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Manaus
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

MC amazonense exalta o empoderamento feminino por meio de músicas de rap

Há 14 anos, Cida Aripória enaltece mulheres e seu poder na sociedade em estilo dominado por homens. Em Manaus, Hip-Hop surgiu na década de 80 e hoje ganha uma nova cara com mulheres entoando rimas 08/03/2017 às 05:00 - Atualizado em 13/03/2017 às 08:55
Show rapper
Rapper faz rimas mostrando o papel da mulher há mais de uma década (Foto: Divulgação)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Temas centrais de rodas de conversa no mundo inteiro, o empoderamento feminino e o protagonismo da mulher são alguns dos assuntos mais comentados neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Grande parte da mobilização deve-se aos avanços na literatura, conquistas na política, mídia, esporte, cinema, e também na música. Prova disso é o trabalho apresentado pela rapper amazonense Cida Aripória, 32, que exalta a figura feminina por meio de um estilo culturalmente marginalizado e dominado pelos homens.

Produtora cultural e integrante de diversos movimentos feministas, Cida é atuante na cultura do Hip-Hop há 14 anos. Em Manaus, ela conta que o movimento nasceu na década de 1980 com a chegada da dança, popularizada principalmente nas periferias, e só depois ganhou espaço com grupos de rappers da região.

Cida relata que o primeiro contato com o movimento foi através de um grupo formado em sua maioria por homens. “Sempre percebia a necessidade da presença feminina como protagonista dentro da cultura Hip-Hop. Foi aí que fundei com outras garotas o primeiro coletivo organizado de mulheres do Hip-Hop de Manaus que se chamava Epoiam Ari-Poriá – linguagem da etnia Sateré-Mawé que significa levanta mulher”, contou.

Depois disso, Cida fez parte do grupo Epoiam Ari-poriá MC’s, o quarto grupo de rap feminino de Manaus, e hoje integra o Conexão Zona Norte, criado no bairro Mutirão, local onde mora. Além disso, ela também coordena o coletivo de Hip-Hop feminino Mariam, que trabalha cultura, educação e gênero a partir do estilo.

 “A minha luta começou mais ou menos assim... Sempre dando força para mulheres, sempre querendo agregar e chamando as meninas pra poder fazer”, disse ela.

Desafios

Acompanhada do “beat” (batida do rap), Cida dá forma ao seu rap entoando rimas de combate para assuntos como o machismo, racismo, lesbofobia e capitalismo. Além disso, as canções problematizam várias situações como a realidade do cotidiano dela e de várias mulheres, sempre como pano de fundo a periferia, as conquistas e as diversões vivenciadas naquele espaço.

Segundo ela, o rap feminino consegue “incomodar” por enfatizar o protagonismo das “manas” (apelido dado às colegas de luta), no entanto, ela cita o machismo cultural como um dos principais desafios a ser vencidos pelo movimento, embora ela reconheça o crescimento do estilo em várias mobilizações na capital.  

“Você começa a perceber machismo num evento ‘tal’ que tem dez bandas masculinas e três femininas. Aí é uma forma de machismo. Quando num evento tem mais homens que mulheres cantando ou se apresentando de qualquer forma. Nós temos mulheres em todos os segmentos, no maracatu, rock, rap, dançando ‘break’, grafite, culinária... Só que é preciso existir uma mulher na produção para poder abrir portas para outras mulheres, senão não tem espaço”, declarou.

Cida também alia ao rap o poder de influenciar. Na avaliação dela, o poder da música pode estimular outras mulheres a refletirem sobre suas vidas.

“Acho importante que as mulheres da nossa sociedade tenham conhecimento do que são esses pontos. Do que é a luta. Do que é a conquista das mulheres. Eu retrato muito isso nas minhas letras. Eu quero que as mulheres que vão me escutar através da minha música se identifiquem e parem pra ouvir e percebam em suas vidas o que há de errado e o que há de bom, porque o rap também é coisa boa”.

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