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Manaus
NO banco dos réus

Juiz aceita a denúncia do MP-AM contra 11 policiais presos na operação Alcateia

O grupo foi denunciado por conta de 19 assassinatos e 13 tentativas de homicídios. As investigações apontam que pelo menos 24 pessoas foram vítimas do grupo de extermínio 29/03/2016 às 22:02 - Atualizado em 30/03/2016 às 07:34
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Flagrante do momento em que um dos 11 policiais militares era preso em sua residência. Efetivo usado na Operação Alcateia uniu forças de segurança do Estado
Joana Queiroz Manaus (AM)

O juiz da 3ª vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MP-AM) contra os 11 policiais militares que foram presos na operação Alcateia no mês de novembro do ano passado, e deu dez dias para que as defesas dos réus apresentem qualquer reclamação ou queixa contra a denúncia oferecida pelo MP-AM. A acusação deverá arrolar as testemunhas de defesa dos réus.

Até ontem, o processo já tinha mais de 11 réus, todos policiais militares, além de 20 advogados de defesa, sem contar com as testemunhas. Cada réu tem o direito de arrolar oito testemunhas. O magistrado explicou que vai fazer o desmembramento do processo para que os trabalhos de instrução e julgamento possam ser mais céleres e práticos. “Deverão acontecer dois julgamentos, devido ao número de pessoas envolvidas, réus, vítimas e testemunhas”, disse Antony.

Denunciados

O MPE ofereceu denúncia contra os suspeitos Dorval Júnior Carneiro; Bruno Cezzane; Gernando da Luz Júnior; Sílvio José Silva de Araújo; Klebert Cruz de Oliveira; George Macdonald Rodrigues; Adson Souza de Oliveira; Rogério Pinheiro de Freitas; Rosemberg Martins Bezerra; Janilson Monteiro e Ítalo Gutemberg Macedo. Eles são acusados de integrar um grupo de extermínio que usava acessórios, armas e munições da Polícia Militar para cometer os crimes.

O grupo foi denunciado por conta de 19 assassinatos e 13 tentativas de homicídios. As investigações apontam que pelo menos 24 pessoas foram vítimas do grupo de extermínio.

Antony não quis comentar a denúncia, que contém 104 páginas, com provas robustas e irrefutáveis, de acordo com o promotor Geber Mafra. São provas técnicas que foram conseguidas por meio de exames periciais feitos nas armas usadas pelos militares e nos projéteis encontradas nos corpos das vítimas e nos locais de crime.

A pistola semiautomática que foi apreendida em poder do policial Dorval, pertencente ao arsenal da Polícia Militar, foi usada em pelo menos dois homicídios. Além das provas técnicas, a polícia teve acesso ainda a conversas dos envolvidos nas redes sociais, comentando sobre os crimes praticados pelo grupo.

Armamento e veículos eram da SSP

De acordo com a denúncia apresentada ao MP-AM, as policiais denunciados tinham acesso ao aparato estadual de segurança como armamentos, veículos e munições que eram usados para a prática criminosa. O grupo está preso desde o final do ano passado quando foi deflagrada a operação “Alcateia” pela Secretária de Segurança Pública (SSP), resultado de investigações feitas por uma força tarefa presidida pelo corregedor geral da SSP, delegado de Polícia Federal Leandro Almada.

As investigações apontam que o grupo assassinou ao todo 19 pessoas num espaço de seis meses, contando com as que aconteceram nos dias 17, 18 e 19 do mês de julho do ano passado, que ficou conhecido como “fim de semana sangrento”.

‘Bandidos que vestiam fardas’

O procurador-geral do MP-AM, Fábio Monteiro, disse que  o grupo de extermínio era formado por “bandidos que vestiam farda”. “É um absurdo, é inaceitável que servidores públicos pagos e treinados pelo Estado para nos proteger usem esses meios para tirar vidas de pessoas”.

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