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Manaus
SOCIEDADE BRASILEIRA

Médicos formalizam denúncia de tráfico de órgãos de pacientes na Venezuela

Em Manaus, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica oficializaram a denúncia ao Ministério Público, TJ-AM, Defensoria e Ordem dos Advogados do Brasil 14/10/2016 às 13:29
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Médicos brasileiros afirmam que 16 pacientes morreram em cirurgias na Venezuela este ano, e que outros 72 precisam de cuidados no Brasil (Foto: Clóvis Miranda)
Luana Carvalho Manaus (AM)

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) Luciano Chaves esteve em Manaus na manhã desta sexta-feira (14) para protocolar oficialmente uma denúncia ao Ministério Público do Estado (MPE), Tribunal de Justiça (TJ-AM), Defensoria Pública do Estado (DPE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a suspeita de tráfico de órgãos de mulheres que fazem cirurgias plásticas na Venezuela. 

Em um ano, a sociedade registrou 16 mortes por consequências de cirurgias plásticas feitas com os mesmos médicos da Venezuela. No Amazonas, pelo menos 72 pacientes, ainda segundo registros da SBCP, tiveram que passar por atendimentos e avaliações médicas em hospitais do Estado por conta de graves sequelas. 

"Este número é considerado absurdo, principalmente se levarmos em consideração a semelhança. Um grande número de pacientes estão voltando ao Brasil sem nenhuma assistência pós-cirúrgica, sobrecarregando o serviço público por conta de falhas cometidas por médicos que não são especialistas em cirurgia plástica". 

O especialista denuncia ainda que há uma rede de aliciadores que atuam em redes sociais, principalmente WhatsApp e Facebook, mostrando fotos enganosas de pacientes que passaram pela cirurgia plástica. "Desde abril estamos protocolando denúncias desta regional (Amazonas e Roraima). Com isso verificamos uma grande exposição publicitária deste tipo de cirurgia. Esses grupos fazem acordos financeiros com estes médicos e ganham por cada paciente que conseguem aliciar". 
  
No dia 13 de setembro a parintinense Dioneide Leite, 36, morreu durante cirurgia na Venezuela. Ao retornar para o Amazonas, a família verificou que a paciente estava sem os rins. Três dias depois, Adelaide da Silva, 55, também faleceu no mesmo país após ser submetida por uma abdominoplastia e uma lipoaspiração. 

"Quando essas pacientes voltam, elas chegam no Brasil com um laudo de óbito emitido por médicos venezuelanos, dando o direito às famílias de enterrar os corpos. Porém, a família da paciente Adelaide fez questão que ela passasse pela perícia do IML e lá foi constatado que retiraram todos os órgãos dela. Ela voltou sem coração, sem rins, sem fígado, pulmões e rins". 

Segundo o presidente do órgão, a Sociedade Venezuelana de Cirurgia Plástica informou que nenhum dos médicos citados pela denúncia possuem registro na sociedade.

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