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Manaus
MORTE NA VENEZUELA

Médico venezuelano diz que cirurgia de comerciante foi agendada pelo WhatsApp

Em entrevista exclusiva, médico classificou morte de moradora de Parintins foi uma fatalidade. "A ela não faltou nenhum tratamento" 14/09/2016 às 17:15
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Dioneide Leite morreu na madrugada de terça-feira, depois de ter complicações durante cirurgias plásticas na Venezuela (Foto: Reprodução / Facebook)
Dante Graça Manaus (AM)

O médico Oscar Hurtado, responsável pela cirurgia da moradora de Parintins Dioneide  Leite, de 36 anos, que faleceu nesta terça-feira, na Venezuela, afirmou que a cirurgia foi agendada pelo Whatsapp e que a morte da paciente foi uma fatalidade.  “A ela não faltou nenhum remédio, nenhum tratamento, mas fatalidades acontecem”, afirmou ele, em entrevista exclusiva à reportagem de A Crítica.

Dioneide faleceu na madrugada desta terça-feira, depois de ficar dez dias internada. Ela passou por um procedimento cirúrgico no último dia 2, para uma abdominoplastia - procedimento estético no abdômen - e uma redução de mama sem implante de silicone, segundo o médico. Oscar explicou que, durante a cirurgia, ela teve uma arritmia cardíaca. “Ela apresentou uma arritmia e tive que suspender a cirurgia. Se não suspendo ela morre na mesa de operação. São coisas inevitáveis, como um acidente de trânsito”, detalhou ele, em áudio enviado a grupos que reúnem mulheres brasileiras que fazem cirurgias na Venezuela.

À reportagem, Oscar confirmou a autenticidade do áudio, e afirmou que deu toda a assistência necessária à paciente no pós-operatório. “Ela esteve internada em uma clínica privada com todas as despesas pagas por mim. Eu não sou culpado de nada, mas meu espírito cristão diz que eu devo ajudar”, justificou o médico, em entrevista, afirmando que ela teve uma infecção, que provocou uma pneumonia severa, causando o óbito. No áudio divulgado, ele demonstrou tristeza com o ocorrido. “Nunca quis causar nenhum dano a nenhum paciente. Me formei para salvar vidas e não para causar danos a ninguém”.

Oscar Hurtado afirma que esta é a primeira vez que uma paciente morre após uma cirurgia realizada por ele. Ele diz ter 20 anos como médico, tendo como especialidade cirurgia-geral, oncológica e estética, e que foi procurado por Dioneide após operar a cunhada dela, de nome não revelado. De acordo com ele, a cirurgia foi agendada pelo Whatsapp. “Ela pegou meu contato com a cunhada, que havia feito cirurgia comigo meses atrás e ficou muito satisfeita e agradecida. Ela falou comigo pelo WhatsApp, assim combinamos tudo e ela fez a cirurgia em 2 de setembro”, relatou o médico, alegando que disponibilizou uma equipe completa para acompanhar a paciente. “Eu e minha equipe de trabalho suspendemos todas as nossas atividades para atender somente a ela. São 5 anestesiologistas, 3 cirurgiões, dois intensivistas e dois hematologistas, além dos médicos generalistas e enfermeiras”.

Segundo o médico, Dioneide passou por todos os exames pré-operatórios necessários e estava apta a realizar o procedimento. “Em nenhuma parte do mundo um anestesiologista ‘dorme’ um paciente sem avaliar os exames pré-cirúrgicos. Ela e a cunhada, que também iria fazer cirurgia, fizeram exames de laboratório, raio x de tórax e avaliações cardiológicas indispensáveis para operar”, afirmou.

Revalida em Manaus

De acordo com o médico, a morte de Dioneide gerou uma onda de boatos. A primeira informação tratada por ele como inverídica é de que ela teve o pulmão perfurado. “Se ela teve, não aconteceu na sala de cirurgia”, disse ele, no áudio divulgado, onde ele também contesta a informação de que estaria no Brasil, foragido. “Se eu fosse fugir eu iria para a cidade ou o País da paciente?”.

Em conversa com a reportagem, Oscar Hurtado revela que esteve em Manaus no último domingo, para realizar o exame Revalida, necessário para aqueles médicos estrangeiros que queiram atuar no País. Ele disse que fez a prova na Universidade Federal do Amazonas e que esta foi a primeira vez que veio à cidade. “Falaram que eu tenho um consultório no Shopping Millennium. Meu Deus, muita calúnia”.

Questionado se fez o Revalida para atender no Brasil, ele disse que ainda não tomou esta decisão. “Ainda não sei, também estou fazendo revalidações no Chile e Bolívia”, afirmou ele, que não respondeu quando questionado se ainda estava em Manaus ou se já havia voltado para a Venezuela.  O médico disse que é constantemente procurado por pacientes do Amazonas, Roraima, Guiana, Suriname, Colômbia, Estados Unidos e Espanha. “Em outubro vem fazer uma cirurgia um paciente da Holanda”.

Oscar Hurtado disse que, no domingo, em Manaus, conversou com a irmã de Dioneide para saber o estado dela e recebeu notícias de que ela havia melhorado. Ele encaminhou o áudio atribuído à irmã da paciente, no qual ela detalha melhorias. “A Dioneide está melhorando, graças à Deus. Ela está bem desinchada. O inchaço era devido à medicação, e eles já estão tirando, era muita medicação. Eu falei com ela, ela escuta. Quando disse que ia sair da sala pras meninas entrarem, ela balançou a cabeça dizendo que não era pra eu sair de lá (...) Falei para ela ter fé e confiar em Deus, e creio que brevemente ela vai sair ali daquela sala”, diz a mulher, no áudio encaminhado pelo médico.

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