Domingo, 15 de Setembro de 2019
HÁ 19 ANOS

Oela ensina crianças e jovens a construírem seus próprios violinos de madeira manejada

A Ong foi primeira escola do mundo a conquistar o selo internacional que reconhece o uso de madeiras certificadas para construir violões e violinos.



oela_2.JPG Nova turma de Luthiers foi formada com o apoio do Banco do Brasil. (Evandro Seixas)
16/07/2017 às 08:54

Criada há 19 anos para tirar das ruas crianças e adolescentes que vivem em situação de risco na periferia de Manaus, a Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (OELA) e se tornou a primeira escola do mundo a conquistar o selo internacional que reconhece o uso de madeiras certificadas para construir violões e violinos.

Hoje, além de ensinar a arte de construir instrumentos musicais de corda, a entidade também promove educação, esporte e lazer para os moradores do Zumbi dos Palmares, na Zona Leste. Acostumados a fabricar violões com madeira manejada da região, este ano a Oela deu mais um passo para a inovação, com a construção de violino também de madeira manejada e certificada. Os produtos já chamam a atenção, inclusive, do mercado internacional.

De acordo com a coordenadora de projetos, Jéssica Freitas, a nova turma de luthiers foi formada em maio deste ano e os resultados começaram a surgir. “Nós estamos acostumados a construir e vender principalmente violões para vários artistas, orquestras. Com essa nova turma formada, muitos artistas estão nos procurando para adquirir os violinos. Mas estes ainda não estamos vendendo. Os primeiros vão servir para formar novas turmas”, explicou ela, ao reafirma o compromisso da instituição com a educação.

A primeira turma de Luteria em violinos recebeu um aporte financeiro do Banco de Brasil de R$ 89 mil. Vinte alunos participaram desta turma.

Segundo Freitas, são inúmeros os casos de alunos que conseguiram mudar de vida através dos projetos desenvolvidos pela Oela, em parceria com outras instituições. Além da luteria, a entidade também oferece cursos profissionalizantes, aulas de música (violão), acompanhamento psicossocial e pedagógico, esporte educacional, inclusão digital, educação ambiental, idiomas,  desenho artístico,  oficina de segurança alimentar e nutricional.

Compromisso

Atualmente, a Oela atende 300 alunos a partir de 8 anos, mas por ano, a instituição chega a atender até 2 mil estudantes. “Todos os nossos cursos são gratuitos. Mas fazemos questão de acompanhar o desenvolvimento desse aluno na escola, saber se o boletim está bom. O nosso diferencial é a preocupação com a educação, mas sempre focados no socioambiental”, destacou.

“A inclusão da Oela na comunidade possibilitou crianças, adolescentes, jovens e adultos a terem uma opção para seu crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional. Muitos deixaram suas vidas de desigualdades, exclusões e de violações de direitos para se destacarem no âmbito educacional e no mercado de trabalho”, explicou a coordenadora.

As aulas gratuitas de Luteria e demais cursos da Oela são voltados para crianças, adolescentes e jovens de baixa renda. (Evandro Seixas)

Da Venezuela para o Amazonas

O professor de luteria, Jorge Montero, foi o responsável por formar os novos luthiers de violinos da Oela. Ele é venezuelano e veio para o Amazonas para ensinar a arte da luteria. “É uma experiência muito satisfatória. A agente vê o interesse (dos alunos) em aprender uma arte que dá uma chance, uma habilidade para criar um instrumento musical com  suas próprias mãos”, disse ele.

Ensinamento que vem de casa

A Escola de Lutheria da Amazônia (OELA) foi criada em 1998 pelo luthier e professor, Rubens Gomes,A Escola de Lutheria da Amazônia (OELA)  foi criada em 1998 pelo luthier e professor, Rubens Gomes, que no início das atividades dividia o espaço da própria casa e o seu conhecimento para ensinar aos jovens a arte de construção de instrumentos musicais de cordas dedilhadas. 

Em 2000, a escola foi a primeira do mundo a conquistar o Selo Verde do Conselho de Manejo Florestal, o Forest Stewardship Council (FSC) e manteve a renovação desta certificação até os dias atuais, um reconhecimento importante que respalda a utilização de madeiras certificadas da Amazônia para a fabricação de instrumentos musicais.


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