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Medo da violência: Uso legal de armas cresce em Manaus

O medo da violência fez o número de registros de arma de fogo concedidos pela PF este ano quase superar os emitidos em 2012 15/07/2013 às 07:45
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Apesar da rigosoridade do processo de emissão de registro de arma de fogo e dos altos custos para se manter uma arma, a procura vem aumentando, diz a PF
Carolina Silva ---

Segundo levantamento da Polícia Federal (PF) no Amazonas, de janeiro até o início deste mês, o número de registro de armas de fogo concedidos a cidadãos comuns já é quase maior que o número de registros concedido em todo o ano de 2012.

O principal motivo apontado por alguns estabelecimentos autorizados a comercializarem armas em Manaus é a sensação de insegurança, que, para muitos manauenses, se tornou maior na última semana, após a maior fuga de presos registrada no sistema prisional do Estado, quando 176 detentos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) fugiram durante uma rebelião, na terça-feira. Pelo menos 80 continuam foragidos.

Em 2012, segundo a PF, foram concedidos 217 registros de armas de fogo a cidadãos comuns. No Brasil, é permitida a comercialização de revólver, pistola e espingarda. Esses registros foram dados a cidadãos que compraram revólveres ou pistolas. De janeiro até o início deste mês, a PF já concedeu 208 registros de armas de fogo. O número está prestes a ultrapassar a quantidade de registros concedida no decorrer do ano anterior.

De acordo com Ataíde Duarte, proprietário da Loja e Oficina Tiro Certo, estabelecimento que comercializa armas em Manaus, o número condiz com a preocupação dos cidadãos em garantir sua própria proteção. “Nos últimos anos aumentou bastante a procura por armas de fogo, embora não seja tão fácil conseguir a liberação da PF”, disse.

Há quase 29 anos o estabelecimento comercializa legalmente revólveres, pistolas e espingardas. Segundo o empresário, o público que procura o estabelecimento é predominantemente masculino e, na maioria das vezes, a justificativa dos homens para o interesse na compra de armas legalizadas surge depois de eles terem sido vítimas de assaltos, na tentativa de garantir a própria proteção.

“São dois perfis de compradores: os que procuram armas para a caça e aqueles que procuram para a defesa pessoal. Geralmente essa segunda procura vem de pessoas que foram assaltadas ou que têm um vizinho que foi assaltado, enfim, por conta de situações de violência que presenciaram. Muitas vezes, os compradores afirmam que não pretendiam ter arma, mas por algum trauma, tomaram essa decisão”, contou Ataíde Duarte.

Assaltos e fuga motivam

Medo de assaltos e violência são os motivos que levaram o vendedor Josué* a se armar. Ele, que mora no Tarumã, Zona Oeste, contou ter adquirido uma arma por conta do clima de insegurança que paira na cidade. No entanto, ele reconhece que a situação dele é irregular, uma vez que ainda não possui autorização da Polícia Federal nem registro da arma. “Foi um ato de desespero, pois muitos bandidos têm invadido propriedades aqui do Tarumã para fugir. Mas vou buscar a regularização”, prometeu. Em situação bem diferente, Fátima* também possui uma arma em casa há mais de dez anos, mas mediante licença da PF. “Tenho porque vivo em um sítio, apenas para proteção da propriedade. Mas já precisei usar”, contou.

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