito perigoso”, disse a pedagoga Lúcia Santos, 56.

O esposo dela Alexandre de Souza, 76, fica apreensivo, mas como está sem veículo precisa ir a pé com a esposa até a AM-450, antiga avenida do Turismo, para pegar o transporte coletivo. “É péssimo tudo isso, principalmente para os idosos que já não tem mais tanto equilíbrio. Fora que quando chove a lama toma conta da rua deixando o espaço ainda menor para o pedestre dividir com os carros”, afirmou.

O aposentado Marcos Largos, 77, disse que tem medo ao caminhar pela estrada do Cetur, mas não sabe a quem pedir ajuda. “Seria tão bom e bonito se alguém fizesse uma calçada pra gente ter mais segurança. Mas ninguém olha para essa área, apesar de ter vários condomínios e sítios. É perigoso andar porque o mato invade a rua e tem muita cobra e a gente tem que ir perto do mato para não ser atropelado”.

Uma das avenidas mais movimentadas da cidade, a Santos Dumont, também no Tarumã, é outra onde a falta de espaço adequado para o tráfego de pedestres atrapalha a mobilidade de quem precisa se locomover a pé. “Não é só aqui. Se você for aos bairros da periferia o problema é bem maior. O pedestre sofre não é brincadeira”, relatou o jardineiro Antônio Dias, 35.

De acordo com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), cabe ao proprietário realizar as obras necessárias ao calçamento e conservação do passeio correspondente ao imóvel – Art 36, parágrafo único, do Código de Postura de Manaus. Na prática, cada um tem que fazer sua calçada.

Cartilha vai orientar os moradores

Desde o ano passado, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) trabalha na criação de uma cartilha, uma espécie de manual, para ampliar o acesso à informação com campanhas de conscientização e de mudança de comportamento. É o projeto da “Calçada Legal”, com conteúdo bem didático e explicando, com exemplos na cidade, o que é certo e errado no cuidado e no uso do passeio público.

Conforme o Implurb, a cartilha traz ainda informações sobre como construir uma calçada, qual melhor material e o que não usar na construção ou reforma. O material está disponível para consulta no site do órgão: implurb.manaus.am.gov.br.

O material visa informar à população sobre os direitos e deveres em relação ao logradouro público, e explicar como manter, conservar e construir uma calçada nos padrões universais e de acessibilidade, onde se possa andar com segurança e sem obstáculos. Paralelamente à cartilha, será lançada uma ampla campanha educativa e publicitária pela Prefeitura de Manaus.

Dever é do cidadão

Conforme o Implurb, não é preciso licença para realizar reforma ou construção do passeio, desde que atenda aos padrões legais, seja acessível, sem obstruções ou piso escorregadio. O cidadão coopera com a prefeitura e com a cidade na conservação e limpeza, pois calçada é um bem comum.

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