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Manaus
(IN)SEGURANÇA

Medo toma conta de população do bairro São Jorge após confrontos e mortes

No dia após cinco homens morrerem em trocas de tiros com a polícia, movimento no comércio local diminuiu e o assunto foi tema das rodas de conversa. Paróquia cancelou evento por preocupação com a violência 27/07/2018 às 20:26 - Atualizado em 28/07/2018 às 08:48
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Foto: Junio Matos
Joana Queiroz Manaus (AM)

Clima de medo tomou conta dos moradores do tradicional bairro de São Jorge, na Zona Oeste de Manaus. Na manhã seguinte do confronto entre membros de facções e policiais que resultou em cinco mortes de criminosos, a população do bairro, principalmente da rua Humberto de Campos e do beco do Jacaré, amanheceu amedrontada. Os moradores evitaram ficar transitando nas ruas e comentavam entre eles o acontecido.

A entrada do beco do Jacaré amanheceu marcada com o nome da facção criminosa que diz deter o comando da área. O recado foi pintado no muro. Com tintas vermelhas escreveram o nome de um lado e do outro da entrada do beco. O dono do imóvel pintou com tinta azul uma dessas marcações.

A ação dessa quinta-feira (26) foi o principal assunto dos botecos, tabernas e bancas de frutas da rua Humberto de Campos, mas quando alguém estranho se aproxima ou pergunta sobre o caso, as pessoas dizem não saber de nada. “Eu nem moro aqui” ou “eu já estava dormindo e não vi nada”, dizem.

Uma das programações mais tradicionais do São Jorge, o arraial de Santa'Ana, que aconteceria neste sábado, foi cancelado por conta da violência na capital. O evento seria realizado na rua Humberto de Campos, onde as cinco pessoas morreram em confronto com a polícia na noite dessa quinta-feira (26).

De acordo a Paróquia São Jorge, responsável por realizar o evento, a decisão foi acordada entre o frei Agostinho e a comunidade para que problemas maiores sejam evitados.

Segundo a paróquia, fiéis que saíam na noite de quinta-feira de uma missa na comunidade Sant'Ana presenciaram o confronto entre policiais e criminosos que culminou na morte de cinco suspeitos de planejarem homicídios contra rivais do tráfico. A paróquia completou que foi um momento de “loucura” e que muita gente se jogou no chão para não ser atingida pelos tiros.

Uma comerciante da área que não quis se identificar disse que mora em outro bairro e quando abriu o seu estabelecimento pela manhã notou que poucas pessoas foram às compras e que a movimentação nas ruas estava menor do que nos demais dias. As que foram ao comércio demonstraram medo.

Uma senhora que tem uma casa no beco disse que ela está de mudança para um sítio. Ela disse que morou no lugar por muitos anos e que está deixando a casa por conta do medo. “Aqui toda noite eu escuto tiro. Tenho medo que um dia acertem a minha casa”, disse a mulher. Conforme informações dos moradores, muitos criminosos estão alojado nas quitinetes e apartamentos que são alugados por pessoas que vêm de fora.

'Estado está sob controle e o crime não vai dominar'

Nessa sexta-feira (27), o secretário de Segurança de Segurança Pública (SSP-AM), Anézio Paiva, disse em coletiva de imprensa que a população da cidade não precisa ter medo ou ficar intimidada com essas ações porque a segurança pública do Estado está sob controle e que o crime não vai dominar.


Coletiva de imprensa realizada na mahã dessa sexta-feira (27). Foto: Junio Matos

A situação de medo é agravada com as mensagens que chegam pela internet dizendo que haverá mais mortes. É por meio delas que o medo se espalha pela cidade toda. Moradores dos bairros do Santo Antônio, Glória e São Raimundo, onde já houve mortes por conta de confrontos entre criminosos, também estão com medo de novos tiroteios.

O secretário disse que informações falsas pela internet que saíram no calor das últimas ocorrências estão causando pânico na população. Ele pediu para as pessoas evitarem a disseminação dessas notícias falsas que deixam a população amedrontada.

Anézio Paiva disse ainda que a polícia obteve êxito na ação no bairro do São Jorge. De acordo com ele, a ocorrência começou no bairro da Cachoeirinha com a prisão de seis suspeitos que eram monitorados pelo sistema de informações policiais militares da Força Tarefa e Rocam. A ação terminou no bairro do São Jorge com cinco mortes.

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