Publicidade
Manaus
Manaus

Memórias vivas da Avenida Sete de Setembro

Uma avenida que transpira história, vida e luta de várias gerações de amazonenses em quase três quilômetros de extensão 05/09/2015 às 11:02
Show 1
O sociólogo Alberto Valério (à esquerda) viveu momentos históricos na Praça Heliodoro Balbi e até hoje se reúne com os integrantes do ‘Movimento Jaraqui’
luana carvalho Manaus (AM)

CONFIRA O VÍDEO DA MATÉRIA

Em quase três quilômetros, a avenida Sete de Setembro coleciona incontáveis prédios e marcos históricos que continuam vivos na memória daqueles que viveram e por quem aprendeu nos livros de história. Moradores, frequentadores e trabalhadores da via reconhecem a importância da ‘Sete’ para Manaus, igualmente como o data da ‘Independência’ para o Brasil.

A antiga Prefeitura, localizada nos arredores do Paço da Liberdade, bem em frente à Praça Dom Pedro II, é um dos espaços mais antigos da cidade que por muito tempo sofreu com o abandono. O funcionário público Cleidison Muniz Santana, 32, trabalha próximo ao local e conhece bem os dois extremos da avenida.

“Comecei na sede da empresa que fica no final da Sete de Setembro, onde antigamente tinham os carvoeiros que trabalhavam em frente ao mercado da Cachoeirinha. E agora, há um ano, estou trabalhando no prédio que fica exatamente no início da avenida, com um outro tipo de paisagem: a Ponte Rio Negro”.

Para ele, a ‘Sete’ reflete um pouco do que a ‘independência’ proporcionou ao Brasil. “Esa rua é uma das mais antigas de Manaus e uma das principais vias, entendo como a representação do país. O comércio se instalou aqui e tudo isso ajudou Manaus a crescer assim como a independência fez com que o Brasil se tornasse uma nação independente e próspera”, comenta.

No trecho mais comercial da avenida, no ‘centrão da cidade’, encontra-se de tudo: consumidores a procura do melhor preço; carregadores de mercadorias; guardadores de carros; pedintes e vendedores irregulares, que de uma forma ou de outra, também buscam a independência financeira.

Alguns metros à frente, cenário de grandes movimentos e conflitos, a praça Heliodoro Balbi proporciona uma verdadeira viagem ao tempo. Além de ponto de encontro dos alunos, intelectuais mais experientes continuam se reunindo no espaço. É o caso do sociólogo Alberto Valério, 69. “Houve um conflito entre a polícia e os estudantes, onde eles machucaram vários jovens na época da ditadura. Foram muitos movimentos que fizeram com que essa praça tivesse grande função política e cultural”, relembra.

Alberto conta que a avenida possui espaços democráticos, de denúncias e de cultura. “A avenida Sete de Setembro tem alguns elementos históricos como a Praça da Matriz, a ponte Benjamim Constant, o Palácio Rio Negro, o Museu do Índio, entre outros. O nome da rua, por sí só evoca a história da independência do povo brasileiro”.

Antes da ponte Benjamim Constant - construída no período de 1892 a 1895 sobre o igarapé do Mestre Chico - um prédio de mais de cem anos, que parece mais uma fortaleza medieval, continua recebendo presidiários em celas superlotadas. A Casa de Detenção, conhecida como Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, é um dos logradouros que fecham a avenida.

Cinema

O cruzamento com a avenida Getúlio Vargas também é carregado de história. O prédio do Cine Polytheama, fundado em 1916, foi um dos mais frequentados da época . Atualmente, uma loja de departamento ocupa o espaço construído em formato de teatro.

Publicidade
Publicidade