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‘Melhor em casa’: após morte de marido, viúva acusa enfermeira da Susam de negligência

A serviço do programa “Melhor em Casa”, ela teria contrariado recomendação médica e provocado hemorragia em paciente que faleceu em poucos minutos 04/03/2015 às 13:06
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A viúva de José Wanderlan pede punição administrativa à enfermeira e indenização pela perda do marido
Nelson Brilhante Manaus (AM)

A dona de casa aposentada Maria de Nazaré Lima da Silva, 60, está acusando a enfermeira da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), que presta serviço ao programa federal “Melhor em Casa” de ter provocado a morte de seu marido, José Wanderlan Oliveira da Silva, 66.

Depois de 30 dias internado no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, vítima de enfarte, ele contraiu escara nas nádegas (necrose típica de diabético que fica muito tempo na mesma posição).

No primeiro curativo feito em casa, a enfermeira, usando um bisturi (procedimento proibido para o caso) teria atingido um vaso sanguíneo do paciente, que veio a falecer minutos depois, vítima de hemorragia.

O fato ocorreu no dia 10 de fevereiro deste ano e a viúva fez Boletim de Ocorrência (BO), denunciou o caso, oficialmente na Susam e no Conselho Regional de Enfermagem (Coren). Paralelo a esses procedimentos, Maria Izabel deu entrada em um processo criminal na Justiça Comum. Também vai pedir indenização pela morte do marido.

“Eu sei que isso não vai trazer meu marido de volta, mas o que eu quero é que se faça justiça com essa enfermeira para que ela não continue fazendo o que fez com outras pessoas”, disse, a viúva emocionada.

Antes da primeira visita da equipe do “Melhor em Casa”, os curativos vinham sendo feitos por enfermeiro particular e, por recomendação médica, a carne necrosada vinha sendo eliminada com papaína, pomada feita em farmácia de manipulação.

“Não era para ela usar o bisturi. Quando começou a sangrar, ela ficou desesperada porque não tinha gase e nem soro. O Samu demorou demais a chegar e quem veio primeiro foi uma médica do programa. Levamos para o 28 de Agosto, mas ele já havia perdido mais de três litros de sangue. Ela matou meu marido”, desabafa Izabel.

Na Declaração de Morte consta a justificativa “Necropsia suspeita de negligência de enfermagem na residência” e no Atestado de Óbito, assinado pelo Dr. Flaviano Bivaqua de Araújo, o motivo da morte foi “Anemia aguda hemorrágica”.

O atendimento era pelo programa “Melhor em Casa”, do Ministério da Saúde, que tem a Salvare como empresa terceirizada pela Susam para prestar serviços médicos móveis.

Maria Izabel, que mora no conjunto Rio Maracanã, bairro Flores, Zona Centro-Sul, disse que vem recebendo atendimento psicológico por profissionais do programa, já que ela continua muito abalada. Procurado por ela, o gerente do núcleo do programa, Paulo Viana, prometeu designar uma assistente social para acompanhar a situação de Maria Izabel.

Susam diz que já está apurando

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam), por meio de nota, informou que no dia 24 de fevereiro de 2015, com o recebimento da denúncia sobre o ocorrido, iniciou o processo de apuração do caso, através da Comissão Permanente de Sindicância.

Com a conclusão das apurações, ficando confirmada qualquer falha ou negligência, não hesitará em adotar as providências cabíveis e necessárias para a situação.

A assessoria do órgão enfatiza ainda que o Programa “Melhor em Casa” é um serviço ofertado pelo Estado do Amazonas, em parceria com o Ministério da Saúde.

A Secretaria destaca que o programa “reúne um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças, realizadas em domicílio, por equipe multiprofissional.

Desde que foi implantado, em agosto de 2013, o programa já levou essas ações a 1.433 pacientes, atendendo, atualmente, 510 usuários do sistema público de saúde.

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