Publicidade
Manaus
FDN

Membros da FDN ameaçam ‘espalhar o terror’ caso líderes não voltem para Manaus

A ameaça não é de hoje e vinha sendo investigada, mas a situação ficou mais tensa depois dos movimentos de rebelião com presos mortos, queimados e decapitados nos presídios de Porto Velho e Boa Vista, no fim de semana 18/10/2016 às 09:54
Show capturar
Titular da Seap, Pedro Florêncio se disse preocupado, mas precavido, com a possibilidade de ameaças se concretizarem (Foto: Arquivo AC)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), “filiada” ao Comando Vermelho (CV) estão “desafiando” as autoridades de segurança pública do Estado e prometem “espalhar o terror” dentro e fora dos presídios, ameaçando, inclusive, matar detentos e autoridades, caso os líderes da FDN, que estão presos desde o ano passado em presídios federais, não tenham a transferência para presídios de Manaus decretadas.

A ameaça não é de hoje e vinha sendo investigada, mas a situação ficou mais tensa depois dos movimentos de rebelião com presos mortos, queimados e  decapitados nos presídios  de Porto Velho e Boa Vista, no fim de semana.  O secretário da Secretaria de Administração penitenciária  (Seap), Pedro Florêncio, disse que a pasta está em estado de alerta, com policiamento reforçado nas unidades prisionais. “Falei com o secretário Sérgio Fontes, que nos cedeu reforço da Polícia Militar e Civil e, desde ontem, estamos percorrendo as unidades onde há presos do PCC”, disse o secretário.

Enquanto nas outras capitais do Norte as rebeliões foram marcadas por um confronto entre presos do PCC e do CV, em Manaus a motivação para as rebeliões é outra: a transferência dos líderes da facção de volta para Manaus. E, para isso, os internos fecharam um acordo para que fossem praticados crimes de rebelião, fuga e mortes dentro dos presídios, especialmente de estupradores e membros do PCC.

Fora dos muros das cadeias, a ordem é de incendiar ônibus e arquitetar atentados contra autoridades. “Ordem é ordem, vamos que ter que executar se eles não trouxerem os ‘manos’ de volta”, ordenou o presidiário Janes Nascimento da Cruz, o “Caroço”, durante uma reunião de presos ocorrida nas dependências do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da BR-174. Caroço é apontado pela polícia como uma ligação entre o comando da FDN e os presos do Compaj.

Alerta geral

A intenção dos presos de espalhar o terror foi denunciada à Secretaria Estadual Adjunta de Inteligência (Seai), que recebeu a informação que os próprios presos do Compaj estão orientando os familiares a suspenderem as visitas: sinal de que algo está por vir, apontou o titular da Seap.

Segundo ele, relatórios da Inteligência da secretaria indicam que há uma “grande possibilidade” de que os planos dos presos possam vir a se concretizar nos próximos dias. De acordo com levantamento, os planos seriam fazer um motim, seguido da explosão de três guaritas e, em seguida, uma fuga em massa.

Pontos de tensão

De acordo com Pedro Florêncio,  as unidades prisionais do Puraqueruara, O CDPM e  o Compaj fechado são pontos de tensão e que estás estão sendo monitoradas 24 horas por dia para que não haja nenhum problema que possa resultar em mortes de presos. De acordo com ele, as famílias estão ainda mais preocupadas e tem pedido ajuda dos órgãos de segurança.

Ideia surgiu para a volta de Carnaúba

A proposta de sequestrar autoridades, inclusive, não é novidade.  Ela foi proposta pelo traficante  João Pinto Carioca, o “João Branco”, em uma conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal (PF) durante a operação La Muralla, que resultou na prisão de quase 100 pessoas ligadas à FDN, em novembro de 2015. 

Na ocasião, a ideia é trocar o sequestrado pelo retorno do traficante Gelson Carnaúba, condenado a 120 anos de prisão pela chacina ocorrida no Compaj em 2001, a Manaus.

Carnaúba e boa parte da liderança da FDN foram presos na operação La Muralla, da Polícia Federal, e mandados para presídios federais fora do Amazonas. Há informações que os mesmos não vão retornar, pois foi pedida a prorrogação da estada de todos, para que permaneçam em presídios federais, como foi estabelecido, na época da prisão, pelo juiz da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal.

‘Apoio’ do Comando Vermelho

A liderança da FDN  é formada pelos criminosos José Roberto Fernandes,  o “Zé Roberto da Compensa”, Gelson Carnaúba, o “Gerson”, ou “Mano G”, João Pinto Carioca, o “João Branco”, considerados os primeiros no escalão de comando.

Todos são presos da Justiça Federal desde o ano passado quando foi deflagrada a operação La Muralla, para desarticular a facção. De acordo com informações da Polícia Federal, a FDN tem o apoio da facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV).

As investigações mostraram que a FDN tem tentáculos dentro dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Pelo menos seis advogados que trabalhavam para a facção foram presos, e uma desembargadora e o chefe de gabinete foram afastados de suas funções.

Durante as investigações da La Muralla ficou constatado que a liderança tinha pretenção de eleger vereadores e deputados na última eleição. O caso está sendo investigado Pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Publicidade
Publicidade