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Manaus
MAUS CAMINHOS

Chefe de esquema de desvio de verbas da Saúde no AM está ‘sereno’, diz advogada

A advogada de Mouhamad Moustafa, Simone Rosado, disse que pedirá relaxamento da prisão preventiva, pois não há motivos para seu cliente estar preso 21/09/2016 às 15:31 - Atualizado em 21/09/2016 às 15:39
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Mouhamed Mustafa é acusado pela Polícia Federal de chefiar bando que desviou R$ 110 milhões da Saúde no AM. Foto: Reprodução/Internet
Rafael Seixas Manaus (AM)

Apontado pela Polícia Federal como chefe de uma organização que desviava recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas, o empresário e médico Mouhamad Moustafa está “sereno”. A informação foi dada pela advogada que o defende, Simone Rosado, que conversou com a reportagem do Portal A Crítica sobre o caso de seu cliente, que foi preso durante a Operação “Maus Caminhos”, deflagrada ontem pela PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal (RF).

Segundo ela, o processo ainda está em fase de inquérito e por isso não há como dar muitas informações. “Estamos verificando os autos e vamos pedir relaxamento da prisão preventiva. Ele já foi ouvido e está sereno. Vamos fazer a defesa e mostrar que não é nada disso do que está sendo acusado”, declarou.

“Ainda estamos analisando os autos e ainda não tive acesso ao inquérito. Só tive acesso à decisão da prisão preventiva ontem de tarde, mas, geralmente, a decisão vem com o mandado e não veio dessa vez. Estou estudando [o caso] ainda, mas vamos atrás do relaxamento, não há porquê ele estar preso”, acrescentou.

As investigações detectaram um desvio de R$ 110 milhões nos recursos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas, quase metade do montante destinado ao fundo. Veículos de alto padrão, imóveis, jato e helicópteros estão entre os bens apreendidos durante a operação.

“Fica muito claro que o grupo ostentava elevado padrão de luxo muito acima da realidade de qualquer brasileiro e brasileira. Quase que algo cinematográfico, hollywoodiano”, declarou o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, o delegado Marcelo Rezende.

Sindicância

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), José Bernardes Sobrinho, afirmou que o órgão vai acompanhar o andamento do processo contra Mouhamad.  "Vamos acompanhar de perto, vou pedir o processo do Judiciário para verificarmos se houve algum prejuízo na relação médico-paciente. Caso isso tenha acontecido, vamos apurar abrindo uma sindicância", explicou. 

Começo da ‘Maus Caminhos’

A investigação teve início em análise da CGU sobre concentração atípica de repasses do Fundo Estadual de Saúde à organização social Instituto Novos Caminhos (INC). Em dois anos, a entidade recebeu mais de R$ 276 milhões para administrar duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em Manaus e Tabatinga, e um centro de reabilitação para dependentes químicos, no município de Rio Preto da Eva, distante a 80 quilômetros da capital amazonense.

De acordo com as investigações, o montante de dinheiro destinado às unidades administradas pelo INC eram superior ao do próprio Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, que tem uma capacidade muito maior de atendimento. “O 28 de Agosto tem, sozinho, oito vezes mais leitos que as duas unidades médicas e hospitalares. No entanto, recebeu menos da metade dos recursos destinados a essas duas unidades”, exemplificou o superintendente Marcelo Rezende.

Segundo a CGU, todas as empresas investigadas são comandadas direta ou indiretamente pelo médico e empresário Mouhamad Moustafa. Para o coordenador da operação, delegado Alexandre Teixeira, o dinheiro desviado serviu para manter o padrão de vida elevado do chefe da organização.

“Estes recursos públicos foram destinados a sustentar uma vida de luxo e ostentação de um profissional que deveria prestar bons serviços à população, que ficou sem ter direito a serviços básicos de saúde”, afirmou.

Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, quatro mandados de prisões temporárias, três mandados de condução coercitiva, 40 mandados de busca e apreensão, 24 de bloqueios de bens e 30 de sequestros de bens. As medidas aconteceram em residências e empresas nos municípios amazonenses de Manaus, Itacoatiara e Tabatinga, além das capitais Belo Horizonte, Brasília, Goiânia e São Paulo.

 

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