Domingo, 22 de Setembro de 2019
Manaus

Mercado Municipal Adolpho Lisboa ofuscado pelo lixo

Sujeira no entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa tira o brilho da reinauguração de um dos patrimônios da cidade



1.jpg Onde há lixo a céu aberto e lixeiras improvisadas, limpeza e coleta de lixo não bastam para manter o ambiente limpo
04/10/2013 às 08:57

Por dentro, a beleza de um patrimônio que é símbolo dos tempos áureos da borracha e que ganha vida após quase oito anos em restauro impressiona até aqueles que passaram a vida toda ali. Mas o vislumbre termina quando os olhos alcançam o que existe do lado de fora da construção, nas ruas dos Barés, Barão de São Domingos ou na avenida Lourenço da Silva Braga, a Manaus Moderna: lixo e mais lixo.

Foram sete anos e seis meses entre obras e embargos e mais de R$ 17 milhões gastos na recuperação do mercado. A 20 dias da inauguração do complexo, a vizinhança dele pouco mudou e contrasta com a beleza do prédio construído em estilo Art Nouveau, inaugurado em 1883 e tombado em 1987 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Esgoto escorrendo pelas calçadas, restos de frutas, verduras e peixes jogados pelo chão, pilhas de lixo a céu aberto e a ausência de lixeiras públicas para pedestres - em toda aquela área só há uma - fazem do entorno do mercadão um cenário insalubre e nada turístico.

Para quem trabalha entre um cartão postal e uma pilha de lixo, como o ambulante Gabriel Oliveira, 28, ali há dez anos, o descaso com aquela área ao longo do tempo, que a transformou no que é hoje, vai ofuscar o brilho da reinauguração do mercado. “Foi uma obra longa e agora o mercado está lindo, mas só por dentro. Quando a pessoa colocar os pés pra fora, vai ver outra realidade: só lixo pra todo lado”, criticou.

Ele é um dos que trabalham na travessa Tabelião Lessa, bem ao lado do mercado municipal. Frutas, verduras, peixes, ali se vende um pouco de tudo, e tudo em carrinhos de mão ou bancas improvisadas, sem estrutura nenhuma. A lixeira é coletiva, ao ar livre e no chão, a dois metros da banca onde Gabriel trata e vende os peixes, cercados por moscas e pelo vai e vem de veículos. “Lixeira não tem mesmo, por isso todo mundo joga o lixo na rua mesmo. A prefeitura só limpa à noite, então fica esse mau cheiro o dia todo. E incomoda”.

Assim como na avenida Manaus Moderna, nas ruas dos Barés, Barão de São Domingos e travessa Tabelião Lessa as lixeiras públicas são raridade. A única em condições de uso fica localizada em frente à feira Manaus Moderna, na avenida de mesmo nome e, obviamente, não é suficiente para atender a demanda, conta o taxista fluvial Catarino Barbosa, 37. “Onde tem lixeira é porque os trabalhadores colocaram, pra tentar reduzir o lixo que as pessoas jogam no chão, até porque a gente que acaba limpando. A prefeitura gastou muito no mercado, mas até agora não cuidou da vizinhança”.

Quem sente na pele o reflexo desse descaso e da falta de educação daqueles que insistem em jogar o lixo no chão é o auxiliar de limpeza da feira Manaus Moderna Raimundo Nunes, 35. Há dois anos, ele passa o dia todo percorrendo a feira e o entorno dela com um carrinho de mão, que usa para recolher o lixo. E reclama: “A prefeitura tem que colocar mais lixeiras, mas as pessoas precisam ser mais educadas e não jogar no chão”.

Tudo que ele recolhe é levado para um dos dois caminhões coletores de lixo que ficam o dia todo estacionados nas feiras da Manaus Moderna e da Banana. Mensalmente, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana e Serviços Públicos (Semulsp), Josenildo Lima, somente a feira Manaus Moderna gera mais de 25 toneladas de lixo.

Problema resolvido só no mercado

Os problemas ligados à gestão do lixo que existem no entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa não se repetirão no interior do complexo. Pelo menos, foi o que garantiram os secretários municipais do Centro (Semc), Raphael Assayag, e de Limpeza Urbana e Serviços Públicos (Semulsp), Paulo Farias.

De acordo com Assayag, os permissionários estão recebendo treinamento sobre o controle de resíduos e o mercado ainda vai contar com uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), que está sendo construída e deverá tratar 100% do esgoto gerado no complexo.

“Além disso, vamos construir câmaras frigoríficas para o descarte de restos de carne e frango, e compactadores, para os demais alimentos, com o intuito de evitar a formação do chorume, que polui o solo e gera o mau cheiro”, explicou.

Os três serão entregues na inauguração do complexo, dia 24 deste mês, segundo Farias. Ainda este ano, a Semc pretende implantar um biodigestor, equipamento que transforma os resíduos orgânicos em energia a gás, que posteriormente deve alimentar dois pavilhões do mercado.

Implantação será gradativa

Em todo o Centro, o déficit de lixeiras públicas para pedestres passa de 700, sendo 40 somente no entorno do mercado Adolpho Lisboa, segundo o secretário da Semc, Rafael Assayag.

Mas, apesar da demanda, a instalação de novos equipamentos ainda não tem previsão, segundo o secretário da Semulsp, Paulo Farias. Isso porque, de acordo com ele, esse problema ‘esbarra’ em outro imbróglio: a retirada dos camelôs do Centro. “Já encaminhamos ao registro de preço para aquisição das lixeiras, mas elas só devem ser implantadas à medida que as calçadas sejam desocupadas, o que deve ser gradativo”, disse. Segundo Assayag, ambulantes já começaram a ser transferidos para feiras volantes.


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