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Medalhistas amazonenses das Olimpíadas de Matemática falam sobre os desafios dos números

Disciplina que ‘tira o sono’ de muitos alunos, a Matemática é motivo de prazer para Hanry Ibiriba e Daniel Santiago 20/09/2014 às 16:54
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A professora Benedita Freitas com os alunos do Instituto de Educação do Amazonas
jéssica vasconcelos ---

“Bicho papão” das provas, que tira o sono e faz milhares de estudantes virarem a noite estudando, a matemática ainda deixa muita gente de “cabelo em pé”, mas para dois alunos do Instituto de Educação do Amazonas (IEA), a disciplina é motivo de prazer.

Medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), Daniel Santiago, 12, e Hanry Ibiriba, 15, são dois exemplos de que o mundo das contas de multiplicação, divisão e expressões matemáticas não é tão difícil quanto parece e, para se destacar, basta força de vontade e dedicação.

Filho de professor, Daniel conta que sempre gostou de matemática e que, para ele, estudar é sempre uma ótima opção. “Meu pai sempre me ajudou e incentivou a gostar de matemática e isso é importante, mas eu mesmo sempre achei fácil “, disse Daniel.

Diferente de Daniel, o encantamento de Hanry pelos números veio a partir do exemplo de um professor, que o acompanhou durante quatro anos . Segundo Hanry, a maneira como o professor ensinava, buscando interligar a matéria com temas do cotidiano, foi o que mais chamou atenção.

“Lembro que, em uma das aulas, ele contou a história da construção das pirâmides do Egito e isso me encantou, porque me senti vivendo aquele momento e foi fácil entender como tudo foi levantado”, explicou Hanry.

Além da escola

A dedicação dos alunos com a matemática vai além da sala de aula. De acordo com Daniel, mesmo passando o dia na escola, quando chega em casa ele ainda passa mais duas horas estudando e se dedicando às materias do dia. Já Hanry utiliza as redes sociais para interagir com os amigos e estudar, isso porque ele criou um grupo no Facebook para tirar dúvidas dos colegas de turma. “Dessa forma converso com todos e ainda estudo matemática”, disse Hanry.

Hanry conquistou medalha de bronze na última Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), cuja premiação ocorrerá em dezembro. O aluno, que já participou da Olimpíada e foi premiado por três anos consecutivos, receberá, juntamente com a medalha e certificados, o acesso, por mais um ano, à bolsa do Programa de Iniciação Científica Junior (PIC), concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Daniel vai receber medalha de prata e também receberá bolsa.

Blog: Benedita Freitas, professora de Daniel

 “Esses meninos são motivo de muito orgulho, porque é sinal que nosso trabalho está dando certo, apesar de todas as dificuldades. Apesar do baixo salário do professor, procuro exercer minha profissão da melhor forma, sempre com responsabilidade. Para conseguir manter meus alunos atentos e com vontade de aprender matemática, proponho sempre atividades diferentes, como desafios e avaliação contínua, porque na disciplina, o que coloca bastante medo no aluno é a prova. Os alunos que têm um pouco mais de facilidade também se tornam monitores e ensinam os outros, isso facilita bastante. No ano passado, eu prometi um passeio para a turma campeã do desafio e consegui cumprir este ano, depois de passar alguns meses juntando dinheiro para pagar o transporte deles. Para o ano que vem, já estou pensando de que forma poderei premiá-los pelo esforço deles”.

‘Decoreba’ é prática ultrapassada

Para o coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática, Disney Douglas de Lima, o mito em torno da matemática é antigo e vem desde a época da palmatória para quem não decorasse a tabuada.

De acordo com o coordenador, hoje em dia, o avanço pedagógico permite que as aulas sejam muito mais dinâmicas, com uso de novas tecnologias para ensinar.

“Eu sou a favor do uso de celular, tablets, que estão ao alcance do aluno, para ensinar. Aquela aula enfadonha e chata é coisa do passado”, disse Disney.

Caça aos talentos

Ele diz ainda que a Olimpíada de Matemática serve para ajudar a encontrar talentos escondidos, porque existe uma competição saudável entre os alunos e, aqueles que não conhecem, acabam se interessando por essa disciplina. “No final das contas, a matemática é prazerosa, mas um conceito depende do outro”, declarou.

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