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Maus hábitos favorecem cenário propício para criadouros de dengue, zika e Chikungunya

Falta de educação e armazenamento impróprios dão suporte para o mosquito na ‘guerra’ pela saúde pública 06/12/2015 às 20:17
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De acordo com o LIRAa divulgado pela Semsa, os depósitos irregulares de lixo estão entre os principais focos do mosquito
Silane Souza Manaus (AM)

Terrenos baldios com mato alto e entulhos de obras, móveis velhos, carcaças de carros, pneus usados, além de muito lixo jogado pelas ruas, formando centenas de lixeiras viciadas. Quadro perfeito para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Febre Chikungunya e o Zika vírus, que pode estar por trás de doenças como a microcefalia. Este foi o cenário encontrado pela reportagem de A CRÍTICA nos bairros Armando Mendes e Zumbi dos Palmares, ambos na Zona Leste.

De acordo com o Levantamento Rápido de Índice de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa), realizado pela Prefeitura de Manaus e divulgado no último dia 1º, entre todos os  bairros da cidade, Armando Mendes e Zumbi são os únicos que apresentam alto risco de transmissão da doença, enquanto as outras regiões da capital registram “médio” e “baixo” risco.

Na avenida Itacolomi, Armando Mendes, a população teme que dois locais - um ferro velho e um terreno baldio que serve de depósito para diversos tipos de lixo -, possam ser responsáveis por abrigar focos do mosquito. A preocupação maior é que eles ficam ao lado de uma escola estadual. Além disso, o motorista Tico Andrade, 33, revelou que ainda existe um igarapé que passa atrás do colégio e que nunca foi limpo, apesar de receber esgoto das casas da redondeza.

Na mesma via, os moradores denunciam uma invasão na Travessa Armando Mendes, que liga o conjunto Itacolomi à avenida Itacolomi, como um possível criadouro do mosquito Aedes aegypti. “Quase todo mundo que mora nessa área já pegou dengue, eu mesmo fiquei sete dias internado sem poder ir ao trabalho por causa da doença”, relatou o industriário Joel Mendes, 32.

Lixeiras viciadas

No bairro Zumbi dos Palmares o problema é o descarte do lixo, que é feito em qualquer lugar. Inclusive, em frente a uma escola municipal, na rua Chicó Mendes, onde há um enorme outdoor sobre a campanha “10 minutos contra a dengue”. “As pessoas facilitam a proliferação do mosquito porque jogam lixo em todo local. Nós, lá em casa, tomamos o maior cuidado”, declarou a industriaria Josileide Dias, 33.

A universitária Keise Kethelen Silva de Souza, 21, após pegar dengue em 2013 e este ano, passou a ter mais cuidado com os objetos que acumulam água. Ela contou que deixa tudo quanto é balde emborcado. “A gente sabe que é perigoso. Tenho um primo, também morador do Zumbi, que pegou dengue hemorrágica quando tinha 7 anos e até hoje tem sequelas. É muito além do que só uma dor e manchas vermelhas no corpo”, enfatizou.

Semsa intensifica o combate

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que, desde agosto, reforçou as ações para controle e eliminação do Aedes aegypti e que 17 bairros da capital com índice de infestação acima de 4%, identificados no LIRAa de 2014, vêm sendo alvo de ações específicas, que incluem visitas casa a casas, mutirões de limpeza e implantação da estratégia “10 minutos contra a dengue”, que prevê a verificação de uma lista de cuidados em apenas dez minutos.


O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, Zika e Chikungunya

A pasta ressaltou ainda que 29,8 mil imóveis em todos os bairros de Manaus foram visitados para o LIRAa deste ano. Sendo que, em cada imóvel, agentes de endemias identificaram e coletaram larvas de Aedes e promoveram a eliminação ou tratamento dos potenciais criadouros. Eles também orientaram a população a evitar o acúmulo de água em casa e quintais.

O LIRAa revelou que os depósitos que mais têm contribuído para a proliferação do Aedes são os utilizados para armazenar água para consumo, como tambores, tonéis, camburões e tinas, e o lixo acumulado em quintais, onde resíduos como garrafas, tampas e outros objetos acumulam pequenas porções de água, onde as larvas do mosquito se desenvolvem.

Arthur  decreta emergência

Em razão da “epidemia por doenças infecciosas virais”, em especial as transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, o prefeito Arthur Virgílio Neto decretou situação de emergência nas áreas do município de Manaus, em ato publicado no Diário Oficial do Município, na última sexta-feira. A situação de emergência terá vigência pelo período de 180 dias.

Entre outras coisas, o decreto autoriza a Semsa a adotar as medidas administrativas necessárias à prevenção da iminente epidemia, assim como planejar, organizar, coordenar e controlar as medidas a serem empregadas durante a situação de anormalidade, nos termos e diretrizes fixadas pelo Ministério da Saúde.

A medida também permite à Semsa articular-se com esferas federal e estadual com o fim de combater a situação de emergência, encaminhar ao chefe do Poder Executivo relatórios técnicos sobre a situação da emergência e divulgar para a população as informações necessárias sobre o resultado das ações de combate à epidemia.

Além de propor, de forma motivada, a contratação temporária de profissionais, a aquisição de bens e contratação de serviços necessários à atuação na situação de anormalidade; e adotar os meios necessários para a implantação do Plano Emergencial de Resposta a Epidemia por Doenças Infecciosas Virais.

Alertas

Ao decretar situação de emergência, a prefeitura observou a portaria do Ministério da Saúde de declaração Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, que confirmou a relação entre o Zika Vírus e a microcefalia, além de considerar o aviso da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Saiba mais

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) revelam que, em 2015, foram registrados 7.191 casos de Dengue no Amazonas.

Em relação à febre Chikungunya, neste ano foram notificados 152 casos da doença no Estado, somente 12 confirmados, 75 descartados e 65 permanecem sob investigação. Dos 12 casos confirmados, cinco foram de transmissão autóctone (interna) e os sete restantes “importados” (quenado o doente é infectado fora do Estado).

No caso do Zika vírus, até o momento, o Amazonas tem oito casos notificados, sete deles ainda em investigação e apenas um confirmado e com transmissão autóctone.

Blog: Paulo Farias, secretário da Semulsp

"A coleta  de lixo é feita diariamente na cidade.   É preciso que haja colaboração das pessoas porque não se pode colocar o lixo a qualquer hora e de qualquer jeito, é necessário deixá-lo bem armazenado e colocá-lo na hora correta, que assim não haverá focos do mosquito. Cada bairro tem seu próprio horário de coleta, que varia um pouco em relação ao dia da semana. Estamos fazendo mutirão de limpeza para colher materiais mais volumosos na comunidade São Pedro, já fizemos mutirão no Campos Sales, Rio Solimões, Pontal, Parque Riachuelo. Mas nós temos o Disk Limpeza, que funciona 24h no número 08000926356. Temos ainda os números 3214-8579, 3214-8115, 3214-8562 e 3214-8148. Havendo qualquer problema de falta de coleta, lixeiras viciadas, entre outros, bastar ligar que tomaremos a providência”.


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