Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
PROCESSO

'Nenhum médico sai com a intenção de fazer mal', diz acusado de mutilar pacientes

Carlos Jorge Cury confirmou ter operado Alteniza, mas atribuiu óbito de paciente às complicações cardiorrespiratórias. A juíza do processo afirmou que a sentença do caso deve sair até em 15 dias



m_dico_3333333.JPG O ex-médico saiu da audiência realizada na manhã desta quinta-feira (1) acompanhado da filha (Foto: Winnetou Almeida)
01/02/2018 às 14:15

O ex-médico Carlos Jorge Cury Mansilla, 60, que teve o registro cassado por ser acusado de mutilar pacientes em cirurgias no Amazonas, disse durante audiência de instrução realizada na manhã desta quinta-feira (1), que a morte da paciente Maria Alteniza de Lima Sales,  em novembro de 2010, não teve nada a ver com o cirurgia bariátrica (redução de estômago) realizada por ele.

Carlos confirmou que de fato operou a paciente, mas negou o envolvimento no crime. Ele também afirmou que as complicações que resultaram na morte de Maria deram-se em decorrência de um problema cardiorrespiratório. “Nenhum médico sai de casa com a intenção de fazer mal para paciente”, disse, durante depoimento à Justiça.

Ainda o ex-médico explicou que tudo ocorreu bem na cirurgia de Alteniza e que apenas no dia seguinte, por a paciente apresentar quadro de insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, ela precisou ser encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de outro hospital. Mas para o ex-médico, a transferência para outra unidade não comprometeu a saúde de Alteniza.

Segundo Mansilla, a família da paciente foi avisada sobre os riscos do procedimento cirurgico, visto que Alteniza era obesa e tinha problema cardíacos. Ele destacou que não realizou a cirurgia por vontade própria. “Eu jamais iria fazer um procedimento sem autorização do anestesista e do cardiologista”, afirmou o acusado, ressaltando que já fazia este tipo de procedimento há cinco anos e nunca teve problema.

Curso na Bolívia

Ainda durante o depoimento, o ex-médico confirmou que cursou medicina na Bolívia. No entanto, negou que tenha feito especialização em cirurgia plástica, por isso nunca se identificou como cirurgião plástico, mas sim como cirurgião estético, inclusive fez duas pós-graduações nesta área, no Brasil, que são reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).

Ao final do interrogatório, que durou quase 3 horas, a juíza titular da 11ª Vara Criminal, Eulinete Melo Silva Tribuzy, disse à imprensa que dentro de 15 dias ou 20, deve estar dando a sentença do réu neste processo. Os demais serão pautados no decorrer da semana que se segue. “Acredito que faremos prosseguimento de dois processos por semana pelo número que é grande. Nesta Vara temos 18 processos, 16 estão prontos, dois ainda estão em diligência”, completou. 

Testemunha de defesa

Mais cedo, uma testemunha de defesa, a técnica de enfermagem Aparecida Azevedo, de 50 anos, afirmou durante a sessão que Cury era bem querido por seus pacientes.

Segundo ela, os clientes ficavam satisfeitos e o ex-médico sempre se preocupava com as pessoas que voltavam após os procedimentos cirúrgicos. Ela também afirmou que nunca houve reclamação das pessoas atendidas por Mansilla.

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