Domingo, 26 de Janeiro de 2020
DESAGRADOU

Mau cheiro em obra é alvo de reclamação de moradores no Educandos

As obras de esgoto, com custo valor total de mais de R$ 36 milhões, começaram há cerca de dez meses e pertencem ao Programa de Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim)



1547804_5D412173-B796-4514-9DD1-8C8FBF93CA74.jpg Foto: Divulgação
20/12/2019 às 11:45

Moradores do bairro Educandos, Zona Sul de Manaus, estão se mobilizando contra a instalação de uma estação de tratamento de esgoto na orla do bairro, localizada no cruzamento das vias Manoel Urbano e Boulevard Sá Peixoto. As obras, com custo valor total de mais de R$ 36 milhões, começaram há cerca de dez meses e pertencem ao Programa de Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).  A estação deve comportar trinta tanques que receberão dejetos das zonas Sul e Oeste.

 Eles temem o mau cheiro que deve ser liberado pelos gases no processo de tratamento, os possíveis efeitos na saúde e qualidade de vida da população e a desvalorização dos imóveis. “A estação será instalada de frente para a entrada da cidade. Imagina o fedor que terão que aguentar?”, observa Andréia Brito, vice-presidente do conselho comunitário do Educandos.



“Poderiam construir um conjunto habitacional, uma área de lazer, e não um reservatório de sujeira. Deveriam revitalizar o porto das catraias, organizar este local”, sugere, apontando para as casas flutuantes próximo à feira da Manaus Moderna. Andréia conta que, em 1992, uma estação de esgoto com três canais foi construída no mesmo local. Após mobilização de comunitários e vereadores, o sistema foi desativado.

O líder comunitário Erasmo Amazonas afirma que o projeto da estação apresenta uma série de irregularidades, como falta de estudo de impacto ambiental na vizinhança e o avanço da área da obra em 18 metros além da extensão prevista (48m X 20m), caracterizando descumprimento do Código Florestal Brasileiro. Esses e outros problemas estão elencados em Ação Civil Pública enviada ao Ministério Público Federal (MPF) há cinco meses, em tutela de urgência, solicitando o embargo da obra. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), por sua vez, determinou a paralisação dos serviços com o objetivo de prevenir danos à coletividade e à saúde pública.

Na segunda-feira, representantes da comunidade entregaram propostas de aproveitamento do projeto ao governador Wilson Lima, que se mostrou favorável à divisão da área em duas unidades: uma estação de tratamento e um espaço de convivência arborizado. “Podemos conciliar saneamento com o meio-ambiente. Pedimos sensibilidade ao governo do Estado para que não sejamos condenados a sentir cheiro de esgoto”, disse Amazonas. 

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra) respondeu que a construção e adequação da moderna Estação de Tratamento de Esgoto do Educandos (ETE), na margem do Rio Negro, vem modernizar uma Estação de Pré-condicionamento (EPC). O tratamento que era realizado pela EPC consistia em basicamente remover os materiais sólidos e flutuantes, como lixos, plásticos e dejetos para, posteriormente, fazer o lançamento desse esgoto. 

A Seinfra afirma que já existe uma Estação de Pré Condicionamento no local e o que está executando a modernização tecnológica para aumentar a capacidade de tratamento atual ao nível secundário, obedecendo a legislação ambiental, de acordo com o órgão.

A secretaria destaca que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Educandos é uma das mais modernas do País e utiliza tecnologia de ponta no tratamento dos efluentes enviados pelas elevatórias de esgoto. A tecnologia utilizada na ETE Educandos foi desenvolvida na Noruega e é utilizada em vários sistemas de tratamento de esgoto em áreas residenciais por todo mundo, sendo a tecnologia mais utilizada nessas estações de esgoto de condomínios e hospitais nas metrópoles. A tecnologia pelo que o tratamento dos efluentes irão passar é de baixo ruído e odor, evitando qualquer impacto ambiental aos imóveis vizinhos.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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