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Manaus
HOSPITAL

Médicos assinam entrada, saem e só voltam para registrar saída em hospital de Manaus

Problema foi identificado pela direção do Instituto da Mulher Dona Lindu e denunciado à Defensoria Pública do Estado durante inspeção na unidade de saúde. Reportagem aguarda posicionamento da Susam 15/03/2019 às 10:53 - Atualizado em 15/03/2019 às 11:23
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Foto: Arquivo A Crítica
acritica.com

Médicos que trabalham no Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL) assinam a folha de entrada, ficam por pouco tempo na unidade de saúde, saem e só retornam no horário de registrar a saída. Tal problema foi identificado pela direção do IMDL e denunciado à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) durante inspeção feita na unidade de saúde ontem, quinta-feira (14). A reportagem aguarda posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde (Susam)

A DPE percorreu áreas de atendimento, leitos, farmácia, administração, salas de parto e solicitaram a documentação sobre a conduta faltante de médicos. O órgão identificou a falta de maior controle sobre a frequência de médicos, ampliação do número de leitos e do quadro de profissionais de obstetrícia como pontos-chaves a serem corrigidos.

A ação ocorreu como desdobramento do Procedimento Administrativo de Apuração de Dano Coletivo (PADAC), instaurado pela DPE-AM para investigar casos em série de violência obstétrica nas maternidades e hospitais públicos e privados, além de identificar falhas e indicar soluções. O instituto é a segunda unidade inspecionada pela DPE-AM, após a Maternidade Ana Braga, na Zona Leste, no último dia 28. A iniciativa deve alcançar as demais maternidades da capital.

Conforme a inspeção, a assiduidade dos médicos é monitorada por meio de uma folha de frequência que é assinada na entrada e saída do plantão pelos profissionais. Porém, conforme identificado pela direção do IMDL, alguns chegam à unidade, assinam a folha de entrada, ficam por pouco tempo, saem e só retornam no horário de registrar a saída. Embora a prática tenha reduzido nos últimos dois meses, após a nova gestão assumir o instituto e aplicar maior rigidez no cumprimento da carga horária, ainda há médicos que mantêm a conduta inadequada, segundo a direção da unidade.

Para coibir a prática, a direção do instituto adotou como estratégia o uso de câmeras internas de monitoramento para confrontar as assinaturas com a presença do médico no local de trabalho. Também foi destacada a Ouvidoria, no período noturno, para verificar in loco a presença dos profissionais. A iniciativa surtiu efeito e identificou, por exemplo, o caso de um médico que, durante o plantão, saiu às 11h, e voltou somente às 6h manhã do dia seguinte para registrar a saída.

A enfermeira Marilza Matias, diretora do instituto desde o dia 2 de janeiro, informou aos defensores públicos Thiago Rosas, Pollyana Vieira e Theo Ribeiro, que os médicos integram cooperativas e nem todos têm esse tipo de conduta, uma vez que se tivessem, a unidade não teria condições de atender a grande demanda de pacientes admitidas diariamente. Contudo, explicou que nos casos comprovados, as cooperativas são comunicadas das ausências juntamente com um relatório que pede providências e a responsabilização dos profissionais. A comunicação também é feita à Secretaria de Estado da Saúde (Susam).

Penalidades

Questionada pelos defensores sobre punições, a diretora advertiu que as próprias cooperativas relatam dificuldades em lidar com os médicos, tendo como consequência prática apenas o desconto da remuneração do plantão. A diretora explicou que “a maior vontade da nova gestão é implantar o ponto eletrônico para médicos, o mais breve possível, para eliminar o problema”. O processo, segundo ela, está pronto e espera autorização final do Estado para ser implantado.

Quadro

Quanto à ampliação do quadro dos profissionais, a diretora ressaltou que é uma necessidade que requer atenção redobrada. Ela ponderou que o instituto tem seis profissionais de obstetrícia, sendo que o número necessário para atender o número de pacientes e leitos é oito. Lembrou, ainda, que o quadro já foi completo, mas sofreu redução em gestão passada do Executivo Estadual.

Marilza também relatou aos defensores que o instituto conta com duas máquinas de ultrassonografia em perfeito estado de uso, mas tem apenas um médico ultrassonografista para fazer 60 procedimentos por dia, o que classificou como “humanamente impossível”. Com um segundo profissional, alerta ela, “a unidade atenderia toda a demanda com rapidez e desafogaria o atendimento atual”.

Providências

Os defensores percorreram as áreas de atendimento, leitos, farmácia, administração, salas de parto e solicitaram a documentação sobre a conduta faltante dos médicos, estatísticas de partos, reclamações, medicamentos, entre outras. As informações coletadas em relatos e observação dos ambientes irão compor as recomendações à direção da unidade, bem como auxiliar na adoção de providências necessárias.

“Percebemos uma administração nova que recebeu grande problema que passa pela área de saúde e administração, mas que está empenhada em fazer mudanças para melhor com soluções planejadas e efetivas. O trabalho que fizeram em dois meses e meio pode ser observado no local e no relato dos profissionais que trabalham há mais tempo no instituto e que estão aprovando as mudanças. Mas outras melhorias se fazem necessárias e a própria direção tem consciência disso. Vamos pontuar cada item e apresentar como sugestões de correções”, disse o defensor público Thiago Rosas.

Nova gestão

Nos 72 dias como diretora do Instituto da Mulher Dona Lindu, Marilza Matias destacou que estabeleceu estratégias para garantir um melhor atendimento das pacientes. Entre elas, a atenção sobre controle da frequência de médicos, estruturação da Ouvidoria para que reclamações tenham providências efetivas, implantação da pesquisa de satisfação e a visita vinculada, na qual gestantes em fase de pré-natal conheçam o instituto e cada etapa do atendimento como preparação para o parto.

A direção da unidade também reforçou estratégias do parto humanizado com sala de pré-parto, parto e puerpério (PPP), bem como o método mãe canguru, cuidado neonatal humanizado que implica no contato precoce pele a pele, entre mãe e a criança, e reforçou a atenção ao Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (SAVVIS).

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