Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
NEBULIZAÇÃO CLANDESTINA

Médica que nebulizou cloroquina em paciente foi contratada via convênio com Ministério da Saúde

A ginecologista Michelle Chechter foi afastadas dos quadros da SES-AM, que determinou abertura de sindicância. Uma das pacientes da médica, que participou do tratamento clandestino, teve piora e morreu dias depois



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14/04/2021 às 15:13

A ginecologista e obstetra, Michelle Chechter, responsável por nebulizar hidroxicloroquina em duas pacientes do Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL) sem autorização da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), foi afastada do exercício da profissão em hospitais públicos da rede estadual. Uma das pacientes que participou do nebulização clandestina teve piora no quadro e, dias depois, morreu por infecção generalizada decorrente da Covid-19, conforme informou o IMDL.

A médica havia sido contratada em regime temporário pela SES-AM via banco de recursos humanos disponibilizados ao Estado pelo Ministério da Saúde. E admitida junto com outros 2,3 mil profissionais de saúde para atuarem durante a pandemia em hospitais da rede estadual.



As informações foram repassadas pela SES-AM, a qual destacou, em nota, que o procedimento experimental se tratou de um ato médico, de livre iniciativa da profissional, que não faz mais parte do quadro da maternidade, onde atuou por cinco dias.

“Tão logo tomou conhecimento do ato, a SES-AM determinou abertura de sindicância e o afastamento da profissional”, ressaltou o órgão.

O caso chamou atenção após a publicação de uma matéria feita pelo repórter Fabiano Maisonnave, do jornal Folha de São Paulo, nesta quarta-feira (14), que revelou o tratamento clandestino, feito pela médica, baseado na hidroxicloroquina, um medicamento ineficaz contra o novo coronavírus e que pode gerar reações adversas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em Manaus.


Imagem: Reprodução/Instagram

A reportagem relatou que após a nebulização de hidroxicloroquina feita em uma paciente puérpera com Covid-19, a saúde dela só piorou e veio a óbito dias depois da nebulização. 

A outra participante, também puérpera e que assinou autorização feita pela médica para uso da nebulização, sobreviveu, mas só recebeu alta quase dois meses após ter passado pelo procedimento.

Posicionamento

Em comunicado, a SES-AM afirmou que a nebulização feita pela profissional não faz parte dos protocolos terapêuticos do Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL), “nem de outra unidade da rede estadual de saúde, ainda que com o consentimento de pacientes ou de seus familiares”.

Por fim, a Secretaria e a IMDL afirmaram, em nota, que “não compactuam com a prática de qualquer terapêutica experimental de teor relatado e não reconhecida e entendem que tais práticas não podem ser atribuídas à unidade de saúde, que tem como premissa o cumprimento da lei e dos procedimentos regulares, conforme os órgãos de saúde pública e os conselhos profissionais”.

A Folha de São Paulo veiculou em matéria as irregularidades praticadas pela médica paulistana como a ausência da aprovação prévia por um comitê de ética em pesquisa, exigência legal no Brasil; a autorização apresentada à paciente, que não foi informada sobre os riscos, conforme as normas brasileiras do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A reportagem de A Crítica também entrou em contato, no início da tarde desta quarta-feira (14) com o Centro Médico Mazzei, em São Paulo, onde ela e o marido, que também atuou em Manaus, trabalham, no entanto, não obteve retorno.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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