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Mesmo com a subida do rio, praia da Ponta Negra seguirá fechada

Mesmo com a subida do rio nos últimos seis dias, a avaliação é de que interdição só encerrará quando a cota for 17,50m 04/11/2015 às 13:24
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Aterro mal feito causa a interdição da praia, que só será liberada quando o rio Negro alcançar a cota de 17,50 metros
Isabelle Valois ---

As águas do rio Negro subiram ontem pelo sexto dia consecutivo e atingiram a cota de 16,17 metros. No total, ele está 25 centímetros acima da menor cota registrada na vazante deste ano. Mesmo estando há 23 centímetros da cota de alerta para interdição do balneário da Ponta Negra (16,40 metros), o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, informou que só deve liberar a entrada de banhistas na água, quando o rio atingir a 17,50 metros considerando uma abertura precoce caso ocorra antes do prazo de 45 dias estipulado pela prefeitura na última semana quando foi decretada a interdição da praia.

De acordo com Moita, a cota 17,50 metros é segura para os banhistas. “Na cota atual é possível vermos como está o aterro da praia. Não há buracos. E logo que o rio subir para a cota de 17,50 metros não haverá risco para a população”, explicou.

Após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), entre a prefeitura e o Ministério Público do Estado (MP-AM), a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) realizou uma análise técnica na praia perene (artificial) e concluiu que a cota de alerta para o balneário deve ser a de 16,40 metros, abaixo disso haveria risco para os banhista, pois ficam próximo ao final do aterro. O TAC foi assinado após terem ocorrido 16 mortes por afogamento na Ponta Negra.

Prevenido

Para o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a liberação do balneário deveria ocorrer apenas quando o rio atingir 20 metros. “Tivemos um caso de morte por afogamento quando ele estava em 19 metros, então para segurança, acreditamos que a liberação só deve ocorrer quando o rio estiver na cota de 20 metros”, reforçou.

O superintendente disse que considera ainda cedo para liberar o balneários aos usuários. “Precisamos observar os próximos dias para poder realmente afirmar se a vazante terminou ou se começamos o período da cheia. O rio Negro pode ainda passar por repiquete, porém não podemos confirmar nada, precisamos aguardar pelo menos o término desta semana”, completou.

Repiquete ainda pode acontecer

De acordo com Marco Antônio, caso o rio Negro passe por um repiquete é possível que a vazante se estenda pelo menos até o mês de dezembro. “Em 2009 aconteceu isso e não podemos descartar que a situação ocorra novamente”, explicou.

O superintendente informou que o período de chuva ainda não começou na região. “As subidas das águas, no caso do rio Solimões que iniciou no dia 5 de outubro, são do imposto pela descarga das águas subterrâneas, que ocorre quando há uma queda acentuada do nível do rio e quando o mesmo chega ao limite. Ainda não entramos no período de chuva para região, por isso que acredito que precisamos aguardar para realmente nos posicionar de qualquer fenômeno”, disse.

Para o chefe do Serviço de Hidrologia do Porto de Manaus, Valderino Pereira, o rio se encontra no início da cheia, mas ele também não descarta a possibilidade de um repiquete. De acordo com ele, o rio começou a subir na última quinta-feira, quando atingiu a cota de 15,95 metros após subir seus 3 centímetros depois da vazante.

Problemas e mais problemas

A construção de uma praia perene no complexo turístico da Ponta Negra foi um projeto desenvolvido na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT). Além da praia perene, o projeto que levava a assinatura dos arquitetos Roberto Moita, atual superintendente do Implurb, e Cláudio Nina, previa a reforma de todo o calçadão, incluindo bares e restaurantes, mirantes, uma marina e uma torre de observação de 80 metros de altura.A ideia original também previa a cessão do complexo à iniciativa privada. A operadora Piu Invest ganhou a concessão, mas o contrato foi cancelado.

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